12 de maio de 2013

A leitura e a cidade - No mês em que se comemora o dia nacional do livro infantil, Paraíso tem que evoluir na literatura

O habito da leitura é uma pratica agradável de obter conhecimento e, para alguns, fugir da realidade maçante do dia a dia. Ler é ampliar os horizontes, aprender coisas novas, acumular cultura. Lendo você expande seu vocabulário e melhora o raciocínio e a capacidade de abstrair o mundo. O que não faltam são opções de literatura, desde o vasto mundo dos romances ate as ciências e humanidades. 

Neste mês, no dia 18, comemora-se o “dia nacional do livro infantil”, em homenagem ao pai da literatura infanto-juvenil nacional, Monteiro Lobato. Lobato foi um pré-modernista famoso por produzir obras como “Urupês”, na qual imortalizou a personagem Jeca Tatu, uma metáfora para contar a real situação do trabalhador rural paulista, criticando diretamente o governo da época. Todavia, foi à literatura infantil que o consagrou. Para a paraisense Claudia Zanin, pós-graduada em Língua Portuguesa e Literatura Brasileira pela Universidade de Franca, a obra infantil de Lobato foi um "divisor de águas" na literatura para crianças no Brasil. “Ele foi o responsável por colocar a cultura brasileira como protagonista em uma recente República, ainda sem identidade cultural”, conta. 

Autor de diversas obras como “O sitio do pica pau amarelo”, “As caçadas de Pedrinho” e “As historias de Tia Anastácia” foi às crianças que Monteiro Lobato dedicou grande parte de suas obras, revolucionando por trazer os contos de fada europeus sob uma óptica cultural puramente brasileira e em uma linguagem coloquial, que fazia diferença em um Brasil com 80% de analfabetos. “De escrever para marmanjos já estou enjoado. Bichos sem graça. Mas para crianças um livro é todo um mundo”, teria dito Lobato. 

As obras infantis são geralmente de caráter moralista e Monteiro Lobato, com suas produções, queria fazer com que as crianças aprendessem a pensar, a raciocinar, chegando às suas próprias verdades. "Queria fazer livros em que as crianças morassem", dizia. Claudia Zanin, que também é professora na Escola Estadual Benedito Ferreira Calafiori, explica que o fato de suas obras terem sido censuradas no período ditatorial no país, mais precisamente na década de 1970, deu-se pela preocupação de Lobato nas narrativas com a educação. “Ele usava Geografia, Ciências, Astronomia, Matemática, História, Língua Portuguesa e até mesmo questões políticas, em suas histórias”, disse a professora. A boneca de pano Emília  por exemplo, é uma metáfora à representação do espírito de rebeldia às regras, rótulos e convenções que fecham o mundo a qualquer possibilidade de renovação, ou seja, um choque as ideologias políticas do regime militar. 

A importância de se estimular a leitura às crianças e apresentá-las ao mágico universo literário é um desafio que a cidade precisa encarar. Historicamente, Paraíso não tem tratado a cultura como uma prioridade e o resultado disso são nossas bibliotecas quase sempre vazias ou frequentadas apenas para uso de computares e a realização de trabalhos escolares. Apesar de nossa cidade ter sido convidada a participar da 13ª Feira do Livro de Ribeirão Preto, que acontecerá de 6 a 16 de junho de 2013, não seria mais interessante pensar em uma feira cultural para Paraíso, aonde os nossos jovens pudessem ser estimulados a ler mais? Lobato disse certa vez que “um país se faz com homens e com livros”, destacando a importância que a literatura tem para a construção de uma sociedade mais inteligente e menos alienada. Esta é uma ideia que, sem duvida, merece ser refletida.

Matéria produzida originalmente para a "Revistas Expressão Livre"
 -  Ano 3, Edição 35, Abril de 2013

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