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julho 16, 2013

Imagem divulgação do Evento Skol Rock Paraíso
É parte da essência humana apreciar a música, não importando a época e o estilo. Através da música ouvimos histórias de lutas, de vidas e gritos por liberdade. Dentre tantos gêneros e estilos musicais que narram essas experiências, um em especial merece destaque por, desde a década de 1950, conquistar e fazer a cabeça de milhões de pessoas em todo o planeta. Originário dos Estados Unidos, o Rock n’ Roll é um gênero musical cujas suas raízes estão, principalmente, no R&B, a música negra americana, e que unia a este gênero um ritmo rápido e único, que agradava a inúmeros jovens que se identificavam com o estilo rebelde e ousado de seus cantores e bandas.

Bill Haley é considerado por muitos o precursor do Rock n’ Roll e teria sido ele próprio o responsável por popularizar o gênero musical na época, em meados de 1954. Depois de Haley, vieram Chuck Berry e Elvis Presley, este segundo, considerado o “rei do rock” justamente por apresentar ao mundo este gênero tão libertador que crescia e se popularizava cada vez mais entre músicos e cantores. Bandas que adotaram o rock e se consagraram no cenário musical até hoje são muito ouvidas como Rolling Stones, Beatles, The Animal e Queen, que, além de influenciam, serve de referência para as inúmeras bandas da atualidade.

Por sua importância é atribuído ao dia 13 de Julho o “dia mundial do rock”. A data é em homenagem a um dos concertos de rock mais famosos de todos os tempos, o “Live Aid”, um show de rock beneficente que foi televisionado para o mundo todo e que ocorreu simultaneamente na Filadélfia (nos Estados Unidos) e em Londres (na Inglaterra), em 1985. Tendo como objetivo combater a fome na Etiópia, país do continente Africano, a apresentação contou com a presença de grandes nomes da música como B.B. King, Black Sabbath, Bryan Adams, Mick Jagger, Tina Tunner, The Who, Queen, Elton John entre tantos outros nomes.

Deixando um pouco a história de lado, o fato é que o Rock n’ Roll se tornou um dos gêneros musicais mais ouvidos e aclamados da história da humanidade, sempre se inovando e renovando, atingindo geração após geração. Nada foge as suas influências e, apesar de São Sebastião do Paraíso ser uma cidade essencialmente sertaneja, os fãs e apreciadores deste gênero musical épico terão muito que comemorar no dia 27 deste mês. É que será realizado na cidade um concerto de rock inédito na Arena Olímpica, que contará com a atração principal a banda “Detonautas Roque Clube”, que na ocasião fará um tributo à banda “Charlie Brown Jr.”, do vocalista Chorão, falecido em março deste ano.

Outras bandas da cidade participarão do evento, tendo a oportunidade de dividir o palco com essas grandes feras do rock nacional. Uma delas é a “Over Sun”, que tem um ano e meio de estrada e vê nesta ocasião como uma oportunidade de poder mostrar seu som a um público maior. Túlio Santos, baterista da banda, diz que está muito ansioso pela ocasião. “Achei interessante a ideia de se criar um evento de rock aqui, que além de dar oportunidade para as bandas locais mostrarem seu trabalho é uma forma de prestigiar a galera que curte o rock em Paraíso”, conta.
Banda Over Sun  - Túlio é o segundo à esquerda 
De fato é uma boa pedida para quem aprecia outros estilos musicais alem do tradicional sertanejo. É guardar a data e esperar por este evento que tem tudo para ser um grande sucesso.

Por João Gustavo
Matéria produzida originalmente para a "Revistas Expressão Livre"
- Ano 3, Edição 38, Julho de 2013

Postado terça-feira, julho 16, 2013 por Unknown

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junho 17, 2013

Perdido na biblioteca da minha cidade, encontrei este romance que, de forma arrebatadora, surpreendeu-me. Um romance histórico sobre as raízes da minha cidade. Negra Efigênia é uma verdadeira obra prima!
Edição, arte e diagramação por Juvenal Marques

“Negra Efigênia” – paixão de senhor branco (Ed. Edicel, 1966), não é apenas um romance histórico narrado acerca de um triste e lamentável episódio ocorrido em nossas terras: a escravidão no Brasil. Muito alem disto, é o apelo a um passado que não se deve ser esquecido... um passado que transformou nossas vidas e ainda mantêm raízes de suma importância para o nosso desenvolvimento. Aos negros, hoje vítimas do preconceito, da intolerância e do estereótipo de marginalizados, deve-se o progresso de uma nascente “Paraíso” que sentia próximo o fim do tratamento e da condição que era posta aos africanos, que arrancados do seio de suas terras, trabalhavam de sol a sol sob a condição de meros escravos, de animais sem alma que nada mereciam.

Anajá Caetano, negra e descendente de angolanos da tribo dos “Quiôcos”, buscou tratar neste romance todas as raízes de sua cultura negra, desmistificando todo e qualquer estereótipo que ao longo das décadas a história estigmatizou. Em sua obra, ela narra o nascimento de São Sebastião do Paraíso e todo o desenvolvimento socioeconômico que a escravidão trouxe à região. Fundada à sombra se Jacuí, a paróquia dedicada a São Sebastião deu-se graças à doação de um lote de terras pela família dos Antunes Maciéis, na tentativa de apagar de seu passado a visão de “cangaceiros” que todas da região tinham de sua família.

Contudo, este é apenas o ponto de partida do romance que se desenvolverá tendo como uma das grandes personagens da obra a “Fazenda de Santa Isabel”, conhecida por todos da região como “Fazendo do Tronco” - devido ao tratamento cruel que dona Sinhá - a personificação de todo este período histórico, dava aos seus servos. Aliás, o romance se baseia praticamente em personagens caricatos, carregados de simbolismo, postos na trama cada um com o seu sentido. Talvez o teor de qualidade que esta jóia da literatura paraisense carrega, fundamenta-se na preocupação que a autora tem ao usar personagens com um sentido proposital, quase que como se fossem sinônimos para cada idealização deste período histórico. É isto que nos cativa e nos prende da primeira a última página.

Padre Thomás, figura fundamental n a trama, vê na liberdade dos escravos uma forma de impulsionar a economia regional, com base no que vinha acontecendo na província de São Paulo. Há um destaque na obra tratando a respeito do desenvolvimento econômico das fazendas que praticavam uma espécie de colonato, onde os escravos livres trabalhavam tendo um lote de terra onde podiam produzir para si mesmos, sendo motivados, assim, a produzir mais e mais. Alem disto, destaca-se também a religião. O padre, que via os negros escravos como ignorantes do ponto de vista religioso, tem sua visão amadurecida ao longo do romance, passando a enxergar o respeito mútuo que deveria haver entre as duas raças e suas crenças, que se fundiam em uma só.

Enfim, Anajá Caetano eterniza-se na história de nossa literatura municipal com este romance épico. Pouco se sabe a respeito da autora, mas o espírito de seus ancestrais podem ser sentidos em cada ritual narrado de forma sublime e fiel em “Negra Efigênia”. A linguagem impecável com que é contada faz da obra única.

Mais do que uma recomendação, “Negra Efigênia” é praticamente uma leitura obrigatória e o livro, perdido em sebos de todo Brasil é uma relíquia de valor incalculável para nossa cidade e pode ser lido gratuitamente na Biblioteca Municipal de São Sebastião do Paraíso, onde existem dois exemplares em razoável estado de conservação.

Matéria produzida originalmente para a "Revistas Expressão Livre"
 -  Ano 3, Edição 37, Junho de 2013

Postado segunda-feira, junho 17, 2013 por Unknown

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Cultura”, do latim “colere”, significa cultivar. Em suma podemos dizer que cultura é tudo aquilo que é produzido pelo homem e o identifica enquanto ser humano. Embora seja um conceito extremamente complexo e relativo, podemos ainda dizer que é a junção de tudo aquilo que define um povo ou sociedade; hábitos, culinária, língua, costumes, crenças, vestimentas e até mesmo o comportamento. É fácil traçar o perfil cultural de determinada sociedade e imaginar em um indivíduo todas essas características; o que não é fácil, porém, é imaginar em um país tão plural quanto o nosso características próprias.

A imigração foi um marco definitivo na história da sociedade brasileira e contribuiu para toda a nossa riqueza cultural. Desde a colonização até meados do século XX o Brasil recebeu um grande número de imigrantes europeus e asiáticos. E embora isso não tenha se dado em um processo inteiramente pacífico, contribui indubitavelmente para a consolidação da nação brasileira como um estado múltiplo: raças, crenças, costumes e ritmos.

Portugueses, espanhóis, africanos, italianos, alemães, franceses e japoneses. Esses foram os principais imigrantes que encheram nosso país com suas diversidades culturais e contribuíram para a miscigenação cultural aqui existente. Todavia, um desses grupos se destacou pelo grande número de imigrantes que desembarcaram no país: os italianos. Estimativas apontam que entre o século XIX e XX cerca de 1,5 milhões de imigrantes italianos vieram residir no Brasil.

Tendo sido em 1870 a chegada dos primeiros imigrantes italianos, o aumento dessa imigração se deu entre as décadas de 1880 a 1910. Fato este estimulado pela abolição da escravatura, pois os ex-donos de escravos não queriam admitir o trabalho assalariado para essa população que durante 300 anos trabalharam sobre um forte regime de opressão. Outro fator de extrema importância e que fez com que essa imigração também fosse planejada foram os ideais do “darwinismo social”, amplamente difundido pela comunidade científica da época e que basicamente dizia que uma pessoa podia conter características biológicas que a tornasse superior a outras. Embasado nesse conceito, o governo brasileiro, acreditando não ser possível se desenvolver por ser uma população basicamente composta por negros e mestiços, começou a planejar a imigração no país; e os italianos pareciam ser a melhor resposta para suas necessidades, pois alem de “brancos” eram católicos.

Um grande número de italianos se estabeleceu no sul e no sudeste e boa parte desses imigrantes vinha ludibriada pelas condições de morada no Brasil. Vendiam tudo o que tinham para tentar a vida aqui, fosse para trabalhar nas lavouras de café, indústrias e comércios ou simplesmente para empreender, como a família Matarazzo que construiu um verdadeiro império industrial no coração de São Paulo. Todavia, parte dessa imigração foi motivada pela crise de empregos na Itália no século XIX, devido à crescente industrialização no país.

Esse fluxo de imigrantes, porém, começou a diminuir no início do século XX, com a divulgação de noticias na imprensa italiana que apontavam as péssimas condições de vida no Brasil. Dentre essas notícias, algumas relatavam que esses imigrantes não podiam abandonar o Brasil por causa de dívidas feitas com os proprietários de terra, que muitas vezes arcavam com os custos das viagens. Com base nisto, o governo da Itália emitiu um decreto que proibia a imigração subsidiada desses cidadãos, o “Decreto Prinetti”. Alem disto, em 1920, Benito Mussolini com suas medidas protecionistas, começou a controlar rispidamente o fluxo de imigração.

São Sebastião do Paraíso foi uma das cidades do sudoeste mineiro que recebeu o maior número de imigrantes e se orgulha disto. Tamanho orgulho se demonstra no fato de, entre os anos de 1971 a 1972, na gestão do então prefeito Luiz Ferreira Calafiori, ter sido construída uma obra dedicada aos imigrantes italianos, lugar batizado como “Praça do Imigrante”, próximo a prefeitura e, em 1984, a Câmara de Vereadores outorgou o título de “cidadão-honorário post morten” aos italianos, como forma de agradecimento às contribuições dessa gente ao povo Paraisense.

Luiz Ferreira Calafiori, figura de grande importância para a história e cultura de São Sebastião do Paraíso, autor de diversas obras literárias, dentre elas “São Sebastião do Paraíso – história e tradição” destaca a importância cultural que a cidade tem ao privilegiar suas memórias. Segundo ele a construção do memorial na “Praça do Imigrante” foi uma forma de tornar viva essa lembrança da imigração, que com o tempo veio se perdendo. Documentos históricos apontam que a primeira leva de imigrantes italianos para a cidade deu-se no ano de 1893, e foi encomendada pelo Coronel Francisco Adolfo de Araújo Serra, no período da chamada “grande imigração”. Muitos dos escravos libertos naquele período acabaram se fixando nas próprias fazendas onde trabalhavam, mas o rápido crescimento da cafeicultura e a chegada das ferrovias para o transporte de carga tornava necessária mais mão de obra, que com o fim do tráfico negreiro e logo depois a escravidão, tornou-se escassa.

O sudoeste mineiro foi uma das regiões que recebeu o maior número de imigrantes no Brasil, o que contribuiu para que grande parte da população paraisense fosse composta por descentes. “Hoje eu não acredito ser tanto, mas há 20 anos cerca de 50% da população paraisense era composta por descendentes de imigrantes e sua maioria era italiana”, enfatiza Luiz Ferreira.

Embora tenha tido grande influencia na formação de Paraíso, a pouca herança cultural que restou desses imigrantes veio se perdendo com o tempo. A explicação é simples, porém de uma complexidade profunda. Com o governo de Getúlio Vargas e a Segunda Guerra Mundial estourando lá fora, muitos desses imigrantes foram perseguidos. A Itália pertencia ao “Eixo”, na Segunda Guerra, composto também por Alemanha e Japão; era natural que esses italianos torcessem por sua nação na guerra, entretanto isso não era aceito aqui. O Brasil por interesses econômicos ficou ao lado dos Aliados, composto pela EUA, Inglaterra e França. Mas apesar de na época vivermos um estado fundamentado pelos ideais do “Eixo”, a nação brasileira manteve certa neutralidade até o ano de 1942, quando submarinos alemães e italianos iniciaram um ataque contra as embarcações brasileiras no oceano Atlântico. Foi assim o Brasil definiu seu rumo na guerra.

Luiz Ferreira conta que essa guerra foi um fator decisivo para arrefecer esse sentimento de orgulho italiano. Na época houve uma opressão muito forte e perseguições a possíveis “elementos” do “Eixo”. As noticias que vinham da Europa e eram transmitidas pelo rádio eram recebidas com expectativa por esses imigrantes que, segundo conta Luiz, eram vigiados até mesmo por vizinhos.

É notável a importância que esses cidadãos tiveram, não apenas para a cidade, mas para as vidas dos cidadãos. A imigração italiana foi um marco na construção da comunidade paraisense e suas influências, mesmo que timidamente, ainda podem ser sentidas. Embora grande parte da população negligencie suas próprias raízes culturais e as deixe de lado, o dia da imigração é uma data que merece ser lembrada e exaltada, afinal, o que seria do Brasil – e da cidade de São Sebastião do Paraíso – sem a imigração? Certamente um país monocromático.

Por João Gustavo
Matéria produzida originalmente para a "Revistas Expressão Livre"
 -  Ano 3, Edição 37, Junho de 2013

Postado segunda-feira, junho 17, 2013 por Unknown

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junho 09, 2013


Do fogo à fé

Umas das religiões mais influentes do mundo, a Igreja Apostólica Romana também foi uma das instituições mais poderosas do planeta, e ainda se mantém, com o maior número de adeptos em todo o mundo

Uma das religiões mais poderosas de todos os tempos, tanto no que se diz respeito a sua influência, quando ao seu poder político, o catolicismo é a vertente mais expressiva do Cristianismo e, segundo dados, com o maior número de adeptos em todo o mundo, cerca de um bilhão de seguidores.
A religião católica é marcada por uma rígida hierarquia, onde as paróquias, as dioceses e as arquidioceses estão submetidas ao Vaticano localizado em Roma e que possui suas próprias legislações, como se fosse um estado independente.
 
Seu símbolo máximo é o “Papa”, que possui um governo vitalício e só deixa o papado de outra forma se for por vontade própria, como aconteceu com o Papa Bento XVI. Em ambos os casos o novo papa e eleito por uma votação fechada, a qual nós chamamos de conclave, por um colégio de cardeais. Assim é feito há séculos, contudo deixemos os detalhes “episcopais” de lado e vamos aos fatos que estigmatizou a religião católica e a tornou o centro político e religioso mais influente de todas as eras.

Postado domingo, junho 09, 2013 por Unknown

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junho 05, 2013


Aretha Franklin

Nomeada pela Revista Rolling Stones uma das 100 vozes mais influentes de todos os tempos. Não é por acaso que a "rainha do soul" encabeça a lista das 100 vozes que tem entre elas Whitney Houston, Mariah Carrey, Janis Joplin, Freddy Marcury entre outras tantas vozes que marcaram o milênio. Aretha nasceu no dia 25 de março de 1942 e se consagrou no cenário musical com clássicos como "(You Make Me Feel Like) A Natural Woman," "Respect," "I Never Loved a Man (The Way I Love You)," "Think," e "Chain of Fools". Influenciou várias personalidades como Whitney Houston, Alicia Keys, Aaron Neville e Annie Lennox. Dona de uma voz potente, porém suave, Aretha é uma referência do Soul. Muitos tentaram chegar ao status de ícone da música, mas bem poucos mereceram esse título e Aretha Franklin sem dúvida é uma desses poucos artistas. Aretha Franklin tornou-se a primeira mulher a fazer parte do Rock & Roll Hall of Fame em três de janeiro de 1987.

Postado quarta-feira, junho 05, 2013 por Unknown

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maio 20, 2013

Há exatos 125 anos era assinada pela princesa Isabel uma lei que tornavam no país todos os escravos livres. Foi um ato simples e rápido se compararmos com a longa história de escravidão do Brasil, mas isto e todo seu significado, fez do “13 de maio” uma data épica, que merece ser lembrada e que simboliza a luta do negro por seu merecido espaço na sociedade.

O impacto que a escravidão teve para o país, sua cultura nacional e sociedade em geral foram de proporções imensuráveis. O trabalho escravo instituiu valores que se agregaram a nossa nação e que até hoje podem ser observados, tal como o preconceito racial e social, pois após a abolição da escravatura esses negros foram postos à margem da sociedade, sendo sua mão de obra substituída pela mão de obra imigrante. Inicialmente o trabalho escravo indígena era à base trabalhista no continente, mas com a chegada dos padres jesuítas e a intenção da Igreja de trazer às novas terras o cristianismo fez com que a prática fosse abolida logo no começo, impondo a esses indígenas um acentuado processo de aculturação.

Visto como uma alternativa, por séculos o tráfico negreiro instituiu e impulsionou a economia da Coroa Portuguesa, tendo sido o fator determinante para a construção do caráter da nova “civilização” que aqui nascia. Pouco valorizado, o trabalho braçal passou a ser enxergado como algo a ser feito por negros. O escárnio dessa população vinha desde seu tráfico, transportados em porões de navios sob condições subumanas, ate as condições de morada na colônia portuguesa, vivendo em senzalas e sendo criados como animais.

No entanto, os mais de 300 anos de repressão e trabalho forçado não foram enfrentados em silêncio. Houve conflitos diretos, fugas e formações de colônias de negros conhecidas como “quilombos”, onde buscavam encontrar a paz e aceitação para viver. Alem disto, a resistência ao processo de aculturação foi também uma forma de se auto-afirmar enquanto africanos diante daquele povo dominador que podiam lhes tirar tudo, exceto sua cultura. E é justamente essa resistência que estigmatizou a cultura negra em nossa nação. Da língua à culinária, nossas raízes africanas perduram até hoje.

O papel dos escravos na construção da nossa cidade é de valor inquestionável, mas pouco se sabe a respeito do processo de escravidão em São Sebastião do Paraíso. Nesse contexto e para explicar como se deu tal processo histórico em nossa região surge Anajá Caetano, uma escritora paraisense que colocara a importância e o indiscutível papel do negro em nossa comunidade - do período da escravidão à sua abolição, em 1888.

Anajá Caetano, filha de criação de um dos intelectuais mais importantes da história de Paraíso, o Dr. José de Souza Soares, publicou em 1966 o romance histórico “Negra Efigênia - Paixão do Senhor Branco”, onde retrata a formação da cidade de S. S. do Paraíso. Esse romance de costume foi escrito a partir de memórias da era áurea em que, quando menina, Anajá ouvia do pai histórias sobre o período colonial e os incidentes históricos que marcaram a remota origem do Paraíso. Construído com base em uma das obras de José de Souza Soares, “Paraíso e suas histórias”, Anajá dá vida ao romance onde pode reestruturar a ordem cronológica, dando aos personagens nomes reais, como o Padre Thomás d’Affonseca e Silva, que foi o quinto vigário da paróquia. A obra de Anajá Caetano discute conceitos que até então a história fazia questão de estereotipar, desmistificando o negro enquanto um ser ignorante e burro e a negra como promíscua e assanhada. Pelo contrário, Anajá mostra o lado maternal, solidário e belo da mulher negra e toda a importância do papel que desempenhavam na sociedade paraisense daquele tempo. Evidenciando o indispensável lugar que os escravos tinham para o manejo do trabalho nas fazendas ao redor da paróquia de São Sebastião do Paraíso, Anajá ainda mostra o verdadeiro valor da “boa” e velha família tradicional, revelando a crueldade e a indiferença para com os negros naquele período.

A religiosidade é outro fator marcante na obra. Com uma descrição fiel aos cultos africanos, Anajá Caetano narra todas as suas heranças étnicas, sendo negra e descendente de angolanos da tribo dos “Quiocos”. A vivacidade e os detalhes com que narra cada ação, cada dança, cada expressão dos seus antepassados são de uma riqueza tão grandiosa que remete a uma África desconhecida aos olhos do homem branco. Uma África poderosa, com seus deuses onipotentes e zelosos por seus negros.

Um verdadeiro achado da literatura paraisense, “Negra Efigênia é uma viagem a um passado histórico de uma Paraíso pouco conhecida. Alvo de estudos no mundo acadêmico, a obra de Anajá Caetano ganha seu devido valor por ser uma das poucas mulheres negras a produzir uma literatura onde são narradas todas as suas raízes culturais, fato este que não permitiu que sua obra caísse em total esquecimento. Embora de suma importância, “Negra Efigenia” é um livro pouco conhecido e em nossa Biblioteca Municipal “Professor Alencar de Assis” há apenas dois exemplares, em péssimo estado, mas na internet é possível encontrar e adquirir a obra em sites de sebos.

Caso haja interesse é possível tomar o livro emprestado por uma semana na Biblioteca, no entanto, os horários da mesma são pouco flexíveis, abrindo às oito da manhã e fechando atualmente, às três da tarde.

Para quem tem horário pra ler é bom ficar atento.

Paraíso é uma cidade com uma história admirável, portanto devemos valorizar mais nossa cultura e dar o devido valor aos nossos escritores, que como Anajá Caetano, contam de forma bela e poética a nossa própria história.

Matéria produzida originalmente para a "Revistas Expressão Livre"
 -  Ano 3, Edição 36, Maio de 2013

Postado segunda-feira, maio 20, 2013 por Unknown

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maio 12, 2013

O habito da leitura é uma pratica agradável de obter conhecimento e, para alguns, fugir da realidade maçante do dia a dia. Ler é ampliar os horizontes, aprender coisas novas, acumular cultura. Lendo você expande seu vocabulário e melhora o raciocínio e a capacidade de abstrair o mundo. O que não faltam são opções de literatura, desde o vasto mundo dos romances ate as ciências e humanidades. 

Neste mês, no dia 18, comemora-se o “dia nacional do livro infantil”, em homenagem ao pai da literatura infanto-juvenil nacional, Monteiro Lobato. Lobato foi um pré-modernista famoso por produzir obras como “Urupês”, na qual imortalizou a personagem Jeca Tatu, uma metáfora para contar a real situação do trabalhador rural paulista, criticando diretamente o governo da época. Todavia, foi à literatura infantil que o consagrou. Para a paraisense Claudia Zanin, pós-graduada em Língua Portuguesa e Literatura Brasileira pela Universidade de Franca, a obra infantil de Lobato foi um "divisor de águas" na literatura para crianças no Brasil. “Ele foi o responsável por colocar a cultura brasileira como protagonista em uma recente República, ainda sem identidade cultural”, conta. 

Autor de diversas obras como “O sitio do pica pau amarelo”, “As caçadas de Pedrinho” e “As historias de Tia Anastácia” foi às crianças que Monteiro Lobato dedicou grande parte de suas obras, revolucionando por trazer os contos de fada europeus sob uma óptica cultural puramente brasileira e em uma linguagem coloquial, que fazia diferença em um Brasil com 80% de analfabetos. “De escrever para marmanjos já estou enjoado. Bichos sem graça. Mas para crianças um livro é todo um mundo”, teria dito Lobato. 

As obras infantis são geralmente de caráter moralista e Monteiro Lobato, com suas produções, queria fazer com que as crianças aprendessem a pensar, a raciocinar, chegando às suas próprias verdades. "Queria fazer livros em que as crianças morassem", dizia. Claudia Zanin, que também é professora na Escola Estadual Benedito Ferreira Calafiori, explica que o fato de suas obras terem sido censuradas no período ditatorial no país, mais precisamente na década de 1970, deu-se pela preocupação de Lobato nas narrativas com a educação. “Ele usava Geografia, Ciências, Astronomia, Matemática, História, Língua Portuguesa e até mesmo questões políticas, em suas histórias”, disse a professora. A boneca de pano Emília  por exemplo, é uma metáfora à representação do espírito de rebeldia às regras, rótulos e convenções que fecham o mundo a qualquer possibilidade de renovação, ou seja, um choque as ideologias políticas do regime militar. 

A importância de se estimular a leitura às crianças e apresentá-las ao mágico universo literário é um desafio que a cidade precisa encarar. Historicamente, Paraíso não tem tratado a cultura como uma prioridade e o resultado disso são nossas bibliotecas quase sempre vazias ou frequentadas apenas para uso de computares e a realização de trabalhos escolares. Apesar de nossa cidade ter sido convidada a participar da 13ª Feira do Livro de Ribeirão Preto, que acontecerá de 6 a 16 de junho de 2013, não seria mais interessante pensar em uma feira cultural para Paraíso, aonde os nossos jovens pudessem ser estimulados a ler mais? Lobato disse certa vez que “um país se faz com homens e com livros”, destacando a importância que a literatura tem para a construção de uma sociedade mais inteligente e menos alienada. Esta é uma ideia que, sem duvida, merece ser refletida.

Matéria produzida originalmente para a "Revistas Expressão Livre"
 -  Ano 3, Edição 35, Abril de 2013

Postado domingo, maio 12, 2013 por Unknown

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