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setembro 25, 2015


No dia 21 de setembro se comemora em todo o Brasil o Dia Nacional da Pessoa com Deficiência, uma data criada para lembrar a toda população sobre a situação dos portadores de deficiência e das lutas e desafios que envolvem crianças, jovens e adultos que convivem, além de algumas limitações no dia-a-dia, com o preconceito, a falta de inclusão e escolas preparadas para isto e também carência de políticas públicas para atender de forma abrangente e eficaz todas as famílias que têm um portador de deficiência em casa.

Falar da luta da pessoa com deficiência é falar também da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais, a APAE, uma instituição que nasceu em 1954, no Rio de Janeiro, com o objetivo de promover a atenção integral à pessoa com deficiência, principalmente àquela com deficiência intelectual e múltipla. No entanto, muito além de uma instituição, a Apae é considerada um movimento pioneiro que se destacou pelo caráter de suas ações. Hoje a APAE faz parte da realidade de todos os 27 estados brasileiros.

De acordo com a Federação Nacional das Apaes (Fenapaes), atualmente a movimento apaeano é considerado o maior movimento filantrópico do Brasil e do mundo na sua área de atuação. Um movimento que congrega, além da Fenapaes, cerca de 23 Federações das Apaes nos Estados e mais de duas mil Apaes distribuídas em todo o País, que fornecem atenção integral a cerca de 250 mil pessoas com deficiência.

Em São Sebastião do Paraíso a história não é diferente; a instituição, fundada em 1975, ao longo desses 40 anos vêm trabalhando incansavelmente para atender as diversas famílias que buscam assistência integral junto ao movimento apaeno, são cidades que compreende além de Paraíso, Jacuí, São Tomás de Aquino e o distrito da Guardinha. São cerca de 300 alunos atendidos atualmente pelos vários programas oferecidos pela instituição, incluindo a Escola Estadual Mariana Marques, integrada a instituição, além dos 41 profissionais que atuam diariamente para levar assistência a esses alunos. São fisioterapeutas, psicólogas, fonoaudiólogas, enfermeiras, médicos, nutricionista, pedagoga, professores de oficinas, ajudante de oficinas, educador físico, ajudante geral, zelador, secretárias, além de dentistas, ajudante de consultório e motoristas.

De acordo com a psicóloga Lucilaine de Pádua, que faz o acompanhamento desses alunos, “o dia é importante porque reforça o trabalho da APAE realizado durante o ano todo, que é de ‘luta’ para que todos tenham atendimento de qualidade, sempre visando inclusão e garantia de seus direitos”.

Conforme explica Lucilaine, o trabalho da Apae compreende, não apenas ao atendimento a necessidade específica de cada aluno, mas principalmente o direito a autonomia que cada aluno deve ter. “Muitas vezes, quando a gente pergunta ao aluno o que ele quer, ele não sabe responder porque nunca teve a oportunidade ou liberdade para decidir, sempre havendo a intervenção da família. Em algumas reuniões em grupo, nós trabalhado principalmente esta questão, estimulando ao aluno a se perguntar o que ele quer e aprender a tomar decisões”.

A Apae possuir diversos programas para atendimento não somente aos alunos, como também aos pais, a exemplo do Programa de Apoio a Família (PAF), que além ajudar a familiar a entender o que se passa com aquela criança portadora de alguma deficiência, também busca orientá-los no sentido da família poder oferecer uma qualidade de vida melhor aquele familiar que precisa de uma atenção redobrada. Outros programas, como o Programa Auto Defensor, coordenado pela fonoaudióloga Gizelle Lima Duarte, que tem cerca 70 participantes distribuídos em 6 grupos, busca trabalhar com os alunos tudo o que se diz respeito aos direitos e deveres do portador de alguma deficiência.

“Também é realizado pela APAE o ‘Programa de Inserção no Mercado de Trabalho’, que também é coordenado pela fonoaudióloga Gizelle e que inseriu nos últimos 18 meses cerca de 15 meninos ao mercado de trabalho. Esses alunos são acompanhados mensalmente, com contatos nas empresas e alguns, inclusive, participam dos grupos do programa”, conta a psicóloga.

Lucilaine explica também que nestes grupos os alunos trocam experiências e relatam o dia-a-dia da rotina de trabalho aos outros alunos que também querem ter um emprego. “Essa troca de experiência é importante para que o aluno entenda as responsabilidades que compreende o ‘ter’ um emprego, sendo a flexibilidade também um ponto bastante trabalhado no grupo, a fim de mostra a eles que ao ser contratado para exercer uma atividade, que ele também pode ser orientado a fazer outras coisas naquela empresa”, explica a psicóloga.

“Cabe ressaltar que no processo de habilitação e reabilitação da pessoa com deficiência todos (família, instituições escolas e comunidade) temos que preparar a pessoa com deficiência para terem autonomia, sendo protagonistas diretos de suas vidas, para que saibam e possam escolher e tomar decisões, todos temos que lutar para que haja garantia de direitos e do exercício de cidadania. As atividades, serviços e programas da APAE seguem o movimento apaeano e buscam preparar não só o nosso usuário, assim como a família, para que tenham oportunidades, para que mostrem suas potencialidades e habilidades, valorizando o que cada um tem de melhor e tenham igualdade de condições”, salienta Lucilaine de Padua.

HISTÓRIA DE MÃE

Marcia Aparecida da Silva é mãe de cinco filhos e os dois mais novos tiveram complicação no parto, o que veio a resultar na deficiência deles, Paulo Roberto, de 17 anos e Paulo Ricardo, de 9. A luta da mãe ilustra de maneira poética as mesmas dificuldades que tantas outras mães de crianças apaianas sofrem no dia-a-dia: o preconceito, rejeição e inúmeras noites sem dormir direito. Esses percalços não impediram que essa mãe parasse de lutar a fim de conseguir o melhor para seus filhos.

Conforme conta a psicóloga Lucilaine de Padua, “o filho mais novo de Marcia, de 9 anos, está no processo de escolarização na Escola Estadual Mariana Marques, em que a mãe lutou para trazer o filho de volta do ensino regular. Ela fez a luta contrária, o filho foi incluído ao ensino regular e ela lutou para que a criança voltasse para a Apae, por acreditar que ele não estava tendo a assistência que deveria para se integrar de fato a escola. No caso do filho mais velho, ele também foi incluído, mas não estava conseguindo aprender, não estava motivado e a mãe nos procurou pedindo ajuda para que ele pudesse fazer algumas atividades conosco. Em seis meses aqui, quando ele estava fazendo as oficinas e a mãe o PAF, ele foi incluído no mercado de trabalho”.

Hoje, Paulo Roberto e Paulo Ricardo são dois jovens muito saudáveis que enfrentam no dia-a-dia os mesmos dramas vividos em qualquer seio familiar. Para a mãe, a luta diária que fez com ela, inclusive, lutasse contra a inclusão do filho no ensino regular por não acreditar e concordar com a forma como a inclusão estava sendo feita, trouxe avanços, tanto para o aprendizado de seus meninos, quando tranquilidade para ela. A mãe relata ainda que, no caso do filho mais novo, foi ainda mais complicado. “Ele estava ficando fora da sala de aula para que não “atrapalhasse” os outros alunos”, relatou.

Marcia conta que na gravidez de Paulo Roberto, hoje com 17 anos, sofreu uma complicação conhecida como eclam-pse, o que fez com a criança nascesse prematura, no sexto mês de gestação. “Ele nasceu aqui em Paraíso e depois foi internado em Ribeirão, onde ficou cerca de um mês. Ele saiu da internação pesando cerca de 1,9 quilos. Nós tivemos toda a assistência e acompanhamento médico. No entanto, ele foi ficando mais velho, já apresentava uma idade mais avançada, mas era uma criança miúda, desnutrida. As pessoas sempre me perguntavam a idade dele, quantos meses ele tinha eu sempre falava, mas aquilo despertava uma certa desconfiança, como se o fato dele ser uma criança que não se desenvolvia fosse minha culpa”, relata a mãe.

Marcia Silva conta que este foi um período muito difícil e de muito medo, pois a família acreditava que talvez a criança não sobrevivesse. “O tempo foi passando e eu o coloquei na creche para poder trabalhar. Através da assistente social dessa creche, eu descobri que talvez ele pudesse ter algum problema, então ela me recomendou que ele fizesse uma avaliação junta a APAE e até eu conversar com o meu marido e ele aceitar tudo aquilo foi um pouco complicado, hoje tudo é diferente, mas naquela época ainda havia muito preconceito, principalmente se tratando da Apae”, relata.

Conforme a mãe, a criança foi encaminha para avaliação na Apae onde se constatou que ele sofria de um certo grau de deficiência intelectual, tendo como agravante um problema na arcada dentária e uma dificuldade de se comunicar. “Isso tudo começou em 1999. Eu tinha que levá-lo toda a semana no médico, no começo foi muito difícil. Qualquer vento que batia no rosto dele ele engasgava, e foram longos seis meses dormindo junto ao meu peito, eu mal dormia, morria de medo dele morrer afogado. Mas apesar disso tudo, eu nunca desisti e sempre tive fé que isso passaria e a gente seguiria normalmente nossas vidas”.

De acordo com Marcia, seu filho durante esse processo sofreu muito preconceito das pessoas, uma fase que relata ter passado. “Para muitas pessoas, a criança especial é aquela com ‘Down’, a deficiência intelectual não é encarada da mesma forma. Hoje, a única dificuldade dele é realmente a leitura, ele escreve, mas não sabe ler. Ele chegou a se queixar comigo que na escola não estava aprendendo a ler e ele queria para poder tirar carteira de motorista”, relata. “Graças a Deus hoje ele é um jovem muito saudável, ele queria muito trabalhar, nós chegamos a andar por toda a cidade para tentar arrumar um emprego para ele, mas não havíamos conseguido. No entanto, graças ao apoio da Apae, ele conseguiu conquistar seu primeiro emprego”.

Marcia Silva conta que no caso no filho mais novo, o Paulo Ricardo, durante o parto a criança se enforcou com o cordão umbilical, faltando oxigênio do cérebro, o que resultou em algumas sequelas. “Ele sofreu uma convulsão e foi socorrido junto a Unidade de Tratamento Intensivo, onde ficou cerca de três dias. Passado esse tempo ele foi para o berçário, foi amamentado, mas descobriu que ele havia tido enterocolite necrosante, ou seja, uma parte do intestino dele havia sofrido uma necrose e precisou ser retirado. Com 5 dias ele passava por uma cirurgia para tentar resolver o problema”, conta a mãe. Marcia relata ainda que seu filho chegou a ficar mais de um mês internado na UTI e que com quinze dias sofreu infecção hospitalar.

“Depois de passado mais de um ano, o Paulo Ricardo teve a primeira crise convulsiva; feito os exames, descobriu-se que ele tinha epilepsia e paralisia parcial. O mais difícil de toda a luta que passei durante este período foi encontrar inúmeras portas fechadas pelo caminho, por simplesmente as pessoas não terem conhecimentos do que é a deficiência. Há muitos julgamentos. Quem não conhece meus meninos e os vê, hoje, esbanjando saúde, não sabem das dificuldades que eles passam”, conta a mãe.

Aos nove anos, Paulo Ricardo está cursando o terceiro ano do ensino fundamental e vive uma vida saudável e produtiva, graças ao apoio da Apae a essa mãe. “Eu não sei o que teria sido da minha vida se não tivesse conhecido essas pessoas e tido todo esse suporte”, completa Marcia Silva.

Matéria publicada para edição 1931 do Jornal do Sudoeste,
São Sebastião do Paraíso

Postado sexta-feira, setembro 25, 2015 por Unknown

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setembro 17, 2015

Alunos fizeram apresentação de seus trabalhados práticos e palestraram sobre os conhecimentos adquiridos no curso

O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial, o Senai, realizou em São Sebastião do Paraíso a “3ª edição do Mundo Senai” no município. O evento que aconteceu nos dias 10 e 11 de setembro, teve por objetivo abrir as portas da unidade para apresentar aos cidadãos paraisenses e região, que tenham interesse em uma qualificação profissional e tecnologia, os caminhos oferecidos pela instituição.

Conforme destaca a pedagoga e diretora da unidade de Paraíso, Gisele Antunes Rocha, o evento acontece pela terceira vez no município, mas é realizado em todo o Brasil e já está em sua 7ª edição. “O Senai abre as portas para a comunidade e o empresário conhecer o trabalho e a estrutura oferecida tanto para a capacitação profissional, quanto de inovações e pesquisas”, conta.

O Senai oferece algumas modalidades de cursos como aprendizagem industrial, que atende jovens de 14 a 23 anos. Gilese conta que esta modalidade de aprendizagem é uma formação inicial onde o jovem entra com cerca de 14 anos e ao longo de 6 meses de desenvolve na área escolhida, preparando-se para o mercado de trabalho em áreas como Recursos Humanos, Gestão Financeira, Atendimento ao Público, entre outras.

A estudante Carolina Pedroso Nogueira de Souza, de 18 anos, fez o curso de aprendizagem em Processos Administrativos e atualmente trabalha junto a Copasa sobre a coordenação da encarregada do departamento de Recursos Humanos, Diolina Gonçalvez Duarte. Carolina ressalta a importância do Senai em sua formação profissional e às oportunidades que vêm conseguindo graças aos estudos.

“O curso que eu realizei aqui me ajudou muito. Antes eu já havia feito um curso de ‘qualificação em administração’ e foi justamente por isso que eu retornei e fiz ‘processos administrativos’. Ajudou-me muito, principalmente na atuação; tudo o que nós aprendemos aqui, usamos no dia-a-dia do trabalho”, relata

A encarregada do RH da Copasa, Diolina Duarte, destaca a importância de as empresas participarem desse desenvolvimento do jovem e em como o Senai vem contribuído para a incursão do estudante no mercado de trabalho.

“Os jovens reclamam muito sobre a falta de oportunidades e principalmente em como as empresas vêm exigindo experiências sem ao menos dar a oportunidade a eles de adquirí-las. Quando o jovem chega na Copasa, eu os ouço, ouço suas expectativas e o que eles esperam da empresa, diante disto encaminho cada um ao departamento que melhor se encaixa em seu perfil”, completa Dionlina.

Conforme destaca a diretora na unidade, Gisele Rocha, os cursos possuem uma duração curta de três a seis meses, onde o aluno já sai preparado para o mercado. “É satisfatório ver os resultados e acompanhar todos esse processo. Embora os cursos de aprendizado só atendam a uma certa idade, há também a modalidades de aperfeiçoamento profissional, onde aquele trabalhador que já tem uma experiência e já atua em determinada área, pode buscar ampliar esses conhecimentos”.

A demanda dos cursos oferecidos pela Unidade, segundo a diretora, é muito alta. Gisele estima que cerca de 200 alunos passam pelas turmas do Senai em todos os períodos, mas destaca a alta rotatividade dos cursos com devido a curta duração. Ainda, conforme ela, os cursos de aprendizagem são gratuitos e os alunos não têm nenhum custo.

“Os cursos de aprendizagem ainda têm uma vantagem porque podem gerar contratos de trabalhos com alguma empresa, mas nós alertamos aos alunos que a intenção e objetivo do Senai é oferecer a formação profissional, não somos nós que contratamos. No entanto, nós colocamos nossos alunos a disposição das indústrias. A empresa que protocola um requerimento de ‘jovem aprendiz’, pode vir a firmar um contrato de trabalho com o aluno, que pode ser remunerado para fazer o curso e até por exercer a prática na empresa”, salienta a diretora.

Gisele Rocha conta que para o próximo ano, o Senai irá disponibilizar três novos cursos: técnico em mecânica, técnico em informática e técnico em eletrotécnica. A diretora também conta que a demanda por esses cursos está bastante elevada e que há, inclusive, alunos de turmas atuais que procuram por esses cursos. “Outro curso bastante demandado é o de elétrica industrial, muitos interessados tiveram que entrar na lista de espera por conta da indisponibilidade de vagas”, relata.

Hoje, a estrutura do Senai de Paraíso atende principalmente às áreas de Gestão, Informática, Vestuário, Mecânica e Elétrica. No entanto, a diretora salienta que existem demandas de outras áreas e que dependendo da necessidade da comunidade, o Senai, caso não tenha estrutura para atender a demanda, por meio de parceria com empresas, é capaz de realizar a capacitação solicitada. “Nós podemos ceder o espaço para o aprendizado teórico e a empresa oferecer a estrutura para o aprendizado prático”, salienta Gisele.

Ao longo de todo o dia, o Senai apresentou os cursos oferecidos pela unidade e alunos fizeram exposições de seus trabalhos desenvolvidos em sala de aula. Houve também palestras na área de gestão sobre Legislação Trabalhista; informática, com mini-curso de Excel oferecido aos visitantes; e palestras na área de Costura sobre Tendências de Modas.

SENAI

Localizado na rua Tenente José Joaquim, n° 1512, no bairro Nossa Senhora Aparecida, esquina com a Avenida Zézé Amara, o interessado que queira conhecer o Senai e saber mais sobre os curso que são oferecidos, horários e disponibilidade de vagas pode procurar diretamente a unidade ou entrar em contato através do telefone  (35) 3558-1365, de segunda a sexta-feira durante horário comercial.

Matéria publicada na edição 1928 do Jornal do Sudoeste
São Sebastião do Paraíso

Postado quinta-feira, setembro 17, 2015 por Unknown

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setembro 16, 2015

Dilma Rousseff - Presidente do Brasil

Nesta semana, em pronunciamento em comemoração ao Dia da Independência que foi ao ar somente via internet, a presidente Dilma Rousseff discursou sobre situação do país e admitiu que o governo “pode ter cometido erros” durante sua gestão. Ela também defendeu necessidade de ajustes ficais, aumento de impostos e medidas provisórias para que situação seja contornada.

“É verdade que atravessamos uma fase de dificuldades. Sei que é minha responsabilidade apresenta caminhos e soluções para fazer a travessia que deve ser feita. As dificuldades e os desafios resultam de um longo período em que o governo entendeu que deveria gastar o que fosse preciso para garantir o emprego e a renda do trabalhador, a continuidade dos investimentos e dos programas sociais”, disse.

A presidente ainda destacou que agora o governo terá que reavaliar todas essas medidas e reduzir as que devem ser reduzidas. Dilma ainda atribuiu parte do problema a fatores internacionais e mencionou situação envolvendo refugiados de guerra na Europa.

“Nossos problemas também vieram lá de fora e ninguém que seja honesto pode negar isto. Está visível que a situação em muitas partes do mundo voltou a se agravar, atingindo agora o os países emergentes. Países importantes, parceiros do Brasil, tiveram seu crescimento reduzido e foram atingidos pela crise internacional. O mundo, além disso, enfrenta tragédias de natureza humanitária, como mostra a situação chocante dos refugiados que morrem nas praias europeias ao tentar buscar refúgio da guerra”, disse.

Dilma Rousseff ainda falou sobre abrir os braços aos refugiados e disse que mesmo em momentos de dificuldades, o país está à disposição para receber aqueles que “expulsos de suas pátrias, para aqui queiram vir, viver, trabalhar e contribuir para a prosperidade e a paz do Brasil”.

A presidente reafirmou que o pais vive uma crise e que o governo pode ter cometido erros. “As dificuldades, insisto, são nossas e são superáveis. O que eu quero dizer, com toda a franqueza, é que estamos enfrentando os desafios, essas dificuldades e que vamos fazer essa travessia. Se cometemos erros, e isso é possível, vamos superá-los e seguir em frente”.

Dilma falou também sobre superar as diferenças e colocar em segundo plano os interesses individuais ou partidários. “Me sinto preparada para conduzir o Brasil no caminho de um novo ciclo de crescimento, ampliando as oportunidades para nosso povo subir na vida com mais e melhores empregos. Nós queremos um país com inflação sobre controle, juros decrescentes, renda e salários em alta”, completou.

A presidente garantiu que nenhuma dificuldade a fará abrir mão do seu governo que “assegurou oportunidades iguais para nossa população. Sem recuos, sem retrocessos”. Dilma completou seu discurso dizendo que o seu governo foi capaz de tirar milhões de pessoas da miséria e elevar outros milhões aos padrões de consumo das classes médias e destacou a importância de programas sociais como o Pronatec e Bolsa Famílias para as famílias Brasileiras.

Para o presidente da Associação Comercial, Industrial e de Serviços de São Sebastião do Paraíso (Acissp), Ailton Rocha de Sillos, o discurso da presidente se apresentou de forma vaga e fez correlações com situações em que em nada refletem com a situação do País, como a questão da imigração na Europa. Sillos ainda questiona como que a situação que o pais vem enfrentando não foi percebida a tempo e ponderou, que em uma época em que o preço do petróleo estava em queda, no Brasil os valores aumentavam.

“É uma situação lamentável e que reflete em todos os cidadãos. Temos lutado para conseguir amenizar situação no município e diminui reflexos da crise, mas não é uma fase boa para o empresário”, completa o presidente da Associação. Ailton Sillos disse ainda que infelizmente as medidas que o governo vem tomando para contornar situação são necessárias, mas criticou orçamento apresento ao Senado para 2016 com déficit de R$30,5 bilhões.

A professora Marília de Souza Neves disse que foi com pesar que ouviu ao discurso da presidente no Dia da Independência. “Usando palavras articuladas (escolhidas com propósitos pré-definidos) e apelando para a sensibilização da pátria brasileira, nossa representante gastou expressões diversas e clichês enfadonhos para tentar minimizar a revolta e a indignação que fazem parte dos nossos dias. Justificando-se que o cenário mundial atravessa uma crise e enfrenta “tragédias de natureza humanitária”, ilustrou sua fala com o drama dos refugiados que tentam deixar a guerra em busca de paz, almejando comover os que tiveram acesso a seu pronunciamento”.

Marília ainda diz que concorda com a referência da presidente sobre a “travessia que necessita ser feita”, mas salientou que não devemos aplaudir as discrepâncias que assolam o país. “De um lado, trabalhadores que precisam ampliar sua jornada de trabalho a fim de obter o mínimo necessário para sua sobrevivência; de outro, uma ínfima parcela que recebe muito para nada fazer, ou melhor, para muito roubar. A decência na política soa como ironia e, assim, indivíduos honestos, estudiosos e com capacidade para fazer parte desse importante lócus distanciam-se da política, temendo ser corrompidos ou até mortos”, disse.

“Todavia, embora indignada, concordo com a presidente no quesito união. Ainda que não aplauda seus erros e desatinos, acredito que todos somos responsáveis, direta ou indiretamente, pela situação que nos envolve. Se queremos mudança, comecemos por nós mesmos. É momento de “reavaliar”, de lutar em prol dos nossos anseios, de não deixar que os “maus” ganhem a guerra. Se nos achamos “bons”, façamos o bem onde quer que estejamos, contribuamos com o progresso, levantemo-nos das poltronas de nossos sofás e doemos o que de melhor possuímos. Deixemos que nossa voz ecoe. Que sejamos o coral da atitude, não os fofoqueiros de plantão que servem apenas para repetir e distorcer o que ouvem, ou meros espectadores procrastinados. Discurso sem ação é pó que o vento leva. Discursemos na família, no trabalho, na escola, na sociedade, afinal, brasileiro que veste a camisa do seu país não fica apenas apontando erros, visualiza maneiras de corrigi-los. Dizer não à corrupção é pôr um ponto-final no parasitismo”, completou Marília Neves.

O advogado KenjiKobanawa, diz que o fato de a presidente vir a público e assumir pela primeira vez os erros de seu governo demonstra a absoluta insustentabilidade de sua gestão. “Todas as críticas e questionamentos acerca principalmente da irresponsabilidade econômica, sobretudo nos últimos 3 anos de seu mandato acabaram de comprovar seu fundamento diante da crise atual. Sua política populista garantiu sua reeleição, entretanto, desde a apertada vitória nas urnas, o clima de insatisfação e descontentamento já demonstravam que o Brasil se tornaria um país de alto risco. Gastou-se mais, capitalizou-se menos, assim, perdeu popularidade e credibilidade até mesmo junto ao seu próprio eleitorado que sente a cada dia mais os efeitos de um país em recessão”, ressaltou.

Para o jornalista Helton Lucinda Ribeira, “usar o Dia da Independência para defender uma política econômica que nos torna cada vez menos independentes expressa de forma emblemática as contradições desse governo. Dilma adotou o programa do adversário e os dados mostram a cada dia que estamos indo de mal a pior. Deveríamos aproveitar nosso rebaixamento pela Standard &Poor’s para proclamar uma nova independência”.

A servidora pública, Patrícia Oliveira, avaliou que é verdade quando a presidente diz que boa parte da situação que estamos devido a gestão da presidente. “O governo ignorou todos os sinais de que as coisas não estavam tão bem, que o crédito ilimitado e a explosão de consumo não mantêm o crescimento de um país por tempo indeterminado sem estar aliado a diminuição de gastos e aumento de investimento em infraestrutura, para dizer o mínimo”, relata. Para Patrícia, do ponto de vista macroeconômico, equilibrar as contas segurando os gastos e aumentando a receita é nossa única alternativa para voltar o país para os trilhos do crescimento.

“Todas as donas de casa sabem disso, quando os gastos extrapolam o salário é hora de cortar as despesas e arrumar um bico até acertar as coisas. Contudo o problema não está no que precisa ser feita e sim em como está sendo feito: não vejo anúncio de corte de despesas em nenhum dos três poderes, porque devemos sempre lembrar que esse país é feito de executivo, legislativo e judiciário. Corte ministérios, cartões corporativos, diminua para 1/4 as verbas de gabinete, assessores, auxilio aluguel, passagens aéreas e mais um trilhão de ralos de dinheiro público sem nenhum retorno a população”, completou.

Matéria publicada para edição 1928 do Jornal do Sudoeste,
São Sebastião do Paraíso, Minas Gerais



Postado quarta-feira, setembro 16, 2015 por Unknown

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setembro 13, 2015


Nas últimas semanas as ondas de protestos ocorridas em todo o Brasil, tema que também abordamos nesta edição, evidenciou uma série de problemas que há tempos vem alimentando nossa insatisfação para com o governo, levando à explosão “garganta a fora” de gritos por melhorias de diversos setores do país.

O baixo investimento na educação, transporte e, principalmente, da área da saúde nunca foram coerentes com os altos impostos cobrados de nós diariamente. Todavia, essa é apenas a ponta do iceberg, porque juntamente com essas inúmeras falhas vem à falta de fiscalização com serviços prestados a sociedade.

A precariedade dos Conselhos Municipais, por exemplo, é uma realidade que evidencia o total descaso com a própria população local e isto, inclusive, ocorre em nossa cidade. O Conselho Municipal, na prática, é um órgão responsável por fiscalizar os serviços prestados a população e é de cunho vital para a participação popular na gestão das Políticas Públicas.

O “Estatuto do Idoso”, segundo destaca Leonardo Borges de Souza, Presidente do “Lar São Francisco de Paulo”, é uma das criações mais importantes e corretas que o governo já fez, mas segundo conta, somente o Estatuto não é o suficiente para garantir que os direitos dos idosos sejam atendidos e, portanto, o município carece de um órgão fiscalizador específico, o “Conselho Municipal do Idoso” – CMI, que seria responsável por fiscalizar se os direitos da população idosa do nosso município estão sendo devidamente atendidos. Hoje, as competências que correspondem a esse órgão ficam a encargos da Assistência Social.

Em uma matéria veiculada no Jornal Sudoeste, uma suposta lei possibilitando a criação do Conselho teria sido encaminhada para o setor jurídico municipal, em 2011. Na época a assistente social e responsável técnica do Centro de Referência Especializado em Assistência Social (Creas), Paula Martins Pimenta, disse que o projeto sairia do papel e se tornaria realidade no início de 2012. No entanto, passado mais de um ano, Leonardo Souza afirma não haver tal conselho, o que de fato é verdade.

Para muitos idosos, esse Conselho Municipal do Idoso seria fundamental, uma vez que serviços prestados a nossa população idosa careça de melhorias. Dentre os artigo estabelecidas no Estatuto do Idoso está presente o Art. 7° que diz que “os Conselhos Nacional, Estaduais, do Distrito Federal e Municipais do Idoso, previstos na Lei nº 8.842, de 4 de janeiro de 1994, zelarão pelo cumprimento dos direitos do idoso, definidos nesta Lei”. Todavia, há falhas de clareza presente no Estatuto, o que colabora para que tais obrigatoriedades do município sejam negligenciadas. Segundo o Art. 3°, sobre as disposições preliminares do Estatuto, “é obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do Poder Público assegurar ao idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária”. A grande questão que fica é: sem um órgão específico que possa intervir por esses idosos, o direito à saúde, à alimentação, à educação, enfim, à vida serão prestados com a devida qualidade que eles necessitam?

Por João Gustavo
Fontes: Jornal Sudoeste; Estatuto do Idoso
Matéria produzida originalmente para a "Revistas Expressão Livre"
- Ano 3, Edição 38, Julho de 2013

Postado domingo, setembro 13, 2015 por Unknown

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outubro 01, 2013


A pouco mais de um mês e meio, a população brasileira saiu às ruas para dar voz a sua insatisfação com as diretrizes governamentais, focada atualmente em tornar a Copa do Mundo e as Olimpíadas um dos melhores eventos que o planeta já viu ao invés de melhorar a saúde pública, o transporte e a educação brasileira. É fato que a situação dos brasileiros vem melhorando muito nos últimos anos, mas ainda está longe de ser o ideal. Uma prova disto é a nossa posição no IDH (índice de desenvolvimento humano), que mede a qualidade de vida da população mundial a longo prazo com base na qualidade de vida, acesso ao conhecimento e a um padrão de vida descente; mantivemos a posição estando em 85º lugar. Embora este índice seja considerado alto é incoerente, afinal, se temos uma das maiores cargas tributária do mundo, evidentemente deveríamos estar entre os países de primeiro mundo, não?

O ponto é que a educação não evolui muito, o analfabetismo, principalmente o funcional, ainda é uma realidade e o acesso ao conhecimento e a cultura, um dos maiores desafios. Desafios estes que vem encontrando mais dificuldades a cada dia e gerando mais revolta, insatisfação e polêmicas. 

A mais recente envolve o PNE (Plano Nacional de Educação), que visa à erradicação do analfabetismo, a universalização do atendimento escolar, a melhoria da qualidade de ensino, a valorização do profissional da educação, entre outras questões importantes. 

O Plano Nacional da Educação foi criado para vigorar de 2011 a 2020; apresenta dez diretrizes objetivas e 20 metas, seguidas das estratégias específicas de concretização, sendo a meta 4, a que garante o acesso da criança portadora de alguma deficiência, motora ou intelectual, de 4 a 17 anos ao ensino regular. Este é uns pontos mais importantes do PNE e que, no entanto, sofreu algumas mudanças radicais, gerando um mal estar generalizado na sociedade. 

O PNE, até o presente, momento não foi votado, o que deixa brechas para que a mudança da Meta 4 ainda seja revogada.

A mudança propõe que todos os jovens portadores de alguma deficiência estejam matriculados na rede regular de ensino até 2016, sem que haja nenhum mediador, no caso as APAEs, que prestam ensino especializado para preparar esses alunos a rede pública de ensino. O projeto, de José Pimentel (PT-CE), visa cortar os repasses de verbas governamentais às APAES, a fim de valer as novas diretrizes propostas na reformulação da meta 4, culminando com o enfraquecimento das mesmas.

META 4
COMO ERA:
"Universalizar, para a população de 4 (quatro) a 17 (dezessete) anos, o atendimento escolar aos(às) alunos(as) com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, preferencialmente na rede regular de ensino, garantindo o atendimento educacional especializado em salas de recursos multifuncionais, classes, escolas ou serviços especializados, públicos ou comunitários, nas formas complementar e suplementar, em escolas ou serviços especializados, públicos ou conveniados."
APÓS A MUDANÇA:
"Universalizar, para a população de 4 (quatro) a 17 (dezessete) anos, o atendimento escolar aos estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação na rede regular de ensino".

A visão dos paraisenses acerca do polêmico projeto

Ademar Paschoalino, diretor da APAE de São Sebastião do Paraíso
A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) nasceu no Rio de Janeiro em 1954, com a meta de prestar assistência a crianças e jovens portadores de deficiência, priorizando aquelas com deficiência intelectual e múltipla. Um projeto pioneiro no país, que até então não dava a devida assistência a portadores de deficiências e que veio se espalhando por todo o território nacional ao longo dos anos. Hoje as APAEs estão distribuídas em mais de 2 mil municípios atendendo cerca de aproximadamente 250.000 pessoas com deficiência. O ultimo censo do IBGE, de 2010, aponta que cerca de 45 milhões de brasileiros são portadores de algum tipo de deficiência (entre visual, auditiva, motora e intelectual), esses números expressivos correspondem a cerca de 14,5% da população total, sendo grande parte desse número dependente do ensino especializado. 

A APAE de São Sebastião do Paraíso vem prestando esses serviços especializados de altíssima qualidade desde 1975 e garantido o direito dos portadores de deficiência motora e intelectual a uma vida mais digna, tanto do ponto de vista pedagógico, quanto técnico. Ademar Paschoalino, diretor da APAE há quase seis anos, destaca o papel filantropo da Associação, que garante a assistência médica e pedagógica e esses alunos que carecem de atenção especial, sem cobrar nada. “Atendemos entre os alunos de dois turnos em torno de 278, e uma média de 48 que vem só para atendimento durante a semana. Existem alunos que já foram incluídos no ensino regular e que acabaram voltando para receber novamente este atendimento”, conta Ademar. 

Assim como todas as pessoas envolvidas com o trabalho sério e os serviços de alta qualidade prestados pelas APAES no Brasil a fora, Paschoalino também é contra a proposta de inclusão; segunda conta isso acaba tendo um efeito contrario. “A proposta é inadmissível. Foi feita por pessoa que não tem acessibilidade de entender o que é o aluno especial, o deficiente físico. Essa proposta faz com que o aluno não seja incluído, seja excluído. Tivemos casos de alunos que pararam de comparecer em qualquer tipo de escola por não ter como se locomover ou até mesmo por não ter um atendimento adequado que deveria ser dado a eles”, conta Paschoalino. 

Marcos Vinicius Aloise, fundador da INTEGRAR, a Associação de Portadores de Necessidades Especiais, destaca que o projeto é um verdadeiro retrocesso em vista do quanto já se ganhou com as APAES nos últimos anos. Vítima de um acidente automobilístico que o deixou tetraplégico, há dezenove anos, Marcos destaca o suporte que nossas escolas não têm para o atendimento a alunos com deficiência. “Como se leva um aluno hoje, que tem uma sonda gástrica, por exemplo, que precisa trocar uma fralda, que tem que ter um cuidado especial a uma escola onde não se tem preparo nenhum a nível técnico?”, questiona. 

A INTEGRAR, fundada há oito anos vem lutando pelos direitos coletivos das pessoas com deficiência, promovendo a inclusão desses cidadãos no convívio social, tanto no âmbito do trabalho como na própria sociedade civil, promovendo a quebra de paradigmas e lutando contra os preconceitos que, infelizmente, ainda são latentes em nossa sociedade. Um trabalho de “formiguinha”, como ele próprio define, que vem sido feito aos poucos e gerando algum resultado, apesar de encontrar inúmeras limitações. No entanto, as diversas rampas que vem sendo construídas em Paraíso não resolvem muito o problema, uma vez que as calçadas, em estado deplorável em sua ampla maioria, atrapalham na locomoção, não apenas dos cadeirantes, mas também de pessoas com alguma dificuldade de locomoção, como idosos, por exemplo.

A presidente da FENAPAEs – Federação Nacinal das APAEs – Aracy Lêdo deixou claro que o Movimento das APAEs é a favor da inclusão, desde que esta seja realizada de forma adequada, respeitando o direito das Famílias de escolherem onde seus filhos estudem e das pessoas com deficiência de escolherem as escolas onde querem estudar. Nossas escolas públicas não estão preparadas e mal conseguem capacitar nossos jovens e prepará-los para o ensino superior e consequentemente para o mercado de trabalho. Dariam conta de prestar a devida atenção aos portadores de deficiência motora e intelectual? A realidade é que a APAE foi uma das melhores instituições criadas para orientar e dar suporte as famílias que vivenciam essa dura realidade, e o corte dessa verba seriam uma espécie de suicídio, uma vez que seus alunos, que em uma ampla maioria não estejam mais na fase escolar estabelecida pela meta ficariam desamparados. Bom seria se esses alunos pudessem freqüentar o ensino regular com a devida atenção que necessitam, mas infelizmente não é assim que funciona, e estamos longe de ter a devida condição e estrutura para isto.

Matéria na integra produzida originalmente para a "Revistas Expressão Livre"
- Ano 3, Edição 40, Setembro de 2013

Postado terça-feira, outubro 01, 2013 por Unknown

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Sinônimo de sexo frágil, a mulher desde os primórdios da humanidade foi tratada como um “subproduto” do homem. Uma figura que sempre esteve à margem da própria história, atenta as incumbências que não fugiam a vida privada. Educação dos filhos, cuidado com o lar e “serviços” matrimoniais, esse era o espaço que por séculos foi de direito exclusivo das mulheres. A injustiça histórica também é explicada pela bíblia, por Darwin e, principalmente, pelo ego masculino. Todavia, a afronta a esta cultura patriarcalista pré-história e hegemonia masculina, que culminou com a independência da mulher foi uma luta progressiva, uma verdadeira “guerra dos sexos” que perdura até hoje e escancara o machismo existente nas sociedades. 

No Brasil houve nomes importantes que marcaram nossa sociedade por suas lutas contra esses parâmetros como Mietta Santiago, uma escritora, advogada e uma das vozes feministas de maior repercussão no Brasil na década de 1920. A advogada foi responsável por perceber que o veto ao voto feminino era uma lei que contrariava a própria constituição de 1821. Mietta esclareceu a má interpretação do termo “cidadão”, visto na época como se referindo apenas aos homens. O resultado foi que o “Partido Republicano do Rio Grande do Norte”, aproveitando-se desta brecha, elegeu, em 1929, Luiza Alzira Soriano Teixeira, uma ação ousada para época que a tornou a primeira mulher na história do Brasil a ocupar um cargo político no país. Mas as conquistas não pararam por aí. Embora Mietta Santiago tenha ganhado judicialmente o direito de votar, somente no novo código eleitora de 1933 é que se foi estendido o direito ao voto e a representação política a todas as mulheres. Tamanha estranheza causou a conquista da advoga que até motivou o poema homônimo de Carlos Drummond de Andrade, “Mierra Santiago”, no qual ele deixa evidente o machismo arraigado naquela sociedade, onde os únicos direitos reservados as mulheres limitavam-se ao conforto de seu lar.

O combate a essa repressão ganhou evidencia e redesenhou o papel da mulher na humanidade a partir da década de 1960, quando os movimentos feministas se intensificaram pelo ocidente. Hoje uma das lutas que os movimentos feministas vêm travando incansavelmente contra a sociedade é o combate a violência domestica e familiar às mulheres. De suas inúmeras conquistas, a Lei de nº 11.340, promulgada em sete de agosto de 2006, é a mais emblemática de todas, porque com o vigor desta mesma lei, as brasileiras tiveram direitos mais delineados de proteção contra a violência e penas mais duras para quem ainda insiste em tais atos.

Considerada uma das três melhores legislações contra a impunidade no mundo, a “Lei Maria da Penha” é fruto da luta de Maria da Penha Maia Fernandes para condenar seu agressor, o professor colombiano Marco Antonio Heredia Viveros, com quem a biofarmacêutica foi casada. Em 1983, Marco Viveros tentou matá-la duas vezes, a primeira simulando um assalto, que a deixou paraplégica, e a segunda vez eletrocutada. Até a sanção da lei, o Estado brasileiro não punia adequadamente os casos de violência domestica, tanto que até 1997 ainda não havia sido tomado uma decisão sobre o caso de Maria da Penha e Viveros havia pego apenas dois anos de prisão em regime fechado desde o ocorrido.

A realidade da sociedade brasileira só passou a mudar devido a pressões de órgãos internacionais de combate a violência. O pontapé inicial deu-se quando, em 1998, Penha decidiu denunciar o seu caso à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, em conjunto com o Centro pelo Direito e a Justiça Internacional (CEJIL) e o Comitê da América Latina e o Caribe para a Defesa dos Direitos das Mulheres (CLADEM). Após analises e a falta de resposta do Governo brasileiro, a Comissão Interamericana condenou o Brasil por negligenciar o caso e, a partir desta condenação, houve mudanças no código Penal, de Processo Penal e Execução Penal para punir e erradicar a violência contra a mulher além de uma participação mais efetiva do Estado para reeducar a sociedade e colocar definitivamente um ponto final nesta violência exacerbada.

Apesar dos avanços e progressos no que se diz respeito ao combate a violência doméstica e familiar à mulher, o número de casos ainda é expressivo no país, e quando se trata desses atos, não ha distinção entre classe social, nível de escolaridade ou mesmo região. Um “mapa da violência contra a mulher”, divulgado pelo Instituto Sangari, aponta que mesmo com o advento da Lei Maria da Penha o número de casos de violência contra a mulher cresceu consideravelmente entre os anos de 1980 e 2010. Segundo dados, o número de mulheres assassinadas no Brasil cresceu cerca 217,6%, fazendo com que o país ocupe o 7º lugar no ranking mundial dos países com mais crimes praticados contra as mulheres.

Esses atos de violência doméstica e familiar não são um mal alheio e também repercute em nosso município. Segundo Rosaíne Lunardelo, à frente da Delegacia da Mulher desde março de 2008, o número de inquéritos instaurados chegam a ultrapassar 30 casos de agressões que geram lesões por mês, o que é um número bastante significativo em uma cidade de interior, mas esses são apenas os casos oficializados. “No meu primeiro ano cheguei a instaurar 100 inquéritos. Este ano, até agora, já estamos com cerca de 170 inquéritos instaurados”, comenta a Delegada. Apesar dos números preocupantes, Rosaíne destaca que isto é bom porque aponta que a mulher está mais confiante nas ações investigativas da polícia. “Esses números não significam que os casos de violência doméstica contra a mulher cresceram, significam que as mulheres estão tendo mais coragem de falar”, enfatiza.

Sobre seu papel, Rosaíne esclarece que a principal função do delegado de polícia é mediar os conflitos que repercute na sociedade e que essa “mediação de conflitos” é uma realidade das capitais que começou em Brasília e que está sendo trazida para o interior. Segundo conta, a maioria das mulheres que a procuram estão apenas buscando solucionar um problema familiar, e que existe uma preocupação latente com o bem estar do parceiro. Não raro, muitas mulheres acabam desistindo das denuncias, mas, segunda conta Rosaíne, a partir do momento que a agressão é formalizada, a denuncia contra o parceiro foge ao controle da vitima, passando o Poder Público a intervir por ela. “Ela só pode desistir da denúncia perante o juiz” ressalta a Delegada.

Rosaíne ainda comenta que a violência doméstica é sazonal, sendo no verão os seus índices mais altos; além disto, fatores agravantes como econômicos, desequilíbrio emocional e até mesmo períodos muitos longos de convivência entre o casal, como férias, podem geram um maior índice de violência. No entanto, essas agressões desmedidas, na maioria das vezes, são abafadas pela mulher, que “encoberta” seu agressor. “Não é possível entrar na mente de uma pessoa para saber o que se passa, mas os motivos para isso são inúmeros: medo, filhos, dinheiro...” esclarece. A Delegada ainda conta que há casos em que a vítima entre em desespero por medo de seu parceiro ser detido e dizem ter batido a cara no obro, no braço, enfim, qualquer desculpa que possa livrá-lo de uma condenação.

Indubitavelmente o advento da Lei Maria da Penha veio para reeducar a sociedade brasileira e Rosaíne ainda destaca a importância de Penha na luta contra a violência a mulher. Todavia, a cultura machista que tanto motivou os parâmetros da violência, tal como está hoje, foi um dos principais fatores que contribuiu para que crescêssemos em uma sociedade onde o homem ter vários relacionamentos é motivo de orgulho, e a mulher, de desonra. Hoje, ditados populares como “em briga de marido e mulher não se mete a colher”, já não são mais aceito pela ampla maioria, e muito menos pela Justiça Pública. “Isso são clichês sociais que precisam ser desmistificados”, realça Rosaíne Lunardelo. “Historicamente somos uma sociedade fundamentada no patriarcalismo e no machismo. Para a mulher era crime o adultério, a sedução, e crimes cometidos por decorrência de uma falha da mulher era justificável. Na esfera penal, crime à mulher motivado por adultério era tido como defesa da legítima honra e vigorou muito no Brasil na década de 1970 e 1980, mas hoje, claro, isso é insustentável”.

Fatores culturais não são fáceis de serem mudados, mas hoje há uma preocupação maior do Estado com relação à violência doméstica e as leis, mais severas, também contribuem para que essa realidade se transforme aos poucos. Em Paraíso será criado o Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, uma criação que há bastante tempo a delegada Rosaine Lunardelo vem lutando para conseguir. Sem dúvida é uma ferramenta a mais no combate da violência doméstica e familiar à mulher e um ambiente onde as mulheres terão mais segurança para falarem de seus problemas. Rosaine assinala que o ideal, inclusive, seria que a próprias denuncias não se iniciassem diretamente com um policial, de ambos os sexos, mas sim com um psicólogo ou uma assistente social, a fim de averiguar se o caso da mulher em questão seja mesmo de cunho policial. Neste aspecto, o Conselho da Mulher traria grandes avanços nas ações da polícia, e uma equipe feminina, como conta a Delegada, seria mais indicado para tratar desses assuntos; ao estar tratando de algo tão delicado como agressões do parceiro, uma equipe composta apenas por mulheres, incluindo uma médica legista, e não um médico, contribuiria para intimidar menos a vítima e facilitar o trabalho da polícia. Para denuncias em nosso município a mulher pode tanto procurar a Delegacia da Mulher, na Avenida Dárcio Cantieri, nº 1879, como entrar em contato através do disque denuncia, o número 181, ou contatando diretamente a Delegacia da Mulher através do fone 03535311138. Essa violência afeta, não somente a própria mulher, mas a todos os seus vínculos sociais. A única forma de dar um basta e evitar que mais vidas se percam é não ficar calado!

Por João Gustavo

Matéria na integra produzida originalmente para a "Revistas Expressão Livre"
- Ano 3, Edição 39, Agosto de 2013

Postado terça-feira, outubro 01, 2013 por Unknown

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julho 19, 2013

Lar São Vicente de Paulo - Foto TV Sudoeste
Os princípios católicos mais difundidos em todo o mundo sempre foram à valorização do amor a Deus e ao próximo. Todavia, ao longo dos séculos a Igreja Católica Apostólica Romana foi se afastando desses conceitos e se fortalecendo, principalmente, como uma importante Instituição política, monopolizando, principalmente, o conhecimento. Seu autoritarismo se perpetuou por séculos a fio; foi na Idade Média, porém, que se sentiu seu verdadeiro poder dominador. É fato que toda e qualquer religião é controlada pelos homens, e nós, seres humanos, somos falhos em inúmeros aspectos. Vez ou outra surge alguém com esse “nobre” sentimento cristão de perpetuação do amor ao próximo e marca na própria história da humanidade suas influências; a Sociedade São Vicente de Paulo, indubitavelmente, é uma dessas marcas que nos mostra o verdadeiro valor do “eu cristão” e nos faz questionar nosso papel social frente ao catolicismo e sobre o que faz realmente as religiões.

Fundada em Paris, em 1833, por Antônio Frederico Ozanam, a Sociedade Vicentina tem como patrono o santo São Vicente de Paulo, conhecido por sua piedade ao pobre e que dizia que “jamais devemos perder de vista o divino modelo! É preciso ver Jesus Cristo no pobre, e ver no pobre a imagem de Cristo”. Baseados no princípio da caridade ao próximo, a Sociedade São Vicente de Paulo se fortaleceu como uma instituição independente, sem perder seu caráter católico e obediência às autoridades eclesiásticas, buscando sempre estar em “sintonia” com a Santa Sé. O principal objetivo da sociedade é dar assistência às pessoas mais necessitadas, buscando sua edificação espiritual através da caridade. Ozanam dizia: “Que fazer para sermos verdadeiros católicos? Fazer o que agrada mais a Deus: Socorramos nosso próximo como fazia Jesus Cristo e coloquemos nossa fé sob a proteção da caridade. Vamos aos pobres!”.

Aberta a qualquer um que queira prestar serviços a quem mais precisa, os pobres, a Sociedade Vicentina encontra-se espalhada no mundo todo e está presente em diversos países das Américas e da Europa, como França e Inglaterra. No Brasil existe a maior concentração de vicentinos do mundo, sendo Minas Gerais a maior concentração do nosso país, segundo conta Leonardo Borges de Souza, presidente do “Lar São Vicente de Paulo”. Ele ainda revela que em todo o mundo existem cerca de aproximadamente 156 associações, espalhadas em inúmeros países.

Aqui, a comunidade vicentina presta serviços aos idosos que não podem estar sob os cuidados da família ou que estejam completamente sozinhos. Todavia, não é apenas o cuidado para com os idosos que torna alguém um vicentino, é o “apoio e ajuda a comunidade em geral”, enfatiza Leonardo. Mais conhecido na cidade como “Asilo São Vicente”, a entidade em si é uma obra unida à própria Associação Vicentina e que está presente na cidade desde 1933, como vila vicentina, mas somente em 14 de outubro de 1957 é que se estabeleceu como uma instituição oficial. “O asilo é uma parte jurídica ligada à Associação São Vicente de Paulo. Não é a maior parte da associação. É uma ramificação, podemos dizer”, esclarece.

A “Vila Vicentina” era uma comunidade com diversas casas que ficavam ao redor de onde hoje se estabelece a Instituição do Lar São Vicente. Era uma espécie de colônia e possuía cuidados bem diferentes dos de hoje. Com o aumento de idosos e a necessidade de mais acomodações, na gestão de Sebastião Caetano da Silva construiu-se um pavilhão que comportasse cerca de 30 pessoas, isso contribuiu para que se fosse desmanchando as casas que, já muito velhas, não compensando suas reformas. Leonardo recorda ter entrado na diretoria do Lar São Vicente de Paulo no termino do mandato de Sebastião Silva, como tesoureiro e Paulo Queiroz como presidente, dando continuidade ao projeto. “Na época as honras da inauguração do novo pavilhão foram feitas pelo próprio Sebastião. Embora tivéssemos dado continuidade ao projeto, a iniciativa das obras foram dele”, relembra.

Leonardo ainda conta que na Sociedade Vicentina de Paraíso há cerca de aproximadamente 120 membros ativos, e destaca a importância de alguns como Carmo Paschoini e do já falecido Amadeu Guidi. “Amadeu tinha uma filha que morava no Canadá, a Ana Maria Guidi, que em uma visita resolveu ajudar o asilo com uma parte da renda de um “carnaval brasileiro” que organizava lá mesmo, para ajudar os hospitais”, conta Leonardo Souza. Segundo ele, com parte da renda foi possível fazer mais ampliações no asilo, mas foi difícil administrar as obras devido à alta inflação, que na época chegou a 100%.

Vivem atualmente no asilo 72 idosos, que contam com a colaboração de funcionários que dão assistência em tempo integral aos moradores e de médicos que fazem visita esporádicas para ministrar remédios e cuidados especiais aos idosos. Embora sejam tratados com extrema dignidade e atenção, Leonardo revela que a maioria desses idosos preferiria estar vivendo com a família, mas que por motivos, na maioria das vezes financeiros, acabam indo parar ali. “Acho isso natural. Quem não gostaria de estar vivendo ao lado da família?”, destaca. Sobre o papel da família, ele conta que hoje em dia os familiares são mais presentes na vida de seus idosos, mas que nem sempre foi assim. “Os familiares tinham medo de deixá-los aqui e depois ter que buscar de volta, e desapareciam. Mas, hoje, graças a Deus, essa perspectiva mudou e muito”. No asilo esses idosos recebem cuidados de extrema qualidade e as sextas-feiras, com uma parceria entre a Unimed e Acqua Sport Natação, é doado a esses idosos um dia de lazer na própria Acqua Sport, para fugirem um pouco da rotina maçante.

No entanto, apesar de contar com parte da aposentadoria dos moradores e ter a isenções de alguns impostos, os custos com o Lar São Vicente ainda são muito altos, tendo que contar ainda, não somente com o apoio de vicentinos da cidade, mas com a própria comunidade paraisense. Leonardo ressalta a importância das festas beneficentes, como a própria “festa do asilo”, que se tornou uma tradição na cidade, para a obtenção de recursos que são revertidos para melhoramentos do próprio recinto e para arcar com gastos de comida e remédios para esses idosos. Neste aspecto vemos o quanto é necessário e importante a colaboração e participação do cidadão paraisense para o Lar São Vicente de Paula. As ações desses colaboradores do asilo refletem o ápice do amor humano; e esse amor e cuidado que tem como recompensa o bem estar dos nossos idosos merece nossa atenção e iniciativa. “Qualquer um pode contribuir, seja financeiramente, com doações e até mesmo dando atenção a esses idosos. Eles gostam de conversar!”, ressalva Leonardo Souza.

Por João Gustavo
Matéria produzida originalmente para a "Revistas Expressão Livre"
- Ano 3, Edição 38, Julho de 2013

Postado sexta-feira, julho 19, 2013 por Unknown

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julho 16, 2013

Imagem divulgação do Evento Skol Rock Paraíso
É parte da essência humana apreciar a música, não importando a época e o estilo. Através da música ouvimos histórias de lutas, de vidas e gritos por liberdade. Dentre tantos gêneros e estilos musicais que narram essas experiências, um em especial merece destaque por, desde a década de 1950, conquistar e fazer a cabeça de milhões de pessoas em todo o planeta. Originário dos Estados Unidos, o Rock n’ Roll é um gênero musical cujas suas raízes estão, principalmente, no R&B, a música negra americana, e que unia a este gênero um ritmo rápido e único, que agradava a inúmeros jovens que se identificavam com o estilo rebelde e ousado de seus cantores e bandas.

Bill Haley é considerado por muitos o precursor do Rock n’ Roll e teria sido ele próprio o responsável por popularizar o gênero musical na época, em meados de 1954. Depois de Haley, vieram Chuck Berry e Elvis Presley, este segundo, considerado o “rei do rock” justamente por apresentar ao mundo este gênero tão libertador que crescia e se popularizava cada vez mais entre músicos e cantores. Bandas que adotaram o rock e se consagraram no cenário musical até hoje são muito ouvidas como Rolling Stones, Beatles, The Animal e Queen, que, além de influenciam, serve de referência para as inúmeras bandas da atualidade.

Por sua importância é atribuído ao dia 13 de Julho o “dia mundial do rock”. A data é em homenagem a um dos concertos de rock mais famosos de todos os tempos, o “Live Aid”, um show de rock beneficente que foi televisionado para o mundo todo e que ocorreu simultaneamente na Filadélfia (nos Estados Unidos) e em Londres (na Inglaterra), em 1985. Tendo como objetivo combater a fome na Etiópia, país do continente Africano, a apresentação contou com a presença de grandes nomes da música como B.B. King, Black Sabbath, Bryan Adams, Mick Jagger, Tina Tunner, The Who, Queen, Elton John entre tantos outros nomes.

Deixando um pouco a história de lado, o fato é que o Rock n’ Roll se tornou um dos gêneros musicais mais ouvidos e aclamados da história da humanidade, sempre se inovando e renovando, atingindo geração após geração. Nada foge as suas influências e, apesar de São Sebastião do Paraíso ser uma cidade essencialmente sertaneja, os fãs e apreciadores deste gênero musical épico terão muito que comemorar no dia 27 deste mês. É que será realizado na cidade um concerto de rock inédito na Arena Olímpica, que contará com a atração principal a banda “Detonautas Roque Clube”, que na ocasião fará um tributo à banda “Charlie Brown Jr.”, do vocalista Chorão, falecido em março deste ano.

Outras bandas da cidade participarão do evento, tendo a oportunidade de dividir o palco com essas grandes feras do rock nacional. Uma delas é a “Over Sun”, que tem um ano e meio de estrada e vê nesta ocasião como uma oportunidade de poder mostrar seu som a um público maior. Túlio Santos, baterista da banda, diz que está muito ansioso pela ocasião. “Achei interessante a ideia de se criar um evento de rock aqui, que além de dar oportunidade para as bandas locais mostrarem seu trabalho é uma forma de prestigiar a galera que curte o rock em Paraíso”, conta.
Banda Over Sun  - Túlio é o segundo à esquerda 
De fato é uma boa pedida para quem aprecia outros estilos musicais alem do tradicional sertanejo. É guardar a data e esperar por este evento que tem tudo para ser um grande sucesso.

Por João Gustavo
Matéria produzida originalmente para a "Revistas Expressão Livre"
- Ano 3, Edição 38, Julho de 2013

Postado terça-feira, julho 16, 2013 por Unknown

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junho 19, 2013

Figura de grande destaque em São Sebastião do Paraíso, Monsenhor Hilário foi padre na paróquia de S. Sebastião por mais de 30 anos. Enfatizando a importância de seguirmos nossos sonhos e lutarmos por ele, ele nos concede uma rara entrevista, para falar um pouco da sua vida e de sua história ao longos desses 95 anos.

Poucas são as pessoas que recebem e abraçam o dom divino, um chamado de Deus para pregar ao mundo o bem ao próximo, o amor, a paz. Não é fácil e Jesus Cristo foi um dos exemplos maiores de como às vezes pode ser difícil difundir a Boa Palavra. No entanto, algumas pessoas nascem com este dom e deixam marcas profundas nas almas dos outros e, mesmo que o mundo seja mau, eles não desistem dos seus ideais. Ideais esses inerentes a vida e a própria alma. Contudo, amar é um dom e como define bem uma das passagens da Bíblia “Ainda que eu tenha o dom de profetizar e conheça todos os mistérios e toda a ciência; ainda que eu tenha tamanha fé, a ponto de transportar montes, se não tiver amor nada serei”.

Foi com um grande amor à fé e aos ideais de pregar a bondade através de sua mensagem que o Monsenhor Hilário Pardini, umas figuras religiosas mais notórias de nossa comunidade, chegou aos seus 95 anos, mais cheio de vida e ânimo do que nunca. Com mais de 70 anos de sacerdócio, bem humorado, o Monsenhor conta que ser padre foi à realização de sua vida e que se nascesse de novo, nasceria padre. “Mais vida eu tivera, mais padre eu seria. Pena a vida ser tão curta pra tão grande dom”, ele brada.

O dom para o sacerdócio, segundo ele próprio conta, brotou em seu coração quando era ainda um menino, na cidade de Guaranésia, onde nasceu e recebeu de sua mãe, mulher muito devota, a inclinação para a vida religiosa. Presente à missa em todos os domingos, o futuro padre se admirava ao ouvir os sermões que ouvia na igreja e gostava de imitá-los em casa.

De família unida ele revela que a experiência de reclusão no seminário, ainda bem jovem, foi bem difícil e, embora tivesse sofrido pela ausência do afeto da mãe, do pai e dos irmãos, Hilário Pardini fortalecia sua mente e se firmava no ideal de ser padre. “Foi um verdadeiro ‘batismo de fogo’”, traduz a dureza daquele momento. 

Sempre aplicado, Hilário conta com orgulho que na vida acadêmica, que envolvia os estudos de Filosofia e Teologia, buscou a fundo ser o melhor em sua turma. Tamanha dedicação possibilitou a ele conquistas que impressionavam por ser tão jovem. Após ter se formado no Seminário Maior de Belo Horizonte, em 1942, mudou-se para Poços de Caldas, para ser auxiliar do pároco da cidade. Após quatro anos, foi chamado para ser diretor do seminário de Guaxupé, onde ficou quatro anos e meio. Ele conta orgulhoso ter participado da formação de muitos padres. “Eu era diretor e ao mesmo tempo lecionava. Quando não tinha professor era eu que substituía” conta Monsenhor Hilário.

Após este período, o padre foi retirado de suas funções para se dedicar a outro grande projeto, o da construção do novo seminário de Guaxupé, onde hoje está instalado o Centro Universitário da Fundação Educacional Guaxupé - UNIFEG. Terminada a construção do Seminário, mudou-se para Paraguaçu, onde assumiu sua primeira paróquia, época em que já tinha 18 anos de carreira; lá ficou por seis anos e depois disto retornou à Guaxupé, onde foi pároco da Catedral por 13 anos. 

A chegada do Monsenhor Hilário a Paraíso se deu em 1980, para substituição do também icônico Monsenhor Mancini, que havia falecido. 

“Fui nomeado pela Provisão Diocesana no dia 24 de junho daquele ano”, ou seja, neste mês, está completando 33 anos de sua chegada a São Sebastião do Paraíso.

Quando chegou aqui, Hilário definiu em seu coração que deveria dedicar-se a parte pastoral e não queria ter outro título ou função que não fosse o de “pastor das almas”, termo com o qual traduz seu ministério aqui na cidade. “Eu queria ser aqui o Pedro da ‘pedra’ e o Paulo da ‘palavra’”, revela.

De fato, o Monsenhor Hilário foi uma pedra de segurança, na qual muitas pessoas puderam se apegar; e a palavra, que com certeza marcou muitas vidas e o tornou uma figura conhecida por seus sermões.

Em suas muitas atribuições, Hilário Pardini foi também diretor da “Rádio Difusora”, onde hoje funciona a “Rádio da Família” e em seu programa, “Lira Evangélica”, que ia ao ar todas as manhãs às 11 horas, dava palestras que falavam sobre a necessidade de gostarmos de nós mesmos, falava sobre o apóstolo Paulo e sobre a Vontade de Deus. Acerca dessa fase marcante de sua vida, ele conta bem humorado que algumas de suas frases ainda são lembradas pelas pessoas. “Outro dia, alguém me disse que nunca mais se esqueceu da frase ‘quanto mais se ferve a água, mais gostoso fica o café’, que eu falei há muitos anos”, recorda.

Para o Monsenhor Hilário, sua relação com Paraíso é a de um verdadeiro filho da cidade e ele fala com carinho da vida que teve aqui, definindo-a como uma terra muito acolhedora, a qual adotou como seu lar e que lhe correspondeu com o título de Cidadão Honorário.

Monsenhor vive sob os cuidados de Célia Alves da Silva, mãe de seu afilhado, do qual fala com muito carinho. Célia trabalha com o Monsenhor desde seus 17 anos, e representa uma figura materna para Monsenhor Hilário. “O difícil é ter um filho com 17 e outro com 95. São dois extremos. O de 95 é difícil fazer parar e o de 17 é muito parado”, conta Célia bem humorada.

De fato, Monsenhor Hilário para seus 95 anos é mais animado que muito jovem! Gosta de passear bastante e de ler. Muito culto nos lembra da importância de se ter um ideal na vida e nos deixa a lição de que quando se tem uma motivação, nada pode nos deter. Ele ensina que “o Espírito Santo é como a chuva. Cai igual para todos, mas produz efeitos diferentes”. 

Assim é a mensagem de amor, de fé e de esperança que pessoas com esse dom da palavra, como o Monsenhor Hilário Pardini, nos passa: a mensagem é uma só, mas produz efeitos diferentes em cada alma que toca!

Por João Gustavo e Rafael Cardoso
Matéria produzida originalmente para a "Revistas Expressão Livre"
 -  Ano 3, Edição 37, Junho de 2013

Postado quarta-feira, junho 19, 2013 por Unknown

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junho 17, 2013

Perdido na biblioteca da minha cidade, encontrei este romance que, de forma arrebatadora, surpreendeu-me. Um romance histórico sobre as raízes da minha cidade. Negra Efigênia é uma verdadeira obra prima!
Edição, arte e diagramação por Juvenal Marques

“Negra Efigênia” – paixão de senhor branco (Ed. Edicel, 1966), não é apenas um romance histórico narrado acerca de um triste e lamentável episódio ocorrido em nossas terras: a escravidão no Brasil. Muito alem disto, é o apelo a um passado que não se deve ser esquecido... um passado que transformou nossas vidas e ainda mantêm raízes de suma importância para o nosso desenvolvimento. Aos negros, hoje vítimas do preconceito, da intolerância e do estereótipo de marginalizados, deve-se o progresso de uma nascente “Paraíso” que sentia próximo o fim do tratamento e da condição que era posta aos africanos, que arrancados do seio de suas terras, trabalhavam de sol a sol sob a condição de meros escravos, de animais sem alma que nada mereciam.

Anajá Caetano, negra e descendente de angolanos da tribo dos “Quiôcos”, buscou tratar neste romance todas as raízes de sua cultura negra, desmistificando todo e qualquer estereótipo que ao longo das décadas a história estigmatizou. Em sua obra, ela narra o nascimento de São Sebastião do Paraíso e todo o desenvolvimento socioeconômico que a escravidão trouxe à região. Fundada à sombra se Jacuí, a paróquia dedicada a São Sebastião deu-se graças à doação de um lote de terras pela família dos Antunes Maciéis, na tentativa de apagar de seu passado a visão de “cangaceiros” que todas da região tinham de sua família.

Contudo, este é apenas o ponto de partida do romance que se desenvolverá tendo como uma das grandes personagens da obra a “Fazenda de Santa Isabel”, conhecida por todos da região como “Fazendo do Tronco” - devido ao tratamento cruel que dona Sinhá - a personificação de todo este período histórico, dava aos seus servos. Aliás, o romance se baseia praticamente em personagens caricatos, carregados de simbolismo, postos na trama cada um com o seu sentido. Talvez o teor de qualidade que esta jóia da literatura paraisense carrega, fundamenta-se na preocupação que a autora tem ao usar personagens com um sentido proposital, quase que como se fossem sinônimos para cada idealização deste período histórico. É isto que nos cativa e nos prende da primeira a última página.

Padre Thomás, figura fundamental n a trama, vê na liberdade dos escravos uma forma de impulsionar a economia regional, com base no que vinha acontecendo na província de São Paulo. Há um destaque na obra tratando a respeito do desenvolvimento econômico das fazendas que praticavam uma espécie de colonato, onde os escravos livres trabalhavam tendo um lote de terra onde podiam produzir para si mesmos, sendo motivados, assim, a produzir mais e mais. Alem disto, destaca-se também a religião. O padre, que via os negros escravos como ignorantes do ponto de vista religioso, tem sua visão amadurecida ao longo do romance, passando a enxergar o respeito mútuo que deveria haver entre as duas raças e suas crenças, que se fundiam em uma só.

Enfim, Anajá Caetano eterniza-se na história de nossa literatura municipal com este romance épico. Pouco se sabe a respeito da autora, mas o espírito de seus ancestrais podem ser sentidos em cada ritual narrado de forma sublime e fiel em “Negra Efigênia”. A linguagem impecável com que é contada faz da obra única.

Mais do que uma recomendação, “Negra Efigênia” é praticamente uma leitura obrigatória e o livro, perdido em sebos de todo Brasil é uma relíquia de valor incalculável para nossa cidade e pode ser lido gratuitamente na Biblioteca Municipal de São Sebastião do Paraíso, onde existem dois exemplares em razoável estado de conservação.

Matéria produzida originalmente para a "Revistas Expressão Livre"
 -  Ano 3, Edição 37, Junho de 2013

Postado segunda-feira, junho 17, 2013 por Unknown

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Cultura”, do latim “colere”, significa cultivar. Em suma podemos dizer que cultura é tudo aquilo que é produzido pelo homem e o identifica enquanto ser humano. Embora seja um conceito extremamente complexo e relativo, podemos ainda dizer que é a junção de tudo aquilo que define um povo ou sociedade; hábitos, culinária, língua, costumes, crenças, vestimentas e até mesmo o comportamento. É fácil traçar o perfil cultural de determinada sociedade e imaginar em um indivíduo todas essas características; o que não é fácil, porém, é imaginar em um país tão plural quanto o nosso características próprias.

A imigração foi um marco definitivo na história da sociedade brasileira e contribuiu para toda a nossa riqueza cultural. Desde a colonização até meados do século XX o Brasil recebeu um grande número de imigrantes europeus e asiáticos. E embora isso não tenha se dado em um processo inteiramente pacífico, contribui indubitavelmente para a consolidação da nação brasileira como um estado múltiplo: raças, crenças, costumes e ritmos.

Portugueses, espanhóis, africanos, italianos, alemães, franceses e japoneses. Esses foram os principais imigrantes que encheram nosso país com suas diversidades culturais e contribuíram para a miscigenação cultural aqui existente. Todavia, um desses grupos se destacou pelo grande número de imigrantes que desembarcaram no país: os italianos. Estimativas apontam que entre o século XIX e XX cerca de 1,5 milhões de imigrantes italianos vieram residir no Brasil.

Tendo sido em 1870 a chegada dos primeiros imigrantes italianos, o aumento dessa imigração se deu entre as décadas de 1880 a 1910. Fato este estimulado pela abolição da escravatura, pois os ex-donos de escravos não queriam admitir o trabalho assalariado para essa população que durante 300 anos trabalharam sobre um forte regime de opressão. Outro fator de extrema importância e que fez com que essa imigração também fosse planejada foram os ideais do “darwinismo social”, amplamente difundido pela comunidade científica da época e que basicamente dizia que uma pessoa podia conter características biológicas que a tornasse superior a outras. Embasado nesse conceito, o governo brasileiro, acreditando não ser possível se desenvolver por ser uma população basicamente composta por negros e mestiços, começou a planejar a imigração no país; e os italianos pareciam ser a melhor resposta para suas necessidades, pois alem de “brancos” eram católicos.

Um grande número de italianos se estabeleceu no sul e no sudeste e boa parte desses imigrantes vinha ludibriada pelas condições de morada no Brasil. Vendiam tudo o que tinham para tentar a vida aqui, fosse para trabalhar nas lavouras de café, indústrias e comércios ou simplesmente para empreender, como a família Matarazzo que construiu um verdadeiro império industrial no coração de São Paulo. Todavia, parte dessa imigração foi motivada pela crise de empregos na Itália no século XIX, devido à crescente industrialização no país.

Esse fluxo de imigrantes, porém, começou a diminuir no início do século XX, com a divulgação de noticias na imprensa italiana que apontavam as péssimas condições de vida no Brasil. Dentre essas notícias, algumas relatavam que esses imigrantes não podiam abandonar o Brasil por causa de dívidas feitas com os proprietários de terra, que muitas vezes arcavam com os custos das viagens. Com base nisto, o governo da Itália emitiu um decreto que proibia a imigração subsidiada desses cidadãos, o “Decreto Prinetti”. Alem disto, em 1920, Benito Mussolini com suas medidas protecionistas, começou a controlar rispidamente o fluxo de imigração.

São Sebastião do Paraíso foi uma das cidades do sudoeste mineiro que recebeu o maior número de imigrantes e se orgulha disto. Tamanho orgulho se demonstra no fato de, entre os anos de 1971 a 1972, na gestão do então prefeito Luiz Ferreira Calafiori, ter sido construída uma obra dedicada aos imigrantes italianos, lugar batizado como “Praça do Imigrante”, próximo a prefeitura e, em 1984, a Câmara de Vereadores outorgou o título de “cidadão-honorário post morten” aos italianos, como forma de agradecimento às contribuições dessa gente ao povo Paraisense.

Luiz Ferreira Calafiori, figura de grande importância para a história e cultura de São Sebastião do Paraíso, autor de diversas obras literárias, dentre elas “São Sebastião do Paraíso – história e tradição” destaca a importância cultural que a cidade tem ao privilegiar suas memórias. Segundo ele a construção do memorial na “Praça do Imigrante” foi uma forma de tornar viva essa lembrança da imigração, que com o tempo veio se perdendo. Documentos históricos apontam que a primeira leva de imigrantes italianos para a cidade deu-se no ano de 1893, e foi encomendada pelo Coronel Francisco Adolfo de Araújo Serra, no período da chamada “grande imigração”. Muitos dos escravos libertos naquele período acabaram se fixando nas próprias fazendas onde trabalhavam, mas o rápido crescimento da cafeicultura e a chegada das ferrovias para o transporte de carga tornava necessária mais mão de obra, que com o fim do tráfico negreiro e logo depois a escravidão, tornou-se escassa.

O sudoeste mineiro foi uma das regiões que recebeu o maior número de imigrantes no Brasil, o que contribuiu para que grande parte da população paraisense fosse composta por descentes. “Hoje eu não acredito ser tanto, mas há 20 anos cerca de 50% da população paraisense era composta por descendentes de imigrantes e sua maioria era italiana”, enfatiza Luiz Ferreira.

Embora tenha tido grande influencia na formação de Paraíso, a pouca herança cultural que restou desses imigrantes veio se perdendo com o tempo. A explicação é simples, porém de uma complexidade profunda. Com o governo de Getúlio Vargas e a Segunda Guerra Mundial estourando lá fora, muitos desses imigrantes foram perseguidos. A Itália pertencia ao “Eixo”, na Segunda Guerra, composto também por Alemanha e Japão; era natural que esses italianos torcessem por sua nação na guerra, entretanto isso não era aceito aqui. O Brasil por interesses econômicos ficou ao lado dos Aliados, composto pela EUA, Inglaterra e França. Mas apesar de na época vivermos um estado fundamentado pelos ideais do “Eixo”, a nação brasileira manteve certa neutralidade até o ano de 1942, quando submarinos alemães e italianos iniciaram um ataque contra as embarcações brasileiras no oceano Atlântico. Foi assim o Brasil definiu seu rumo na guerra.

Luiz Ferreira conta que essa guerra foi um fator decisivo para arrefecer esse sentimento de orgulho italiano. Na época houve uma opressão muito forte e perseguições a possíveis “elementos” do “Eixo”. As noticias que vinham da Europa e eram transmitidas pelo rádio eram recebidas com expectativa por esses imigrantes que, segundo conta Luiz, eram vigiados até mesmo por vizinhos.

É notável a importância que esses cidadãos tiveram, não apenas para a cidade, mas para as vidas dos cidadãos. A imigração italiana foi um marco na construção da comunidade paraisense e suas influências, mesmo que timidamente, ainda podem ser sentidas. Embora grande parte da população negligencie suas próprias raízes culturais e as deixe de lado, o dia da imigração é uma data que merece ser lembrada e exaltada, afinal, o que seria do Brasil – e da cidade de São Sebastião do Paraíso – sem a imigração? Certamente um país monocromático.

Por João Gustavo
Matéria produzida originalmente para a "Revistas Expressão Livre"
 -  Ano 3, Edição 37, Junho de 2013

Postado segunda-feira, junho 17, 2013 por Unknown

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maio 20, 2013

No dia 30 de abril de 2009, foi revogada a “Lei de Imprensa” que, instituída no período ditatorial no país, buscava controlar e punir de forma mais dura os jornalistas, evidenciando todo o autoritarismo daquele regime. Considerada uma herança da ditadura, o Supremo Tribunal Federal, revogou essa lei que era pautada pelo arbítrio e punição, o que não justificava sua utilização nos dias de hoje afirmando que as leis do código penal e cível dariam conta dessas questões que dizem respeito à própria imprensa. Sendo um assunto muito complexo, liberdade de imprensa é um conceito constantemente discutido na mídia, e, como sempre, geram polêmicas infinitas. 

Três de Maio é o “Dia Internacional da Imprensa”, data criada pela UNESCO em 1993 e que celebra a liberdade do profissional da comunicação para investigar e publicar informações de interesse comum a sociedade. Conceito amplamente discutido, a liberdade de imprensa sempre foi um problema para grande parte das instituições no país. Este ano o tema da UNESCO para comemorar a data é “Falar sem medo: assegurando a liberdade de expressão em todas as mídias”, para lembrar a constantes violências e mortes de jornalistas que parecem ter se tornado frequentes no país e no mundo. 

Recentemente o assassinato de dois jornalistas no Vale do Aço, em Ipatinga, causou estardalhaço na mídia e chamou a atenção do publico para esta questão. O relatório da FENAJ – Federação Nacional dos Jornalistas – aponta que em 2011 houve cerca de 60% de casos de violência contra os jornalistas em todo o Brasil e que desses 60%, 45% dos casos são agressões físicas e verbais, evidenciando a dificuldade das autoridades e da sociedade em conviver com os profissionais da informação. O relatório ainda revela que 17% dos casos que motivam esse tipo de violência são denuncias contra políticos ou a má administração pública. É justamente este ponto que chama a nossa atenção. 

Sobre a liberdade de imprensa em nossa cidade, o jornalista e fundador do “Jornal Sudoeste”, Nelson de Paula Duarte, conta que nunca houve problemas sérios com relação ao que é divulgado à população paraisense, mas destaca o fato do conceito “liberdade de imprensa” ser algo relativo e que, mesmo veladamente, há uma espécie de censura por aqui. Nelson conta que recentemente publicou uma matéria sobre o “Pronto Socorro” e que a Secretária da Saúde, que não na ocasião não quis conceder entrevista ao Jornal Sudoeste, ligou questionado, com certa veemência a reportagem depois de publicada. Ele destaca o fato de ter feito a parte que cabe ao jornal e enfatiza a dificuldade que os funcionários públicos de São Sebastião do Paraíso têm em dar satisfações à população paraisense. “Ás vezes eles tentam impedir que você publique algo assim”, conta Nelson Duarte. “Quando não conseguem, ou não ficam sabendo o que publicaremos e que por algum motivo lhes escapam ao controle eles tentam pressionar depois”, revela. 

Embora essas dificuldades sejam decorrentes da área de atuação, se comparamos ao regime militar houve um progresso considerável. Nelson recorda que quando trabalhou com rádio nos anos 70, tudo era extremamente regulado pelos censores e que, embora a “Folha de S. Paulo” tenha dito que vivemos uma espécie de “ditabranda”, só veio a entender tempos depois o porquê do “Estadão” publicar trechos da obra “Os Lusíadas”, de Camões, naquele período. 

Fatores de risco sempre foram muito presentes do dia a dia de um jornalista. Existem situações que dificultam o trabalho do profissional da área de comunicação, as quais podem colocar sua vida em apuros. Nelson conta que já sofreu várias ameaças ao longo de sua carreira, mas nada que levasse em consideração. Hoje, pela experiência adquirida, ele tem ciência da importância de se tomar cuidado com algumas coisas, recordado o incidente no Vale do Aço, em Ipatinga. 

O bipartidarismo em nossa cidade é outra questão notável e Nelson aponta o costume de algumas pessoas lerem o jornal nas “entrelinhas”, sempre buscando no que é publicada nas matérias uma aliança política. Sobre a importância dos anunciantes, ele ainda conta que apesar de necessários, nunca trocou a opinião do jornal por anunciantes, e que por isto já sofreu grandes dificuldades financeiras para manter o Jornal Sudoeste funcionando ao longo desses 28 anos. “É um jornal pequeno e logicamente tem dificuldades próprias do meio, mas nunca abri mão da minha opinião por anúncios”, afirma. 

É preciso entender a importância que a imprensa tem para a sociedade, seja ela em grandes centros urbanos ou até mesmo em cidades pequenas como São Sebastião do Paraíso. Informar, conscientizar e tornar seus cidadãos mais pensantes é indiscutivelmente o papel da mídia. Portanto, cabe a imprensa tornar seu poder disseminador da informação uma ferramenta para o bem comum, da forma mais ética possível. Para alem disso, também cabe aos órgãos públicos e a própria população paraisense colaborar com a mídia local, fornecendo informações que, sem dúvidas, são de interesse da nossa comunidade. Só temos a ganhar. Pense nisso! 

Matéria produzida originalmente para a "Revistas Expressão Livre"
 -  Ano 3, Edição 36, Maio de 2013

Postado segunda-feira, maio 20, 2013 por Unknown

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