abril 04, 2016


Fundada em 5 de março de 1919 pelo coronel Alfredo Serra Júnior, mais conhecido como “Doutor Serrinha”, a Associação Atlética Paraisense (AAP) completou 97 anos de história. Durante esse período, o clube viveu um passado repleto de altos e baixos, tentando de 1952 a 1956 subir para a liga profissional. Em 1956, na disputa contra o time Valériodoce, em Itabira, na final do Campeonato Mineiro da Segunda Divisão, a “Mais Querida” de São Sebastião do Paraíso, dependia de um empate para subir para a liga, mas o centroavante conhecido como Mingo, perdeu os dois pênaltis, levando o time a derrota e ao desânimo do clube em ter um time profissional.

Esse fato marcante na história da Paraisense, dizem, foi proposital. É o que afirma o taxista Itamar Bonfim, conhecido da comunidade paraisense que durante muitos anos foi árbitro de futebol e comentarista esportivo e viveu todas as glórias e tristezas por qual o time passou. “Dizem que o Mingo estava comprado, que havia perdido de propósito, ele saiu fugido da cidade”, conta Itamar que, aos 73 anos, recorda-se, emocionado, de vários momentos importantes na história da Paraisense. No entanto, ao ser entrevistado em programas esportivos na então Rádio Difusora Paraisense, na época, e quando veio a Paraíso posteriormente, Mingo negou, atribuindo a perda dos pênaltis a uma infelicidade. “Sou apaixonado pelo time, meu pai amava o clube e me levava aos jogos, nunca houve um período tão importante na história do nosso futebol como aquela geração dos anos 50”, recorda Itamar Bonfim.

Dentre as conquistas da AAP, as que são lembradas, e que marcaram época para o time de Paraíso, ocorreram no Campeonato Mineiro da Segunda Divisão, tendo no currículo dois vices (1989 e 1995) e o título obtido no Campeonato Mineiro da Terceira Divisão, em 2001; além de ter participado do Campeonato Mineiro da 1ª Divi-são em quatro oportunidades: 1990 (8º lugar), 1991 (8º lugar), 1992 (15º lugar) e 1996 (12º lugar). Em1989, em uma partida emocionante, ela empatou com o Ipiranga em Manhuaçu e subiu pela primeira vez a elite do futebol mineiro.

No gramado do Estádio Comendador João Alves, a Paraisense recebeu grandes equipes como Fluminense, Santos, Cruzeiro, Atlético Mineiro, Guarani, Ponte Preta de Campinas, Botafogo, Comercial de Ribeirão Preto, Ferroviária de Araraquara, além de grandes equipes do cenário regional e nacional.

Depois de paralisado por algum tempo, foi nos anos 80 que a Mais Querida voltou a movimentar o futebol no município. Enfrentou e ganhou de equipes que faziam parte dos principais campeonatos mineiro e paulista. Foi nesse período que o ex-zagueiro da primeira formação profissional e atual secretário de Esporte do município, Tomás Martins, atuou na Paraisense.

“Em 1980 o AAP voltou ao campeonato profissional, nessa época eu entrei como jogador profissional. Comecei no clube como mascote, de 1978 até 80 eu fiquei no futebol amador; de 80 a 82 joguei no profissional, depois disso fui estudar e tive que parar com o futebol. De 1980 a 1989 a Paraisense tentou subir para a primeira divisão; em 89 ela ficou em segundo lugar, na segunda divisão, foi um dos momentos mais marcantes da minha vida”, recorda o secretário de Esporte.

“Foi uma vitória que me emociona até hoje, quando a Paraisense foi para Manhuaçu, onde jogava pelo empate para subir para a primeira divisão pela primeira vez. Nós começamos ganhando de 1x0, depois o Ipiranga virou o jogo para 2x1. Aos 43 do segundo tempo conseguimos empatar, lá em Manhuaçu com um gol de Sérgio Vilela, e pela primeira vez na história da Paraisense, conseguimos subir para a primeira divisão. Foi muito e emocionante; até então o time adversário estava fazendo festa, comemorando, e conseguimos ganhar do último momento. Aquele momento não sai da minha, eu estava no estádio, trabalhando na transmissão do jogo”, recorda Tomás.

Esse também é um momento que emocionada o taxista Itamar Bonfim, que foi o idealizador da Taça Paraíso em 1989, campeonato que até hoje acontece no município. Outro momento que também emociona o taxista, foi um jogo em que o Corinthians esteve no município, na década de 1970, no qual o pároco da época, Monsenhor Mancini, conhecido por todos por sua seriedade e rispidez, ganhou uma camisa autografada por um dos ícones do Corinthians, Roberto Rivellino. “Ele chorou muito de felicidade”, recorda Bonfim, também emocionado. A camisa ficou exposta por um bom tempo no saguão de entrada do Cine São Sebastião.

Bonfim também se lembra do secretário Tomás Martins que, para ele, também foi um dos grandes heróis do futebol que Paraíso já teve. Martins foi presidente da AAP 2002 a 2004, e coleciona uma série de lembranças saudosas, da infância até a extinção do futebol profissional da AAP. “A Paraisense de 2004 para cá, não disputou mais nenhum tipo de campeonato. Hoje, só tem o time veterano. Infelizmente, ela só existe como nome que uma ação de clube propriamente dito. Eu acompanho a Paraisense desde os 6 anos, vi muita coisa bacana acontecer”, recorda.

Tomás recorda ainda de uma partida entre a Paraisense e o Milionários, que entre outros craques tinha o legendário Garrincha, Djalma Santos, Amaral e uma série de jogadores importantes. “Eu tenho uma lembrança dessa época que marcou muito. O time dele estava hospedado no Hotel Achei, no Centro. Lembro-me quando o Garrincha estava conversando no orelhão, com a esposa dele, Elza Soares, quando ela deu a notícia que estava grávida do Garrinchinha. A gente ficava tudo ali ao entorno do hotel para pegar autógrafo. Eu me lembro como se fosse hoje, ele na praça, de bermuda e chinelo, conversando com a turma dele e falando do filho que ia nascer”, relata o secretário de esporte.

Não mais como jogador, Tomás conta que já foi diretor e fez parte do departamento médico do clube. “Eu me lembro que 1990, quando a Paraisense subiu, nós fomos a BH jogar contra o Cruzeiro no Mineirão. O ônibus quebrou na avenida Antônio Carlos, o jogo estava marcado para 8h30, era 7h30 e ainda estávamos parados na rodovia, a torcida do cruzeiro passando, mexendo com a gente. Nós levamos uma goleada de 4x1. É outra lembrança que tenho, já como membro da imprensa e da diretoria do clube”, conta.

“Depois disso, aconteceu muita coisa, vários times importantes vieram a Paraíso disputando campeonatos, vários jogadores importantes passaram por aqui. Houve a reinauguração da iluminação do estádio em 1996. Na época nós jogamos contra os Democratas de Governador Valadares, que estava começando a lançar o jogador Fábio Junior como profissional, nós empatamos o jogo na época. O diretor Darci Menezes, que tinha sido zagueiro do Cruzeiro, veio aqui, tivemos esses encontros memoráveis”, finaliza Martins.

O Clube, que já possuiu invejável patrimônio, inúmeros bens, hoje conta apenas com o Estádio Comendador João Alves, que de acordo com a doação feita, pertencerá à Associação enquanto houver diretoria. Caso contrário retornará aos herdeiros do doador da área. Mas o atual presidente, Cláudio Passagem, garante que essa perda nunca vai acontecer e que, no que depender dele, a AAP sobreviverá por muito tempo. “A Paraisense sofreu um período de abandono, diretorias que por lá passaram acabaram com tudo que a AAP possuía, nunca cumpriram com o estatuto. Estamos fazendo o possível para manter o clube e reergue-lo”, comenta.

Passagem ressalta ainda que para as eleições que acontecem para a formação da nova diretoria do clube, no próximo dia 9 de abril, sábado, só participarão os 38 associados que hoje compõe a AAP. “Vamos fazer valer o estatuto, principalmente o artigo 44, que diz que ‘o associado que concorre ao cargo só poderá participar de uma chapa e para um único cargo, com pelo menos um ano de registro como associado’”, completa.

Nestes 97 anos de existência a Associação Atlética Paraisense recebeu e revelou atletas valorosos em suas equipes amadoras e profissionais. Contou com diretores abnegados que com muito esforço se desdobraram para a formação e manutenção dos elencos.

Neste contexto, por sua visão empreendedora, bem além de seu tempo, há de se lembrar e se reverenciar o grande presidente Fulvio Guidi, a quem cabe um capítulo especial na história da Mais Querida, notadamente nos anos 50 e início da década de 60, e, também a Waldemar Lanzoni, o grande goleiro que depois, com muito zelo, manteve equipes amadoras de alto nível, por muitos anos. Em nome de Fulvio Guidi e Waldemar, o Jornal do Sudoeste homenageia a todos diretores e diretorias que tiveram sua parcela de trabalho ao longo destes 97 anos de história da Associação Atlética Paraisense.

Matéria originalmente publicada na edição 1985 do Jornal do Sudoeste,
São Sebastião do Paraíso/MG

Postado segunda-feira, abril 04, 2016 por João Oliveira

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março 30, 2016


Conhecida pela sua alta taxa de incidência no século XX, a tuberculose, uma doença infecciosa de evolução crônica causada pela bactéria “Mycobacterium Tuberculosis” - descoberta pelo médico, patologista e bacteriologista alemão, Heinrich Hermann Robert Koch em 1882 - e que ataca principalmente os pulmões, ainda é uma doença que preocupa muito a medicina e que, se diagnosticada tardiamente, pode levar a morte além de sua propagação.

Conforme relata o médico infectologista José Carlos Costa Junior, a doença ainda é um grande problema de saúde pública e vem preocupando autoridades da área. “Embora a taxa de incidência venha diminuindo, a mortalidade ainda é muito alta, principalmente nos casos de coinfecção da tuberculose em pessoas portadoras do vírus HIV. A doença está diretamente relacionada a determinantes sociais”, elucida.

De acordo com dados do boletim epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde no dia 24 de março, data em que se comemorou o “Dia Mundial de Combate à Tuberculose”, nos últimos 10 anos, a incidência de casos de tuberculose no Brasil reduziu 20,2%, passando de 38,7 casos a cada 100 mil habitantes em 2006 para 30,9 em 2015.

Neste mesmo período, a taxa de mortalidade teve também redução de 15,4%. No último ano, a taxa de mortalidade foi de 2,2 óbitos para cada 100 mil habitantes, contra 2,6 registrados em 2006. Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil conseguiu atingir as metas dos Objetivos do Milênio (ODM) de combate à tuberculose com três anos de antecedência e, em 2015, aderiu ao compromisso global de redução de 95% dos óbitos e 90% do coeficiente de incidência da doença até 2035.

Apesar dos números positivos, o infectologista José Carlos comenta que os números de casos em homens é o dobro daquele registrados em mulheres, que também tem a doença como uma das principais causas de óbito entre o sexo feminino. Além disto, conforme o médico, uma população vulnerável apresenta taxas de incidência maiores, é o caso da população carcerária, pessoas portadoras da AIDS, indivíduos vivendo nas ruas e pessoal que tem associação com etilismo (alcoólatras).

Segundo o especialista, em São Sebastião do Paraíso também há casos da doença, como na grande maioria dos municípios brasileiros, e a maioria realiza tratamento ambulatorial. “Nos últimos anos notamos um grande número de jovens e pessoas entre 40 e 50 anos com diagnóstico da doença”, ressalta.

O médico comenta que a tuberculose ainda desafia a medicina. “Diferente do que se imaginou nas décadas de 1960 e 1970, de que com uma potente quimioterapia a doença teria um efetivo controle, a tuberculose aumentou em todo o mundo. Em 1993, a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou a tuberculose como uma emergência global”, destaca o infectologista.

DIAGINÓSTICO E TRATAMENTO

“A pessoa que tem o diagnóstico da doença deve ser muito bem esclarecida sobre os riscos e a importância do tratamento correto, seus familiares próximos devem ser examinados”, alerta o médico.

Conforme o especialista, um dos grandes problemas da tuberculose no século XXI é a resistência da bactéria a medicação. “O diagnóstico precoce e o tratamento correto são as medidas mais eficazes para o controle da doença”, ressalta.

Ainda, conforme o médico, existe um tratamento eficaz distribuído pelo Ministério da Saúde com duração, na grande maioria dos casos, de 6 meses de tratamento. “É fundamental o tratamento correto para evitar recidivas da doença, assim como a resistência do bacilo as drogas usadas”.

TRANSMISSÃO

A transmissão da doença ocorre por vias aérea e na maioria dos casos a partir da inalação de gotículas contendo bacilos expelidos pela tosse, fala ou espirro do doente com tuberculose. O infectologista José Carlos Costa alerta que as pessoas que teve ou tem contato próximo de doentes sem tratamento estarão mais expostas. “Após 10 a 14 dias de tratamento eficaz não ocorre mais a transmissão do bacilo. Todos os contatos de pessoas com pacientes que foi infectado com a doença, por exemplo, residentes na mesma casa, devem ser investigados, assim como contatos próximos, seja no trabalho ou até mesmo a população carcerária”, completa o médico.
SINTOMAS

O principal sintoma da tuberculose é a tosse por mais de três semanas, com ou sem secreção. Qualquer pessoa com esse sintoma deve procurar uma unidade de saúde para fazer o diagnóstico. Além desse sintoma, outros como febre baixa, geralmente à tarde, suor noturno, falta de apetite, perda de peso, cansaço, dor no peito e hemoptise (sangramento das vias respiratórias), pode também ser um indicativo da doença.

Como já ressaltou o infectologista, José Carlos, são mais vulneráveis à doença as populações carcerárias, moradores de rua - estes devido à dificuldade de acesso aos serviços de saúde e às condições específicas de vida -; além das pessoas vivendo com o HIV, que representam 9,7% dos diagnósticos confirmados de tuberculose em 2015.

TUBERCULOSE EM MINAS

De acordo com dados da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerias (SES-MG), em 2015 houve cerca de 4.039 notificações de pessoas contaminadas com a doença, dos quais cerca 212 vieram a óbitos. Ainda, conforme a Secretaria de Saúde, a região metropolitana de Belo Horizonte concentra, aproximadamente, um terço dos casos em todo o Estado.

Dados epidemiológicos revelam também que a taxa de abandono do tratamento em 2014 foi de 10,6%, considerada elevada. Em função disso, para conscientizar a população a respeito desta doença, a SES-MG fez o lançamento da campanha “A Tuberculose tem cura e o tratamento é gratuito”, sendo a proposta central sensibilizar a comunidade sobre a importância da prevenção e do tratamento correto.

TESTE RÁPIDO

Em 2014, o Ministério da Saúde implantou no país uma rede de diagnóstico da doença, a Rede de Teste Rápido para Tuberculose (RTR-TB). Denominado “Gene Xpert”, o teste detecta a presença do bacilo causador da doença em duas horas e identifica se há resistência ao antibiótico rifampicina, usado no tratamento. Segundo dados, foram distribuídos 160 equipamentos para laboratórios de 92 municípios, em todas as unidades da federação. Os municípios escolhidos notificam, anualmente, cerca de 60% dos casos novos de tuberculose diagnosticados no país.

O investimento do Ministério da Saúde para estas ações foi de cerca de R$ 10 milhões e, para monitorar a implantação desta rede, mensurar a realização dos testes e auxiliar a vigilância epidemiológica da doença, o Programa Nacional de Controle da Tuberculose publicou, em dezembro de 2015, um relatório em que estão descritas as principais atividades desenvolvidas pelos Programas de Controle da Tuberculose (nacional, estadual e municipal), laboratórios municipais e centrais no primeiro ano de implantação da RTR-TB, os avanços e os desafios, além do monitoramento da produção do período.

Para 2016, o Ministério da Saúde já adquiriu 70 novos equipamentos e 250 mil testes que serão distribuídos, de acordo com critérios técnicos e operacionais, para municípios brasileiros. Com a medida, o percentual de diagnóstico da doença será ampliado para cerca de 75% de cobertura de casos novos.

Postado quarta-feira, março 30, 2016 por João Oliveira

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março 28, 2016


A Base Comunitária Móvel (BCM) da Polícia Militar é um serviço preventivo prestado por uma equipe de policiais militares preparados para aplicar o policiamento orientado para o problema (Pop), com o apoio da comunidade, e utiliza uma viatura (tipo trailer ou van adaptados) e outros processos de policiamento, com o objetivo de reduzir o crime de menor potencial ofensivo, a sensação de insegurança e a desordem pública em áreas com alta densidade populacional sazonal.

Conforme explica o chefe da seção de operações da PM e responsável pelo planejamento da base comunitário, tenente Thiago Teixeira Nunes, esse policiamento em específico “visa fazer frente às circunstâncias que necessitem de presença policial militar não permanente. Deve ser empregada, após criteriosa avaliação do comando, onde haja necessidade ocasional ou transitória, ainda que periódica”, destaca.

“A missão geral é executar o policiamento ostensivo geral de forma personalizada, conforme necessidade de cada comunidade, utilizando a Base Comunitária Móvel (BCM) para identificar, analisar e responder aos problemas contemporâneos de segurança pública, avaliando a melhoria da qualidade de vida da comunidade”, elucida tenente Nunes.

A base tem também como objetivo executar as atividades conforme o planejamento da Seção de Emprego Operacional (P/3), em conjunto com os órgãos do Sistema de Defesa Social, a solução dos problemas locais com a participação da comunidade, bem como o policiamento ostensivo em locais que apresentem problemas similares, em “padrão” repetitivo e persistente, como já é comum observar a unidade no Centro de São Sebastião do Paraíso.

De acordo com o tenente Nunes, a BCM tem como conceito de atuação, dois objetivos: criar procedimentos de operacionalização para implantação da filosofia de polícia comunitária e assessorar o comando da PM e os policiais militares da 20ª Cia PM Ind onde estiverem atuando, de forma que, quando da retirada da equipe da BCM, possam, aqueles policiais militares, continuar e aprimorar os trabalhos realizados.

Outro ponto importante é que a área de atuação em que a BCM desenvolverá seus serviços deve ser bem definida, em virtude do problema apresentado pela comunidade, preferencialmente de forma a não extrapolar o território um bairro. “A equipe da BCM é diretamente subordinada ao comando da Cia PM. Será o comandante da Companhia, em conjunto com a Seção de Emprego Operacional (P/3) e comandante da BCM, o responsável pela elaboração do plano de ação da equipe da BCM em postos da subunidade”, explica Nunes.

Conforme destaca o tenente, mensalmente o comando da 20ª Cia e do BCM se reuni para elaboração do plano de atuação e avaliação dos resultados alcançados pelos projetos desenvolvidos.

“Atualmente, a Base Comunitária Móvel é empregada entre o início da tarde e início da noite, período em que há maior trânsito de pessoas nas ruas. O militar empregado neste policiamento fica à disposição da comunidade também para registro de ocorrências. O local de emprego, costumeiramente é a região central da cidade e o bairro lagoinha”, completa o tenente Thiago Nunes.

Matéria Publicada na edição 1983 do Jornal do Sudoeste,
São Sebastião do Paraíso/MG

Postado segunda-feira, março 28, 2016 por João Oliveira

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março 25, 2016


Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontam que a taxa de desemprego no Brasil, que atingiu 8,2% em fevereiro, é a maior para este mês desde 2009, quando atingiu 8,5%. Segundo IBGE, considerando todos os meses, é a mais elevada desde maio de 2009, que registrou 8,8%. Em igual situação também está o número de contratação, que apresentou queda.

Apesar dos números negativos, de acordo com dados obtidos pelo Cadastro de Desempregados e Empregado (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego (TEM), números apontam que no município de São Sebastião do Paraíso, houve ligeira queda no desemprego no primeiro bimestre do ano em comparativo com mesmo período de 2015, em contrapartida, o número de admissões também caiu.

Segundo dados, há no município cerca de 16.498 empregos formais, que vem apresentado acentuada queda desde 2014, quando os índices de contratação superaram as demissões em todos os setores da economia paraisense. Essa é uma realidade a nível nacional. Neste ano, o município fechou o primeiro bimestre com cerca de 1102 demissões contra 1129 admissões, o que presenta um percentual de 49,39% contra 50,61%.

Hoje, fora das estatísticas de desemprego, a estudante e atualmente auxiliar de produção em uma empresa, Gislene Mariana Felipe Dias, de 27 anos, ficou cerca de três anos desempregada após a empresa onde trabalhava reduzir o quadro de funcionários. Durante esse tempo, a estudante ficou à procura de oportunidade, mas foi difícil até conseguir uma vaga.

“O mercado está muito exigente e à procura de profissionais qualificados. Com a atual crise que o país tem enfrentado, nós sentimos de perto o que é essa situação e como tudo tem refletido nas empresas e, consequentemente, nas contratações. Grande parte dos locais que eu ia à procura de trabalho, exigia uma longa experiência na área ou os salários era muito abaixo do esperado para a função”, ressalta Gislene Dias.

Conforme destaca a economista Nádia Maria Lima Gonçalves, não é preciso conhecer muito de economia para se perceber os sinais de deterioração do quadro econômico em todos os setores e, principalmente, no mais difícil de se combater que é o desemprego.

“Infelizmente este quadro retrata a atual crise no Brasil, atualmente passando pela questão de credibilidade em nosso governo e sua equipe econômica, guerras entre partidos políticos, quadro de corrupções, enfim, total descontrole econômico. Estamos enfrentando problemas de política fiscal e monetária, pois ninguém irá colocar dinheiro na mão de um governo que não está conseguindo aplicar recursos em prol do nosso desenvolvimento”, avalia.

Conforme a economista, passado o Carnaval, a maior parte da população caiu na realidade que o país enfrenta. “Sem a possibilidade de conseguir uma nova colocação no mercado de trabalho em função de inexistência das vagas, o desespero se abate sobre as famílias, pois a perda da renda do trabalhador é contundente. Em nosso município o quadro não está diferente, poucas vagas de emprego, empresas fechando suas portas, problemas com pagamentos para aposentados e servidores, que representam parte da renda do município, diminuindo assim o consumo por bens e serviços, fazendo com que nosso fluxo econômico não circule de forma adequada”, destaca.

Para Nádia Gonçalves, o quadro é crítico. “Empresas se esforçam para manter seus funcionários e aguardam uma esperança de recuperação na economia, mas pelo que nos mostra o Caged, isso não acontecerá tão cedo, pois as melhores vagas estão fechando, e a tendência é a renda continuar caindo, piorando ainda mais o quadro econômico”, elucida.

Como possível solução para os problemas de desprego que, não somente o paraisense vem enfrentando, mas todo o Brasil, a economista sugere que uma alternativa seria o trabalho informal, desde que adotado como momentâneo e não de solução em tempo de crise.

“Outras soluções seria o empreendedorismo, mobilização da sociedade civil, políticas públicas e nacionais, apoio ao comércio, organização comunitária, enfim, união entre órgãos públicos, indústrias, comércio e trabalhadores. No meu ponto de vista seria uma maneira de reverter este quadro, que está vitimando pessoas, sem ter um emprego digno para suprir suas necessidades básicas”, completa Nádia Gonçalves.

Matéria Publicada na edição 1983 do Jornal do Sudoeste,
São Sebastião do Paraíso/MG

Postado sexta-feira, março 25, 2016 por João Oliveira

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outubro 01, 2015


Considerado a “porta de entrada” para diversas universidades estatuais e federais do país, o Exame Nacional do En-sino Médio, o Enem, está próximo de acontecer. As provas estão marcadas para os próximos dias 24 e 25 de outubro; as inscrições se encerraram no último dia 5 de junho. Expectativa, de acordo com o Ministério da Educação (Mec), é que mais de oito milhões de alunos realizem as provas, no entanto, apesar de expressivo, o número que foi divulgado por balanço apresentado pelo Mec, chega a ser 10,67% menor que em 2014 e interrompe uma sequência de recordes que era registrada desde 2008, período que foi anunciado reformulação que aconteceu em 2009.

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, o INEP, divulgou na sexta-feira, (25/9), que o exame deste ano terá modificações em relação a anos anteriores, como a mudança de horário e punição para quem obter isenção de taxa e não comparecer na realização das provas.

De acordo com o presidente do Inep, Chico Soares, as alterações serão para a segurança dos próprios inscritos. Neste ano, os portões de acesso às salas de aulas serão abertos ao meio-dia e fechados às 13h, sempre no horário de Brasília, e as provas serão entregues aos candidatos às 13h30.

“Com todos os alunos na sala, os detectores de metal podem ser passados de acordo com a conveniência dos fiscais. Os malotes com as provas serão abertos apenas com os estudantes dentro das salas, com o testemunho de alunos e de fiscais; é uma mudança pequena, mas importante”, relata o presidente do instituto.

Os participantes do Enem farão quatro provas objetivas, cada uma com 45 questões de múltipla escolha e uma prova de redação. No sábado, 24 de outubro, serão realizadas as provas de ciências humanas e suas tecnologias e de ciências da natureza e suas tecnologias, com duração de 4 horas e 30 minutos, contadas a partir da autorização do aplicador. No domingo, 25, será realizada a prova de linguagens, códigos e suas tecnologias, redação e matemática e suas tecnologias, com duração de 5 horas e 30 minutos.

Apesar do cansaço que a “maratona” Enem causa aos participantes, há quem ainda não está em fase de conclusão do ensino médio, mas quer ter essa primeira experiência. É o caso da estudante Vitória Castro, de 16 anos, que está no segundo ano do Ensino Médio. “Farei a prova justamente como uma primeira experiência. Estou estudante bastante, principalmente a questão da redação. Na escola temos feito redações todas as semanas, sempre em contato com fatos da atualidade, que é bastante cobrada na redação. Espero que este ano haja um maior comprometimento com a correção das provas e, principalmente das redações, que tem mais peso na avaliação. Já cheguei a ler casos de redações em que alunos escreveram receitas de cozinha e foram melhores avaliados que outros alunos que levaram a sério o tema proposto”, salienta a estudante.

A redação é um dos processos mais complexos para a realização do exame e é uma preocupação levada a sério pela professora de português da Escola Benedito Ferreira Calafiori, Cláudia Helena Zanin, responsável pelo sucesso da maioria de alunos que vem conseguindo, ao longo dos anos, destacar-se na parte escrita do exame. Claudia Zanin relata que seus alunos têm se preparado com muito empenho para o dia.

“Estamos exercitando a construção da tese, a escolha dos argumentos e possíveis propostas de intervenção. A maior dificuldade deles é interpretar o tema sem tangenciá-lo. Redigir a tese é a tarefa mais complexa da redação, já que ela é o “coração” do texto; os argumentos e a conclusão defendem e sustentam a tese”, conta a Cláudia Zanin.

De acordo com Cláudia, as competências 2 e 3 da prova avaliam o conhecimento da estrutura do texto dissertativo-argumentativo e também se o candidato desenvolve o tema de forma consistente, configurando a autoria na defesa do ponto de vista. “Para tanto, é preciso ser um bom leitor de textos jornalísticos, especialmente de artigos de opinião, editoriais, entrevistas, ensaios, cartas do leitor, ou seja, textos que apresentam um ponto de vista. Acompanhar a mídia jornalística é fundamental para quem quer alcançar uma nota superior a 700 na redação do ENEM. Outra dica é melhorar o tempo, outro dificultador da redação”, ressalta a professora.

Cláudia Zanin orienta que os alunos façam um projeto de texto no momento em que iniciar a prova, que ajuda a organizar as ideias e não perder a coerência do raciocínio. Depois de resolver as 90 questões de Língua Portuguesa e Matemática, é preciso que o aluno desenvolva as ideias que foram previamente selecionadas e acrescentar outras que forem pertinentes, ganhando tempo para finalizar a redação. “A conclusão no ENEM deve apresentar propostas de intervenção claras e bem detalhadas, não basta apenas citá-las, ou seja, precisam ser exequíveis e coerentes com a argumentação desenvolvida no texto”, salienta.

Sobre os possíveis temas que devem ser cobrados na prova deste ano, Cláudia comenta que os temas da redação no ENEM são sempre voltados para questões sociais e as apostas são inúmeras: a crise hídrica, o papel da mulher na sociedade brasileira, o conceito de família, a clonagem terapêutica, o lixo e a logística reversa, a violência escolar e o bullying, dentre outros. “Seja qual for o tema, o importante é estar sempre atualizado e saber formar uma opinião com argumentação consistente, que respeite os direitos humanos. Um conselho aos candidatos? Procure boas fontes de textos jornalísticos e antecipe pontos de vista sobre variados temas, lembrando que ao defender uma opinião é preciso saber defendê-la e propor soluções”, completa a professora Cláudia Zanin.

PROVAS

Os candidatos que irão realizar as provas nos próximos dias 24 e 25 de outubro, devem se ater aos horários e locais das provas. Como previsto, a abertura dos portões deve acontecer ao 12h e terão os fechamentos programas para 13h, não sendo admitido nenhum atraso.

O ENEM

Conforme o INEP, o Enem visa democratizar o acesso às políticas públicas de educação. Com a nota obtida no Enem, o estudante pode tentar uma vaga na educação superior por meio do Programa Universidade para Todos (ProUni), que permite ao estudantes de baixa renda obter bolsas de estudos integrais e parciais (50% da mensalidade) em instituições particulares de educação superior, além de ser requisito para a obtenção do benefício do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), participação no programa Ciência sem Fronteiras e ingresso em vagas gratuitas dos cursos técnicos oferecidos pelo Sistema de Seleção Unificada da Educação Profissional e Tecnológica (Sisutec). Estudantes maiores de 18 anos podem, também, obter a certificação do ensino médio por meio do Enem, caso atinja a média recomendada.

Matéria Publicada para edição 1933 do Jornal do Sudoeste,
São Sebastião do Paraíso/MG

Postado quinta-feira, outubro 01, 2015 por João Oliveira

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setembro 25, 2015


No dia 21 de setembro se comemora em todo o Brasil o Dia Nacional da Pessoa com Deficiência, uma data criada para lembrar a toda população sobre a situação dos portadores de deficiência e das lutas e desafios que envolvem crianças, jovens e adultos que convivem, além de algumas limitações no dia-a-dia, com o preconceito, a falta de inclusão e escolas preparadas para isto e também carência de políticas públicas para atender de forma abrangente e eficaz todas as famílias que têm um portador de deficiência em casa.

Falar da luta da pessoa com deficiência é falar também da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais, a APAE, uma instituição que nasceu em 1954, no Rio de Janeiro, com o objetivo de promover a atenção integral à pessoa com deficiência, principalmente àquela com deficiência intelectual e múltipla. No entanto, muito além de uma instituição, a Apae é considerada um movimento pioneiro que se destacou pelo caráter de suas ações. Hoje a APAE faz parte da realidade de todos os 27 estados brasileiros.

De acordo com a Federação Nacional das Apaes (Fenapaes), atualmente a movimento apaeano é considerado o maior movimento filantrópico do Brasil e do mundo na sua área de atuação. Um movimento que congrega, além da Fenapaes, cerca de 23 Federações das Apaes nos Estados e mais de duas mil Apaes distribuídas em todo o País, que fornecem atenção integral a cerca de 250 mil pessoas com deficiência.

Em São Sebastião do Paraíso a história não é diferente; a instituição, fundada em 1975, ao longo desses 40 anos vêm trabalhando incansavelmente para atender as diversas famílias que buscam assistência integral junto ao movimento apaeno, são cidades que compreende além de Paraíso, Jacuí, São Tomás de Aquino e o distrito da Guardinha. São cerca de 300 alunos atendidos atualmente pelos vários programas oferecidos pela instituição, incluindo a Escola Estadual Mariana Marques, integrada a instituição, além dos 41 profissionais que atuam diariamente para levar assistência a esses alunos. São fisioterapeutas, psicólogas, fonoaudiólogas, enfermeiras, médicos, nutricionista, pedagoga, professores de oficinas, ajudante de oficinas, educador físico, ajudante geral, zelador, secretárias, além de dentistas, ajudante de consultório e motoristas.

De acordo com a psicóloga Lucilaine de Pádua, que faz o acompanhamento desses alunos, “o dia é importante porque reforça o trabalho da APAE realizado durante o ano todo, que é de ‘luta’ para que todos tenham atendimento de qualidade, sempre visando inclusão e garantia de seus direitos”.

Conforme explica Lucilaine, o trabalho da Apae compreende, não apenas ao atendimento a necessidade específica de cada aluno, mas principalmente o direito a autonomia que cada aluno deve ter. “Muitas vezes, quando a gente pergunta ao aluno o que ele quer, ele não sabe responder porque nunca teve a oportunidade ou liberdade para decidir, sempre havendo a intervenção da família. Em algumas reuniões em grupo, nós trabalhado principalmente esta questão, estimulando ao aluno a se perguntar o que ele quer e aprender a tomar decisões”.

A Apae possuir diversos programas para atendimento não somente aos alunos, como também aos pais, a exemplo do Programa de Apoio a Família (PAF), que além ajudar a familiar a entender o que se passa com aquela criança portadora de alguma deficiência, também busca orientá-los no sentido da família poder oferecer uma qualidade de vida melhor aquele familiar que precisa de uma atenção redobrada. Outros programas, como o Programa Auto Defensor, coordenado pela fonoaudióloga Gizelle Lima Duarte, que tem cerca 70 participantes distribuídos em 6 grupos, busca trabalhar com os alunos tudo o que se diz respeito aos direitos e deveres do portador de alguma deficiência.

“Também é realizado pela APAE o ‘Programa de Inserção no Mercado de Trabalho’, que também é coordenado pela fonoaudióloga Gizelle e que inseriu nos últimos 18 meses cerca de 15 meninos ao mercado de trabalho. Esses alunos são acompanhados mensalmente, com contatos nas empresas e alguns, inclusive, participam dos grupos do programa”, conta a psicóloga.

Lucilaine explica também que nestes grupos os alunos trocam experiências e relatam o dia-a-dia da rotina de trabalho aos outros alunos que também querem ter um emprego. “Essa troca de experiência é importante para que o aluno entenda as responsabilidades que compreende o ‘ter’ um emprego, sendo a flexibilidade também um ponto bastante trabalhado no grupo, a fim de mostra a eles que ao ser contratado para exercer uma atividade, que ele também pode ser orientado a fazer outras coisas naquela empresa”, explica a psicóloga.

“Cabe ressaltar que no processo de habilitação e reabilitação da pessoa com deficiência todos (família, instituições escolas e comunidade) temos que preparar a pessoa com deficiência para terem autonomia, sendo protagonistas diretos de suas vidas, para que saibam e possam escolher e tomar decisões, todos temos que lutar para que haja garantia de direitos e do exercício de cidadania. As atividades, serviços e programas da APAE seguem o movimento apaeano e buscam preparar não só o nosso usuário, assim como a família, para que tenham oportunidades, para que mostrem suas potencialidades e habilidades, valorizando o que cada um tem de melhor e tenham igualdade de condições”, salienta Lucilaine de Padua.

HISTÓRIA DE MÃE

Marcia Aparecida da Silva é mãe de cinco filhos e os dois mais novos tiveram complicação no parto, o que veio a resultar na deficiência deles, Paulo Roberto, de 17 anos e Paulo Ricardo, de 9. A luta da mãe ilustra de maneira poética as mesmas dificuldades que tantas outras mães de crianças apaianas sofrem no dia-a-dia: o preconceito, rejeição e inúmeras noites sem dormir direito. Esses percalços não impediram que essa mãe parasse de lutar a fim de conseguir o melhor para seus filhos.

Conforme conta a psicóloga Lucilaine de Padua, “o filho mais novo de Marcia, de 9 anos, está no processo de escolarização na Escola Estadual Mariana Marques, em que a mãe lutou para trazer o filho de volta do ensino regular. Ela fez a luta contrária, o filho foi incluído ao ensino regular e ela lutou para que a criança voltasse para a Apae, por acreditar que ele não estava tendo a assistência que deveria para se integrar de fato a escola. No caso do filho mais velho, ele também foi incluído, mas não estava conseguindo aprender, não estava motivado e a mãe nos procurou pedindo ajuda para que ele pudesse fazer algumas atividades conosco. Em seis meses aqui, quando ele estava fazendo as oficinas e a mãe o PAF, ele foi incluído no mercado de trabalho”.

Hoje, Paulo Roberto e Paulo Ricardo são dois jovens muito saudáveis que enfrentam no dia-a-dia os mesmos dramas vividos em qualquer seio familiar. Para a mãe, a luta diária que fez com ela, inclusive, lutasse contra a inclusão do filho no ensino regular por não acreditar e concordar com a forma como a inclusão estava sendo feita, trouxe avanços, tanto para o aprendizado de seus meninos, quando tranquilidade para ela. A mãe relata ainda que, no caso do filho mais novo, foi ainda mais complicado. “Ele estava ficando fora da sala de aula para que não “atrapalhasse” os outros alunos”, relatou.

Marcia conta que na gravidez de Paulo Roberto, hoje com 17 anos, sofreu uma complicação conhecida como eclam-pse, o que fez com a criança nascesse prematura, no sexto mês de gestação. “Ele nasceu aqui em Paraíso e depois foi internado em Ribeirão, onde ficou cerca de um mês. Ele saiu da internação pesando cerca de 1,9 quilos. Nós tivemos toda a assistência e acompanhamento médico. No entanto, ele foi ficando mais velho, já apresentava uma idade mais avançada, mas era uma criança miúda, desnutrida. As pessoas sempre me perguntavam a idade dele, quantos meses ele tinha eu sempre falava, mas aquilo despertava uma certa desconfiança, como se o fato dele ser uma criança que não se desenvolvia fosse minha culpa”, relata a mãe.

Marcia Silva conta que este foi um período muito difícil e de muito medo, pois a família acreditava que talvez a criança não sobrevivesse. “O tempo foi passando e eu o coloquei na creche para poder trabalhar. Através da assistente social dessa creche, eu descobri que talvez ele pudesse ter algum problema, então ela me recomendou que ele fizesse uma avaliação junta a APAE e até eu conversar com o meu marido e ele aceitar tudo aquilo foi um pouco complicado, hoje tudo é diferente, mas naquela época ainda havia muito preconceito, principalmente se tratando da Apae”, relata.

Conforme a mãe, a criança foi encaminha para avaliação na Apae onde se constatou que ele sofria de um certo grau de deficiência intelectual, tendo como agravante um problema na arcada dentária e uma dificuldade de se comunicar. “Isso tudo começou em 1999. Eu tinha que levá-lo toda a semana no médico, no começo foi muito difícil. Qualquer vento que batia no rosto dele ele engasgava, e foram longos seis meses dormindo junto ao meu peito, eu mal dormia, morria de medo dele morrer afogado. Mas apesar disso tudo, eu nunca desisti e sempre tive fé que isso passaria e a gente seguiria normalmente nossas vidas”.

De acordo com Marcia, seu filho durante esse processo sofreu muito preconceito das pessoas, uma fase que relata ter passado. “Para muitas pessoas, a criança especial é aquela com ‘Down’, a deficiência intelectual não é encarada da mesma forma. Hoje, a única dificuldade dele é realmente a leitura, ele escreve, mas não sabe ler. Ele chegou a se queixar comigo que na escola não estava aprendendo a ler e ele queria para poder tirar carteira de motorista”, relata. “Graças a Deus hoje ele é um jovem muito saudável, ele queria muito trabalhar, nós chegamos a andar por toda a cidade para tentar arrumar um emprego para ele, mas não havíamos conseguido. No entanto, graças ao apoio da Apae, ele conseguiu conquistar seu primeiro emprego”.

Marcia Silva conta que no caso no filho mais novo, o Paulo Ricardo, durante o parto a criança se enforcou com o cordão umbilical, faltando oxigênio do cérebro, o que resultou em algumas sequelas. “Ele sofreu uma convulsão e foi socorrido junto a Unidade de Tratamento Intensivo, onde ficou cerca de três dias. Passado esse tempo ele foi para o berçário, foi amamentado, mas descobriu que ele havia tido enterocolite necrosante, ou seja, uma parte do intestino dele havia sofrido uma necrose e precisou ser retirado. Com 5 dias ele passava por uma cirurgia para tentar resolver o problema”, conta a mãe. Marcia relata ainda que seu filho chegou a ficar mais de um mês internado na UTI e que com quinze dias sofreu infecção hospitalar.

“Depois de passado mais de um ano, o Paulo Ricardo teve a primeira crise convulsiva; feito os exames, descobriu-se que ele tinha epilepsia e paralisia parcial. O mais difícil de toda a luta que passei durante este período foi encontrar inúmeras portas fechadas pelo caminho, por simplesmente as pessoas não terem conhecimentos do que é a deficiência. Há muitos julgamentos. Quem não conhece meus meninos e os vê, hoje, esbanjando saúde, não sabem das dificuldades que eles passam”, conta a mãe.

Aos nove anos, Paulo Ricardo está cursando o terceiro ano do ensino fundamental e vive uma vida saudável e produtiva, graças ao apoio da Apae a essa mãe. “Eu não sei o que teria sido da minha vida se não tivesse conhecido essas pessoas e tido todo esse suporte”, completa Marcia Silva.

Matéria publicada para edição 1931 do Jornal do Sudoeste,
São Sebastião do Paraíso

Postado sexta-feira, setembro 25, 2015 por João Oliveira

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setembro 20, 2015


Situação preocupante vem se agravando em São Sebastião do Paraíso, onde inúmeros pontos da cidade têm servido a moradores, construtores e até à estabelecimentos comercias, para descartes de lixos e entulhos dos mais variados tipos: roupas, materiais de construção, restos de madeiras, produtos alimentares com prazo de validade vencido e mesmo alguns materiais hospitalares.

A reportagem do Jornal do Sudoeste visitou alguns locais da cidade onde situação tem se tornado crítica. Um dos pontos que mais chamou a atenção foi nos arredores da Igreja da Noca, saída para estrada vicinal sentido bairro rural Antinha, e Volpes, que também dá acesso a São Tomás e Goianases. O lugar tem se assemelhado a um lixão. No local, o “J.S” conversou com funcionários da prefeitura que faziam a coleta de parte do lixo que se concentra naquela área. Os funcionários disseram que situação já é antiga e que as visitas ao local para tirar parte do lixo são regulares, o que não tem resolvido. De acordo com eles, aquela região já esteve em pior estado.

“Recentemente esteve uma máquina da usina de cana aqui neste local que empurrou grande parte dos entulhos que se encontravam aos montes nesta área para o fundo. É muito comum o pessoal usar este local para descartar lixo de qualquer maneira, tanto da zona rural, como da própria cidade”, relatou um dos funcionários. Os coletores ainda chegaram a contar que em uma dessas visitas ao local para fazer retirada de lixo, chegaram a remover seringas contendo sangue, além de outros materiais. Próximo à Igreja da Noca ainda há a presença de duas caçambas, nas quais foram ateadas fogo para queimar o lixo excedente que se encontravam nelas.

A situação também se repete em regiões como a entrada para a zona rural do Morro Vermelho, a entrada para o distrito da Guardinha, no final do bairro Rosentina Rosa de Figueiredo, e em bairros da cidade como o Jardim Daniela, próximo ao Verona, entre vários outros locais. Em algumas regiões há placas alertando sobre a proibição de descarte de lixo e entulhos nos locais e informa também o telefone da Secretaria Municipal do Meio Ambiente para denúncias. 

O Jornal do Sudoeste, em um dos pontos de acúmulo de entulhos e lixos entrou em contato com a Secretaria de Meio Ambiente para questionar se o município teria conhecimento da situação dessas regiões e se estava sendo feito fiscalizações nas áreas para identificar quem anda usando desta prática proibida por lei. No entanto, por telefone uma assessora da secretaria de Meio Ambiente, Yara de Lourdes Souza Borges, pediu que informasse que ela entraria em contato com o “JS”, mas até o fechamento desta matéria não houve retorno.

Matéria publicada na edição 1930 do Jornal do Sudoeste,
São Sebastião do Paraíso

Postado domingo, setembro 20, 2015 por João Oliveira

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setembro 17, 2015

Alunos fizeram apresentação de seus trabalhados práticos e palestraram sobre os conhecimentos adquiridos no curso

O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial, o Senai, realizou em São Sebastião do Paraíso a “3ª edição do Mundo Senai” no município. O evento que aconteceu nos dias 10 e 11 de setembro, teve por objetivo abrir as portas da unidade para apresentar aos cidadãos paraisenses e região, que tenham interesse em uma qualificação profissional e tecnologia, os caminhos oferecidos pela instituição.

Conforme destaca a pedagoga e diretora da unidade de Paraíso, Gisele Antunes Rocha, o evento acontece pela terceira vez no município, mas é realizado em todo o Brasil e já está em sua 7ª edição. “O Senai abre as portas para a comunidade e o empresário conhecer o trabalho e a estrutura oferecida tanto para a capacitação profissional, quanto de inovações e pesquisas”, conta.

O Senai oferece algumas modalidades de cursos como aprendizagem industrial, que atende jovens de 14 a 23 anos. Gilese conta que esta modalidade de aprendizagem é uma formação inicial onde o jovem entra com cerca de 14 anos e ao longo de 6 meses de desenvolve na área escolhida, preparando-se para o mercado de trabalho em áreas como Recursos Humanos, Gestão Financeira, Atendimento ao Público, entre outras.

A estudante Carolina Pedroso Nogueira de Souza, de 18 anos, fez o curso de aprendizagem em Processos Administrativos e atualmente trabalha junto a Copasa sobre a coordenação da encarregada do departamento de Recursos Humanos, Diolina Gonçalvez Duarte. Carolina ressalta a importância do Senai em sua formação profissional e às oportunidades que vêm conseguindo graças aos estudos.

“O curso que eu realizei aqui me ajudou muito. Antes eu já havia feito um curso de ‘qualificação em administração’ e foi justamente por isso que eu retornei e fiz ‘processos administrativos’. Ajudou-me muito, principalmente na atuação; tudo o que nós aprendemos aqui, usamos no dia-a-dia do trabalho”, relata

A encarregada do RH da Copasa, Diolina Duarte, destaca a importância de as empresas participarem desse desenvolvimento do jovem e em como o Senai vem contribuído para a incursão do estudante no mercado de trabalho.

“Os jovens reclamam muito sobre a falta de oportunidades e principalmente em como as empresas vêm exigindo experiências sem ao menos dar a oportunidade a eles de adquirí-las. Quando o jovem chega na Copasa, eu os ouço, ouço suas expectativas e o que eles esperam da empresa, diante disto encaminho cada um ao departamento que melhor se encaixa em seu perfil”, completa Dionlina.

Conforme destaca a diretora na unidade, Gisele Rocha, os cursos possuem uma duração curta de três a seis meses, onde o aluno já sai preparado para o mercado. “É satisfatório ver os resultados e acompanhar todos esse processo. Embora os cursos de aprendizado só atendam a uma certa idade, há também a modalidades de aperfeiçoamento profissional, onde aquele trabalhador que já tem uma experiência e já atua em determinada área, pode buscar ampliar esses conhecimentos”.

A demanda dos cursos oferecidos pela Unidade, segundo a diretora, é muito alta. Gisele estima que cerca de 200 alunos passam pelas turmas do Senai em todos os períodos, mas destaca a alta rotatividade dos cursos com devido a curta duração. Ainda, conforme ela, os cursos de aprendizagem são gratuitos e os alunos não têm nenhum custo.

“Os cursos de aprendizagem ainda têm uma vantagem porque podem gerar contratos de trabalhos com alguma empresa, mas nós alertamos aos alunos que a intenção e objetivo do Senai é oferecer a formação profissional, não somos nós que contratamos. No entanto, nós colocamos nossos alunos a disposição das indústrias. A empresa que protocola um requerimento de ‘jovem aprendiz’, pode vir a firmar um contrato de trabalho com o aluno, que pode ser remunerado para fazer o curso e até por exercer a prática na empresa”, salienta a diretora.

Gisele Rocha conta que para o próximo ano, o Senai irá disponibilizar três novos cursos: técnico em mecânica, técnico em informática e técnico em eletrotécnica. A diretora também conta que a demanda por esses cursos está bastante elevada e que há, inclusive, alunos de turmas atuais que procuram por esses cursos. “Outro curso bastante demandado é o de elétrica industrial, muitos interessados tiveram que entrar na lista de espera por conta da indisponibilidade de vagas”, relata.

Hoje, a estrutura do Senai de Paraíso atende principalmente às áreas de Gestão, Informática, Vestuário, Mecânica e Elétrica. No entanto, a diretora salienta que existem demandas de outras áreas e que dependendo da necessidade da comunidade, o Senai, caso não tenha estrutura para atender a demanda, por meio de parceria com empresas, é capaz de realizar a capacitação solicitada. “Nós podemos ceder o espaço para o aprendizado teórico e a empresa oferecer a estrutura para o aprendizado prático”, salienta Gisele.

Ao longo de todo o dia, o Senai apresentou os cursos oferecidos pela unidade e alunos fizeram exposições de seus trabalhos desenvolvidos em sala de aula. Houve também palestras na área de gestão sobre Legislação Trabalhista; informática, com mini-curso de Excel oferecido aos visitantes; e palestras na área de Costura sobre Tendências de Modas.

SENAI

Localizado na rua Tenente José Joaquim, n° 1512, no bairro Nossa Senhora Aparecida, esquina com a Avenida Zézé Amara, o interessado que queira conhecer o Senai e saber mais sobre os curso que são oferecidos, horários e disponibilidade de vagas pode procurar diretamente a unidade ou entrar em contato através do telefone  (35) 3558-1365, de segunda a sexta-feira durante horário comercial.

Matéria publicada na edição 1928 do Jornal do Sudoeste
São Sebastião do Paraíso

Postado quinta-feira, setembro 17, 2015 por João Oliveira

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setembro 16, 2015

Dilma Rousseff - Presidente do Brasil

Nesta semana, em pronunciamento em comemoração ao Dia da Independência que foi ao ar somente via internet, a presidente Dilma Rousseff discursou sobre situação do país e admitiu que o governo “pode ter cometido erros” durante sua gestão. Ela também defendeu necessidade de ajustes ficais, aumento de impostos e medidas provisórias para que situação seja contornada.

“É verdade que atravessamos uma fase de dificuldades. Sei que é minha responsabilidade apresenta caminhos e soluções para fazer a travessia que deve ser feita. As dificuldades e os desafios resultam de um longo período em que o governo entendeu que deveria gastar o que fosse preciso para garantir o emprego e a renda do trabalhador, a continuidade dos investimentos e dos programas sociais”, disse.

A presidente ainda destacou que agora o governo terá que reavaliar todas essas medidas e reduzir as que devem ser reduzidas. Dilma ainda atribuiu parte do problema a fatores internacionais e mencionou situação envolvendo refugiados de guerra na Europa.

“Nossos problemas também vieram lá de fora e ninguém que seja honesto pode negar isto. Está visível que a situação em muitas partes do mundo voltou a se agravar, atingindo agora o os países emergentes. Países importantes, parceiros do Brasil, tiveram seu crescimento reduzido e foram atingidos pela crise internacional. O mundo, além disso, enfrenta tragédias de natureza humanitária, como mostra a situação chocante dos refugiados que morrem nas praias europeias ao tentar buscar refúgio da guerra”, disse.

Dilma Rousseff ainda falou sobre abrir os braços aos refugiados e disse que mesmo em momentos de dificuldades, o país está à disposição para receber aqueles que “expulsos de suas pátrias, para aqui queiram vir, viver, trabalhar e contribuir para a prosperidade e a paz do Brasil”.

A presidente reafirmou que o pais vive uma crise e que o governo pode ter cometido erros. “As dificuldades, insisto, são nossas e são superáveis. O que eu quero dizer, com toda a franqueza, é que estamos enfrentando os desafios, essas dificuldades e que vamos fazer essa travessia. Se cometemos erros, e isso é possível, vamos superá-los e seguir em frente”.

Dilma falou também sobre superar as diferenças e colocar em segundo plano os interesses individuais ou partidários. “Me sinto preparada para conduzir o Brasil no caminho de um novo ciclo de crescimento, ampliando as oportunidades para nosso povo subir na vida com mais e melhores empregos. Nós queremos um país com inflação sobre controle, juros decrescentes, renda e salários em alta”, completou.

A presidente garantiu que nenhuma dificuldade a fará abrir mão do seu governo que “assegurou oportunidades iguais para nossa população. Sem recuos, sem retrocessos”. Dilma completou seu discurso dizendo que o seu governo foi capaz de tirar milhões de pessoas da miséria e elevar outros milhões aos padrões de consumo das classes médias e destacou a importância de programas sociais como o Pronatec e Bolsa Famílias para as famílias Brasileiras.

Para o presidente da Associação Comercial, Industrial e de Serviços de São Sebastião do Paraíso (Acissp), Ailton Rocha de Sillos, o discurso da presidente se apresentou de forma vaga e fez correlações com situações em que em nada refletem com a situação do País, como a questão da imigração na Europa. Sillos ainda questiona como que a situação que o pais vem enfrentando não foi percebida a tempo e ponderou, que em uma época em que o preço do petróleo estava em queda, no Brasil os valores aumentavam.

“É uma situação lamentável e que reflete em todos os cidadãos. Temos lutado para conseguir amenizar situação no município e diminui reflexos da crise, mas não é uma fase boa para o empresário”, completa o presidente da Associação. Ailton Sillos disse ainda que infelizmente as medidas que o governo vem tomando para contornar situação são necessárias, mas criticou orçamento apresento ao Senado para 2016 com déficit de R$30,5 bilhões.

A professora Marília de Souza Neves disse que foi com pesar que ouviu ao discurso da presidente no Dia da Independência. “Usando palavras articuladas (escolhidas com propósitos pré-definidos) e apelando para a sensibilização da pátria brasileira, nossa representante gastou expressões diversas e clichês enfadonhos para tentar minimizar a revolta e a indignação que fazem parte dos nossos dias. Justificando-se que o cenário mundial atravessa uma crise e enfrenta “tragédias de natureza humanitária”, ilustrou sua fala com o drama dos refugiados que tentam deixar a guerra em busca de paz, almejando comover os que tiveram acesso a seu pronunciamento”.

Marília ainda diz que concorda com a referência da presidente sobre a “travessia que necessita ser feita”, mas salientou que não devemos aplaudir as discrepâncias que assolam o país. “De um lado, trabalhadores que precisam ampliar sua jornada de trabalho a fim de obter o mínimo necessário para sua sobrevivência; de outro, uma ínfima parcela que recebe muito para nada fazer, ou melhor, para muito roubar. A decência na política soa como ironia e, assim, indivíduos honestos, estudiosos e com capacidade para fazer parte desse importante lócus distanciam-se da política, temendo ser corrompidos ou até mortos”, disse.

“Todavia, embora indignada, concordo com a presidente no quesito união. Ainda que não aplauda seus erros e desatinos, acredito que todos somos responsáveis, direta ou indiretamente, pela situação que nos envolve. Se queremos mudança, comecemos por nós mesmos. É momento de “reavaliar”, de lutar em prol dos nossos anseios, de não deixar que os “maus” ganhem a guerra. Se nos achamos “bons”, façamos o bem onde quer que estejamos, contribuamos com o progresso, levantemo-nos das poltronas de nossos sofás e doemos o que de melhor possuímos. Deixemos que nossa voz ecoe. Que sejamos o coral da atitude, não os fofoqueiros de plantão que servem apenas para repetir e distorcer o que ouvem, ou meros espectadores procrastinados. Discurso sem ação é pó que o vento leva. Discursemos na família, no trabalho, na escola, na sociedade, afinal, brasileiro que veste a camisa do seu país não fica apenas apontando erros, visualiza maneiras de corrigi-los. Dizer não à corrupção é pôr um ponto-final no parasitismo”, completou Marília Neves.

O advogado KenjiKobanawa, diz que o fato de a presidente vir a público e assumir pela primeira vez os erros de seu governo demonstra a absoluta insustentabilidade de sua gestão. “Todas as críticas e questionamentos acerca principalmente da irresponsabilidade econômica, sobretudo nos últimos 3 anos de seu mandato acabaram de comprovar seu fundamento diante da crise atual. Sua política populista garantiu sua reeleição, entretanto, desde a apertada vitória nas urnas, o clima de insatisfação e descontentamento já demonstravam que o Brasil se tornaria um país de alto risco. Gastou-se mais, capitalizou-se menos, assim, perdeu popularidade e credibilidade até mesmo junto ao seu próprio eleitorado que sente a cada dia mais os efeitos de um país em recessão”, ressaltou.

Para o jornalista Helton Lucinda Ribeira, “usar o Dia da Independência para defender uma política econômica que nos torna cada vez menos independentes expressa de forma emblemática as contradições desse governo. Dilma adotou o programa do adversário e os dados mostram a cada dia que estamos indo de mal a pior. Deveríamos aproveitar nosso rebaixamento pela Standard &Poor’s para proclamar uma nova independência”.

A servidora pública, Patrícia Oliveira, avaliou que é verdade quando a presidente diz que boa parte da situação que estamos devido a gestão da presidente. “O governo ignorou todos os sinais de que as coisas não estavam tão bem, que o crédito ilimitado e a explosão de consumo não mantêm o crescimento de um país por tempo indeterminado sem estar aliado a diminuição de gastos e aumento de investimento em infraestrutura, para dizer o mínimo”, relata. Para Patrícia, do ponto de vista macroeconômico, equilibrar as contas segurando os gastos e aumentando a receita é nossa única alternativa para voltar o país para os trilhos do crescimento.

“Todas as donas de casa sabem disso, quando os gastos extrapolam o salário é hora de cortar as despesas e arrumar um bico até acertar as coisas. Contudo o problema não está no que precisa ser feita e sim em como está sendo feito: não vejo anúncio de corte de despesas em nenhum dos três poderes, porque devemos sempre lembrar que esse país é feito de executivo, legislativo e judiciário. Corte ministérios, cartões corporativos, diminua para 1/4 as verbas de gabinete, assessores, auxilio aluguel, passagens aéreas e mais um trilhão de ralos de dinheiro público sem nenhum retorno a população”, completou.

Matéria publicada para edição 1928 do Jornal do Sudoeste,
São Sebastião do Paraíso, Minas Gerais



Postado quarta-feira, setembro 16, 2015 por João Oliveira

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setembro 13, 2015


Nas últimas semanas as ondas de protestos ocorridas em todo o Brasil, tema que também abordamos nesta edição, evidenciou uma série de problemas que há tempos vem alimentando nossa insatisfação para com o governo, levando à explosão “garganta a fora” de gritos por melhorias de diversos setores do país.

O baixo investimento na educação, transporte e, principalmente, da área da saúde nunca foram coerentes com os altos impostos cobrados de nós diariamente. Todavia, essa é apenas a ponta do iceberg, porque juntamente com essas inúmeras falhas vem à falta de fiscalização com serviços prestados a sociedade.

A precariedade dos Conselhos Municipais, por exemplo, é uma realidade que evidencia o total descaso com a própria população local e isto, inclusive, ocorre em nossa cidade. O Conselho Municipal, na prática, é um órgão responsável por fiscalizar os serviços prestados a população e é de cunho vital para a participação popular na gestão das Políticas Públicas.

O “Estatuto do Idoso”, segundo destaca Leonardo Borges de Souza, Presidente do “Lar São Francisco de Paulo”, é uma das criações mais importantes e corretas que o governo já fez, mas segundo conta, somente o Estatuto não é o suficiente para garantir que os direitos dos idosos sejam atendidos e, portanto, o município carece de um órgão fiscalizador específico, o “Conselho Municipal do Idoso” – CMI, que seria responsável por fiscalizar se os direitos da população idosa do nosso município estão sendo devidamente atendidos. Hoje, as competências que correspondem a esse órgão ficam a encargos da Assistência Social.

Em uma matéria veiculada no Jornal Sudoeste, uma suposta lei possibilitando a criação do Conselho teria sido encaminhada para o setor jurídico municipal, em 2011. Na época a assistente social e responsável técnica do Centro de Referência Especializado em Assistência Social (Creas), Paula Martins Pimenta, disse que o projeto sairia do papel e se tornaria realidade no início de 2012. No entanto, passado mais de um ano, Leonardo Souza afirma não haver tal conselho, o que de fato é verdade.

Para muitos idosos, esse Conselho Municipal do Idoso seria fundamental, uma vez que serviços prestados a nossa população idosa careça de melhorias. Dentre os artigo estabelecidas no Estatuto do Idoso está presente o Art. 7° que diz que “os Conselhos Nacional, Estaduais, do Distrito Federal e Municipais do Idoso, previstos na Lei nº 8.842, de 4 de janeiro de 1994, zelarão pelo cumprimento dos direitos do idoso, definidos nesta Lei”. Todavia, há falhas de clareza presente no Estatuto, o que colabora para que tais obrigatoriedades do município sejam negligenciadas. Segundo o Art. 3°, sobre as disposições preliminares do Estatuto, “é obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do Poder Público assegurar ao idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária”. A grande questão que fica é: sem um órgão específico que possa intervir por esses idosos, o direito à saúde, à alimentação, à educação, enfim, à vida serão prestados com a devida qualidade que eles necessitam?

Por João Gustavo
Fontes: Jornal Sudoeste; Estatuto do Idoso
Matéria produzida originalmente para a "Revistas Expressão Livre"
- Ano 3, Edição 38, Julho de 2013

Postado domingo, setembro 13, 2015 por João Oliveira

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