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outubro 01, 2015


Considerado a “porta de entrada” para diversas universidades estatuais e federais do país, o Exame Nacional do En-sino Médio, o Enem, está próximo de acontecer. As provas estão marcadas para os próximos dias 24 e 25 de outubro; as inscrições se encerraram no último dia 5 de junho. Expectativa, de acordo com o Ministério da Educação (Mec), é que mais de oito milhões de alunos realizem as provas, no entanto, apesar de expressivo, o número que foi divulgado por balanço apresentado pelo Mec, chega a ser 10,67% menor que em 2014 e interrompe uma sequência de recordes que era registrada desde 2008, período que foi anunciado reformulação que aconteceu em 2009.

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, o INEP, divulgou na sexta-feira, (25/9), que o exame deste ano terá modificações em relação a anos anteriores, como a mudança de horário e punição para quem obter isenção de taxa e não comparecer na realização das provas.

De acordo com o presidente do Inep, Chico Soares, as alterações serão para a segurança dos próprios inscritos. Neste ano, os portões de acesso às salas de aulas serão abertos ao meio-dia e fechados às 13h, sempre no horário de Brasília, e as provas serão entregues aos candidatos às 13h30.

“Com todos os alunos na sala, os detectores de metal podem ser passados de acordo com a conveniência dos fiscais. Os malotes com as provas serão abertos apenas com os estudantes dentro das salas, com o testemunho de alunos e de fiscais; é uma mudança pequena, mas importante”, relata o presidente do instituto.

Os participantes do Enem farão quatro provas objetivas, cada uma com 45 questões de múltipla escolha e uma prova de redação. No sábado, 24 de outubro, serão realizadas as provas de ciências humanas e suas tecnologias e de ciências da natureza e suas tecnologias, com duração de 4 horas e 30 minutos, contadas a partir da autorização do aplicador. No domingo, 25, será realizada a prova de linguagens, códigos e suas tecnologias, redação e matemática e suas tecnologias, com duração de 5 horas e 30 minutos.

Apesar do cansaço que a “maratona” Enem causa aos participantes, há quem ainda não está em fase de conclusão do ensino médio, mas quer ter essa primeira experiência. É o caso da estudante Vitória Castro, de 16 anos, que está no segundo ano do Ensino Médio. “Farei a prova justamente como uma primeira experiência. Estou estudante bastante, principalmente a questão da redação. Na escola temos feito redações todas as semanas, sempre em contato com fatos da atualidade, que é bastante cobrada na redação. Espero que este ano haja um maior comprometimento com a correção das provas e, principalmente das redações, que tem mais peso na avaliação. Já cheguei a ler casos de redações em que alunos escreveram receitas de cozinha e foram melhores avaliados que outros alunos que levaram a sério o tema proposto”, salienta a estudante.

A redação é um dos processos mais complexos para a realização do exame e é uma preocupação levada a sério pela professora de português da Escola Benedito Ferreira Calafiori, Cláudia Helena Zanin, responsável pelo sucesso da maioria de alunos que vem conseguindo, ao longo dos anos, destacar-se na parte escrita do exame. Claudia Zanin relata que seus alunos têm se preparado com muito empenho para o dia.

“Estamos exercitando a construção da tese, a escolha dos argumentos e possíveis propostas de intervenção. A maior dificuldade deles é interpretar o tema sem tangenciá-lo. Redigir a tese é a tarefa mais complexa da redação, já que ela é o “coração” do texto; os argumentos e a conclusão defendem e sustentam a tese”, conta a Cláudia Zanin.

De acordo com Cláudia, as competências 2 e 3 da prova avaliam o conhecimento da estrutura do texto dissertativo-argumentativo e também se o candidato desenvolve o tema de forma consistente, configurando a autoria na defesa do ponto de vista. “Para tanto, é preciso ser um bom leitor de textos jornalísticos, especialmente de artigos de opinião, editoriais, entrevistas, ensaios, cartas do leitor, ou seja, textos que apresentam um ponto de vista. Acompanhar a mídia jornalística é fundamental para quem quer alcançar uma nota superior a 700 na redação do ENEM. Outra dica é melhorar o tempo, outro dificultador da redação”, ressalta a professora.

Cláudia Zanin orienta que os alunos façam um projeto de texto no momento em que iniciar a prova, que ajuda a organizar as ideias e não perder a coerência do raciocínio. Depois de resolver as 90 questões de Língua Portuguesa e Matemática, é preciso que o aluno desenvolva as ideias que foram previamente selecionadas e acrescentar outras que forem pertinentes, ganhando tempo para finalizar a redação. “A conclusão no ENEM deve apresentar propostas de intervenção claras e bem detalhadas, não basta apenas citá-las, ou seja, precisam ser exequíveis e coerentes com a argumentação desenvolvida no texto”, salienta.

Sobre os possíveis temas que devem ser cobrados na prova deste ano, Cláudia comenta que os temas da redação no ENEM são sempre voltados para questões sociais e as apostas são inúmeras: a crise hídrica, o papel da mulher na sociedade brasileira, o conceito de família, a clonagem terapêutica, o lixo e a logística reversa, a violência escolar e o bullying, dentre outros. “Seja qual for o tema, o importante é estar sempre atualizado e saber formar uma opinião com argumentação consistente, que respeite os direitos humanos. Um conselho aos candidatos? Procure boas fontes de textos jornalísticos e antecipe pontos de vista sobre variados temas, lembrando que ao defender uma opinião é preciso saber defendê-la e propor soluções”, completa a professora Cláudia Zanin.

PROVAS

Os candidatos que irão realizar as provas nos próximos dias 24 e 25 de outubro, devem se ater aos horários e locais das provas. Como previsto, a abertura dos portões deve acontecer ao 12h e terão os fechamentos programas para 13h, não sendo admitido nenhum atraso.

O ENEM

Conforme o INEP, o Enem visa democratizar o acesso às políticas públicas de educação. Com a nota obtida no Enem, o estudante pode tentar uma vaga na educação superior por meio do Programa Universidade para Todos (ProUni), que permite ao estudantes de baixa renda obter bolsas de estudos integrais e parciais (50% da mensalidade) em instituições particulares de educação superior, além de ser requisito para a obtenção do benefício do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), participação no programa Ciência sem Fronteiras e ingresso em vagas gratuitas dos cursos técnicos oferecidos pelo Sistema de Seleção Unificada da Educação Profissional e Tecnológica (Sisutec). Estudantes maiores de 18 anos podem, também, obter a certificação do ensino médio por meio do Enem, caso atinja a média recomendada.

Matéria Publicada para edição 1933 do Jornal do Sudoeste,
São Sebastião do Paraíso/MG

Postado quinta-feira, outubro 01, 2015 por Unknown

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setembro 17, 2015

Alunos fizeram apresentação de seus trabalhados práticos e palestraram sobre os conhecimentos adquiridos no curso

O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial, o Senai, realizou em São Sebastião do Paraíso a “3ª edição do Mundo Senai” no município. O evento que aconteceu nos dias 10 e 11 de setembro, teve por objetivo abrir as portas da unidade para apresentar aos cidadãos paraisenses e região, que tenham interesse em uma qualificação profissional e tecnologia, os caminhos oferecidos pela instituição.

Conforme destaca a pedagoga e diretora da unidade de Paraíso, Gisele Antunes Rocha, o evento acontece pela terceira vez no município, mas é realizado em todo o Brasil e já está em sua 7ª edição. “O Senai abre as portas para a comunidade e o empresário conhecer o trabalho e a estrutura oferecida tanto para a capacitação profissional, quanto de inovações e pesquisas”, conta.

O Senai oferece algumas modalidades de cursos como aprendizagem industrial, que atende jovens de 14 a 23 anos. Gilese conta que esta modalidade de aprendizagem é uma formação inicial onde o jovem entra com cerca de 14 anos e ao longo de 6 meses de desenvolve na área escolhida, preparando-se para o mercado de trabalho em áreas como Recursos Humanos, Gestão Financeira, Atendimento ao Público, entre outras.

A estudante Carolina Pedroso Nogueira de Souza, de 18 anos, fez o curso de aprendizagem em Processos Administrativos e atualmente trabalha junto a Copasa sobre a coordenação da encarregada do departamento de Recursos Humanos, Diolina Gonçalvez Duarte. Carolina ressalta a importância do Senai em sua formação profissional e às oportunidades que vêm conseguindo graças aos estudos.

“O curso que eu realizei aqui me ajudou muito. Antes eu já havia feito um curso de ‘qualificação em administração’ e foi justamente por isso que eu retornei e fiz ‘processos administrativos’. Ajudou-me muito, principalmente na atuação; tudo o que nós aprendemos aqui, usamos no dia-a-dia do trabalho”, relata

A encarregada do RH da Copasa, Diolina Duarte, destaca a importância de as empresas participarem desse desenvolvimento do jovem e em como o Senai vem contribuído para a incursão do estudante no mercado de trabalho.

“Os jovens reclamam muito sobre a falta de oportunidades e principalmente em como as empresas vêm exigindo experiências sem ao menos dar a oportunidade a eles de adquirí-las. Quando o jovem chega na Copasa, eu os ouço, ouço suas expectativas e o que eles esperam da empresa, diante disto encaminho cada um ao departamento que melhor se encaixa em seu perfil”, completa Dionlina.

Conforme destaca a diretora na unidade, Gisele Rocha, os cursos possuem uma duração curta de três a seis meses, onde o aluno já sai preparado para o mercado. “É satisfatório ver os resultados e acompanhar todos esse processo. Embora os cursos de aprendizado só atendam a uma certa idade, há também a modalidades de aperfeiçoamento profissional, onde aquele trabalhador que já tem uma experiência e já atua em determinada área, pode buscar ampliar esses conhecimentos”.

A demanda dos cursos oferecidos pela Unidade, segundo a diretora, é muito alta. Gisele estima que cerca de 200 alunos passam pelas turmas do Senai em todos os períodos, mas destaca a alta rotatividade dos cursos com devido a curta duração. Ainda, conforme ela, os cursos de aprendizagem são gratuitos e os alunos não têm nenhum custo.

“Os cursos de aprendizagem ainda têm uma vantagem porque podem gerar contratos de trabalhos com alguma empresa, mas nós alertamos aos alunos que a intenção e objetivo do Senai é oferecer a formação profissional, não somos nós que contratamos. No entanto, nós colocamos nossos alunos a disposição das indústrias. A empresa que protocola um requerimento de ‘jovem aprendiz’, pode vir a firmar um contrato de trabalho com o aluno, que pode ser remunerado para fazer o curso e até por exercer a prática na empresa”, salienta a diretora.

Gisele Rocha conta que para o próximo ano, o Senai irá disponibilizar três novos cursos: técnico em mecânica, técnico em informática e técnico em eletrotécnica. A diretora também conta que a demanda por esses cursos está bastante elevada e que há, inclusive, alunos de turmas atuais que procuram por esses cursos. “Outro curso bastante demandado é o de elétrica industrial, muitos interessados tiveram que entrar na lista de espera por conta da indisponibilidade de vagas”, relata.

Hoje, a estrutura do Senai de Paraíso atende principalmente às áreas de Gestão, Informática, Vestuário, Mecânica e Elétrica. No entanto, a diretora salienta que existem demandas de outras áreas e que dependendo da necessidade da comunidade, o Senai, caso não tenha estrutura para atender a demanda, por meio de parceria com empresas, é capaz de realizar a capacitação solicitada. “Nós podemos ceder o espaço para o aprendizado teórico e a empresa oferecer a estrutura para o aprendizado prático”, salienta Gisele.

Ao longo de todo o dia, o Senai apresentou os cursos oferecidos pela unidade e alunos fizeram exposições de seus trabalhos desenvolvidos em sala de aula. Houve também palestras na área de gestão sobre Legislação Trabalhista; informática, com mini-curso de Excel oferecido aos visitantes; e palestras na área de Costura sobre Tendências de Modas.

SENAI

Localizado na rua Tenente José Joaquim, n° 1512, no bairro Nossa Senhora Aparecida, esquina com a Avenida Zézé Amara, o interessado que queira conhecer o Senai e saber mais sobre os curso que são oferecidos, horários e disponibilidade de vagas pode procurar diretamente a unidade ou entrar em contato através do telefone  (35) 3558-1365, de segunda a sexta-feira durante horário comercial.

Matéria publicada na edição 1928 do Jornal do Sudoeste
São Sebastião do Paraíso

Postado quinta-feira, setembro 17, 2015 por Unknown

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outubro 01, 2013


A pouco mais de um mês e meio, a população brasileira saiu às ruas para dar voz a sua insatisfação com as diretrizes governamentais, focada atualmente em tornar a Copa do Mundo e as Olimpíadas um dos melhores eventos que o planeta já viu ao invés de melhorar a saúde pública, o transporte e a educação brasileira. É fato que a situação dos brasileiros vem melhorando muito nos últimos anos, mas ainda está longe de ser o ideal. Uma prova disto é a nossa posição no IDH (índice de desenvolvimento humano), que mede a qualidade de vida da população mundial a longo prazo com base na qualidade de vida, acesso ao conhecimento e a um padrão de vida descente; mantivemos a posição estando em 85º lugar. Embora este índice seja considerado alto é incoerente, afinal, se temos uma das maiores cargas tributária do mundo, evidentemente deveríamos estar entre os países de primeiro mundo, não?

O ponto é que a educação não evolui muito, o analfabetismo, principalmente o funcional, ainda é uma realidade e o acesso ao conhecimento e a cultura, um dos maiores desafios. Desafios estes que vem encontrando mais dificuldades a cada dia e gerando mais revolta, insatisfação e polêmicas. 

A mais recente envolve o PNE (Plano Nacional de Educação), que visa à erradicação do analfabetismo, a universalização do atendimento escolar, a melhoria da qualidade de ensino, a valorização do profissional da educação, entre outras questões importantes. 

O Plano Nacional da Educação foi criado para vigorar de 2011 a 2020; apresenta dez diretrizes objetivas e 20 metas, seguidas das estratégias específicas de concretização, sendo a meta 4, a que garante o acesso da criança portadora de alguma deficiência, motora ou intelectual, de 4 a 17 anos ao ensino regular. Este é uns pontos mais importantes do PNE e que, no entanto, sofreu algumas mudanças radicais, gerando um mal estar generalizado na sociedade. 

O PNE, até o presente, momento não foi votado, o que deixa brechas para que a mudança da Meta 4 ainda seja revogada.

A mudança propõe que todos os jovens portadores de alguma deficiência estejam matriculados na rede regular de ensino até 2016, sem que haja nenhum mediador, no caso as APAEs, que prestam ensino especializado para preparar esses alunos a rede pública de ensino. O projeto, de José Pimentel (PT-CE), visa cortar os repasses de verbas governamentais às APAES, a fim de valer as novas diretrizes propostas na reformulação da meta 4, culminando com o enfraquecimento das mesmas.

META 4
COMO ERA:
"Universalizar, para a população de 4 (quatro) a 17 (dezessete) anos, o atendimento escolar aos(às) alunos(as) com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, preferencialmente na rede regular de ensino, garantindo o atendimento educacional especializado em salas de recursos multifuncionais, classes, escolas ou serviços especializados, públicos ou comunitários, nas formas complementar e suplementar, em escolas ou serviços especializados, públicos ou conveniados."
APÓS A MUDANÇA:
"Universalizar, para a população de 4 (quatro) a 17 (dezessete) anos, o atendimento escolar aos estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação na rede regular de ensino".

A visão dos paraisenses acerca do polêmico projeto

Ademar Paschoalino, diretor da APAE de São Sebastião do Paraíso
A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) nasceu no Rio de Janeiro em 1954, com a meta de prestar assistência a crianças e jovens portadores de deficiência, priorizando aquelas com deficiência intelectual e múltipla. Um projeto pioneiro no país, que até então não dava a devida assistência a portadores de deficiências e que veio se espalhando por todo o território nacional ao longo dos anos. Hoje as APAEs estão distribuídas em mais de 2 mil municípios atendendo cerca de aproximadamente 250.000 pessoas com deficiência. O ultimo censo do IBGE, de 2010, aponta que cerca de 45 milhões de brasileiros são portadores de algum tipo de deficiência (entre visual, auditiva, motora e intelectual), esses números expressivos correspondem a cerca de 14,5% da população total, sendo grande parte desse número dependente do ensino especializado. 

A APAE de São Sebastião do Paraíso vem prestando esses serviços especializados de altíssima qualidade desde 1975 e garantido o direito dos portadores de deficiência motora e intelectual a uma vida mais digna, tanto do ponto de vista pedagógico, quanto técnico. Ademar Paschoalino, diretor da APAE há quase seis anos, destaca o papel filantropo da Associação, que garante a assistência médica e pedagógica e esses alunos que carecem de atenção especial, sem cobrar nada. “Atendemos entre os alunos de dois turnos em torno de 278, e uma média de 48 que vem só para atendimento durante a semana. Existem alunos que já foram incluídos no ensino regular e que acabaram voltando para receber novamente este atendimento”, conta Ademar. 

Assim como todas as pessoas envolvidas com o trabalho sério e os serviços de alta qualidade prestados pelas APAES no Brasil a fora, Paschoalino também é contra a proposta de inclusão; segunda conta isso acaba tendo um efeito contrario. “A proposta é inadmissível. Foi feita por pessoa que não tem acessibilidade de entender o que é o aluno especial, o deficiente físico. Essa proposta faz com que o aluno não seja incluído, seja excluído. Tivemos casos de alunos que pararam de comparecer em qualquer tipo de escola por não ter como se locomover ou até mesmo por não ter um atendimento adequado que deveria ser dado a eles”, conta Paschoalino. 

Marcos Vinicius Aloise, fundador da INTEGRAR, a Associação de Portadores de Necessidades Especiais, destaca que o projeto é um verdadeiro retrocesso em vista do quanto já se ganhou com as APAES nos últimos anos. Vítima de um acidente automobilístico que o deixou tetraplégico, há dezenove anos, Marcos destaca o suporte que nossas escolas não têm para o atendimento a alunos com deficiência. “Como se leva um aluno hoje, que tem uma sonda gástrica, por exemplo, que precisa trocar uma fralda, que tem que ter um cuidado especial a uma escola onde não se tem preparo nenhum a nível técnico?”, questiona. 

A INTEGRAR, fundada há oito anos vem lutando pelos direitos coletivos das pessoas com deficiência, promovendo a inclusão desses cidadãos no convívio social, tanto no âmbito do trabalho como na própria sociedade civil, promovendo a quebra de paradigmas e lutando contra os preconceitos que, infelizmente, ainda são latentes em nossa sociedade. Um trabalho de “formiguinha”, como ele próprio define, que vem sido feito aos poucos e gerando algum resultado, apesar de encontrar inúmeras limitações. No entanto, as diversas rampas que vem sendo construídas em Paraíso não resolvem muito o problema, uma vez que as calçadas, em estado deplorável em sua ampla maioria, atrapalham na locomoção, não apenas dos cadeirantes, mas também de pessoas com alguma dificuldade de locomoção, como idosos, por exemplo.

A presidente da FENAPAEs – Federação Nacinal das APAEs – Aracy Lêdo deixou claro que o Movimento das APAEs é a favor da inclusão, desde que esta seja realizada de forma adequada, respeitando o direito das Famílias de escolherem onde seus filhos estudem e das pessoas com deficiência de escolherem as escolas onde querem estudar. Nossas escolas públicas não estão preparadas e mal conseguem capacitar nossos jovens e prepará-los para o ensino superior e consequentemente para o mercado de trabalho. Dariam conta de prestar a devida atenção aos portadores de deficiência motora e intelectual? A realidade é que a APAE foi uma das melhores instituições criadas para orientar e dar suporte as famílias que vivenciam essa dura realidade, e o corte dessa verba seriam uma espécie de suicídio, uma vez que seus alunos, que em uma ampla maioria não estejam mais na fase escolar estabelecida pela meta ficariam desamparados. Bom seria se esses alunos pudessem freqüentar o ensino regular com a devida atenção que necessitam, mas infelizmente não é assim que funciona, e estamos longe de ter a devida condição e estrutura para isto.

Matéria na integra produzida originalmente para a "Revistas Expressão Livre"
- Ano 3, Edição 40, Setembro de 2013

Postado terça-feira, outubro 01, 2013 por Unknown

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maio 20, 2013

Há exatos 125 anos era assinada pela princesa Isabel uma lei que tornavam no país todos os escravos livres. Foi um ato simples e rápido se compararmos com a longa história de escravidão do Brasil, mas isto e todo seu significado, fez do “13 de maio” uma data épica, que merece ser lembrada e que simboliza a luta do negro por seu merecido espaço na sociedade.

O impacto que a escravidão teve para o país, sua cultura nacional e sociedade em geral foram de proporções imensuráveis. O trabalho escravo instituiu valores que se agregaram a nossa nação e que até hoje podem ser observados, tal como o preconceito racial e social, pois após a abolição da escravatura esses negros foram postos à margem da sociedade, sendo sua mão de obra substituída pela mão de obra imigrante. Inicialmente o trabalho escravo indígena era à base trabalhista no continente, mas com a chegada dos padres jesuítas e a intenção da Igreja de trazer às novas terras o cristianismo fez com que a prática fosse abolida logo no começo, impondo a esses indígenas um acentuado processo de aculturação.

Visto como uma alternativa, por séculos o tráfico negreiro instituiu e impulsionou a economia da Coroa Portuguesa, tendo sido o fator determinante para a construção do caráter da nova “civilização” que aqui nascia. Pouco valorizado, o trabalho braçal passou a ser enxergado como algo a ser feito por negros. O escárnio dessa população vinha desde seu tráfico, transportados em porões de navios sob condições subumanas, ate as condições de morada na colônia portuguesa, vivendo em senzalas e sendo criados como animais.

No entanto, os mais de 300 anos de repressão e trabalho forçado não foram enfrentados em silêncio. Houve conflitos diretos, fugas e formações de colônias de negros conhecidas como “quilombos”, onde buscavam encontrar a paz e aceitação para viver. Alem disto, a resistência ao processo de aculturação foi também uma forma de se auto-afirmar enquanto africanos diante daquele povo dominador que podiam lhes tirar tudo, exceto sua cultura. E é justamente essa resistência que estigmatizou a cultura negra em nossa nação. Da língua à culinária, nossas raízes africanas perduram até hoje.

O papel dos escravos na construção da nossa cidade é de valor inquestionável, mas pouco se sabe a respeito do processo de escravidão em São Sebastião do Paraíso. Nesse contexto e para explicar como se deu tal processo histórico em nossa região surge Anajá Caetano, uma escritora paraisense que colocara a importância e o indiscutível papel do negro em nossa comunidade - do período da escravidão à sua abolição, em 1888.

Anajá Caetano, filha de criação de um dos intelectuais mais importantes da história de Paraíso, o Dr. José de Souza Soares, publicou em 1966 o romance histórico “Negra Efigênia - Paixão do Senhor Branco”, onde retrata a formação da cidade de S. S. do Paraíso. Esse romance de costume foi escrito a partir de memórias da era áurea em que, quando menina, Anajá ouvia do pai histórias sobre o período colonial e os incidentes históricos que marcaram a remota origem do Paraíso. Construído com base em uma das obras de José de Souza Soares, “Paraíso e suas histórias”, Anajá dá vida ao romance onde pode reestruturar a ordem cronológica, dando aos personagens nomes reais, como o Padre Thomás d’Affonseca e Silva, que foi o quinto vigário da paróquia. A obra de Anajá Caetano discute conceitos que até então a história fazia questão de estereotipar, desmistificando o negro enquanto um ser ignorante e burro e a negra como promíscua e assanhada. Pelo contrário, Anajá mostra o lado maternal, solidário e belo da mulher negra e toda a importância do papel que desempenhavam na sociedade paraisense daquele tempo. Evidenciando o indispensável lugar que os escravos tinham para o manejo do trabalho nas fazendas ao redor da paróquia de São Sebastião do Paraíso, Anajá ainda mostra o verdadeiro valor da “boa” e velha família tradicional, revelando a crueldade e a indiferença para com os negros naquele período.

A religiosidade é outro fator marcante na obra. Com uma descrição fiel aos cultos africanos, Anajá Caetano narra todas as suas heranças étnicas, sendo negra e descendente de angolanos da tribo dos “Quiocos”. A vivacidade e os detalhes com que narra cada ação, cada dança, cada expressão dos seus antepassados são de uma riqueza tão grandiosa que remete a uma África desconhecida aos olhos do homem branco. Uma África poderosa, com seus deuses onipotentes e zelosos por seus negros.

Um verdadeiro achado da literatura paraisense, “Negra Efigênia é uma viagem a um passado histórico de uma Paraíso pouco conhecida. Alvo de estudos no mundo acadêmico, a obra de Anajá Caetano ganha seu devido valor por ser uma das poucas mulheres negras a produzir uma literatura onde são narradas todas as suas raízes culturais, fato este que não permitiu que sua obra caísse em total esquecimento. Embora de suma importância, “Negra Efigenia” é um livro pouco conhecido e em nossa Biblioteca Municipal “Professor Alencar de Assis” há apenas dois exemplares, em péssimo estado, mas na internet é possível encontrar e adquirir a obra em sites de sebos.

Caso haja interesse é possível tomar o livro emprestado por uma semana na Biblioteca, no entanto, os horários da mesma são pouco flexíveis, abrindo às oito da manhã e fechando atualmente, às três da tarde.

Para quem tem horário pra ler é bom ficar atento.

Paraíso é uma cidade com uma história admirável, portanto devemos valorizar mais nossa cultura e dar o devido valor aos nossos escritores, que como Anajá Caetano, contam de forma bela e poética a nossa própria história.

Matéria produzida originalmente para a "Revistas Expressão Livre"
 -  Ano 3, Edição 36, Maio de 2013

Postado segunda-feira, maio 20, 2013 por Unknown

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maio 12, 2013

O habito da leitura é uma pratica agradável de obter conhecimento e, para alguns, fugir da realidade maçante do dia a dia. Ler é ampliar os horizontes, aprender coisas novas, acumular cultura. Lendo você expande seu vocabulário e melhora o raciocínio e a capacidade de abstrair o mundo. O que não faltam são opções de literatura, desde o vasto mundo dos romances ate as ciências e humanidades. 

Neste mês, no dia 18, comemora-se o “dia nacional do livro infantil”, em homenagem ao pai da literatura infanto-juvenil nacional, Monteiro Lobato. Lobato foi um pré-modernista famoso por produzir obras como “Urupês”, na qual imortalizou a personagem Jeca Tatu, uma metáfora para contar a real situação do trabalhador rural paulista, criticando diretamente o governo da época. Todavia, foi à literatura infantil que o consagrou. Para a paraisense Claudia Zanin, pós-graduada em Língua Portuguesa e Literatura Brasileira pela Universidade de Franca, a obra infantil de Lobato foi um "divisor de águas" na literatura para crianças no Brasil. “Ele foi o responsável por colocar a cultura brasileira como protagonista em uma recente República, ainda sem identidade cultural”, conta. 

Autor de diversas obras como “O sitio do pica pau amarelo”, “As caçadas de Pedrinho” e “As historias de Tia Anastácia” foi às crianças que Monteiro Lobato dedicou grande parte de suas obras, revolucionando por trazer os contos de fada europeus sob uma óptica cultural puramente brasileira e em uma linguagem coloquial, que fazia diferença em um Brasil com 80% de analfabetos. “De escrever para marmanjos já estou enjoado. Bichos sem graça. Mas para crianças um livro é todo um mundo”, teria dito Lobato. 

As obras infantis são geralmente de caráter moralista e Monteiro Lobato, com suas produções, queria fazer com que as crianças aprendessem a pensar, a raciocinar, chegando às suas próprias verdades. "Queria fazer livros em que as crianças morassem", dizia. Claudia Zanin, que também é professora na Escola Estadual Benedito Ferreira Calafiori, explica que o fato de suas obras terem sido censuradas no período ditatorial no país, mais precisamente na década de 1970, deu-se pela preocupação de Lobato nas narrativas com a educação. “Ele usava Geografia, Ciências, Astronomia, Matemática, História, Língua Portuguesa e até mesmo questões políticas, em suas histórias”, disse a professora. A boneca de pano Emília  por exemplo, é uma metáfora à representação do espírito de rebeldia às regras, rótulos e convenções que fecham o mundo a qualquer possibilidade de renovação, ou seja, um choque as ideologias políticas do regime militar. 

A importância de se estimular a leitura às crianças e apresentá-las ao mágico universo literário é um desafio que a cidade precisa encarar. Historicamente, Paraíso não tem tratado a cultura como uma prioridade e o resultado disso são nossas bibliotecas quase sempre vazias ou frequentadas apenas para uso de computares e a realização de trabalhos escolares. Apesar de nossa cidade ter sido convidada a participar da 13ª Feira do Livro de Ribeirão Preto, que acontecerá de 6 a 16 de junho de 2013, não seria mais interessante pensar em uma feira cultural para Paraíso, aonde os nossos jovens pudessem ser estimulados a ler mais? Lobato disse certa vez que “um país se faz com homens e com livros”, destacando a importância que a literatura tem para a construção de uma sociedade mais inteligente e menos alienada. Esta é uma ideia que, sem duvida, merece ser refletida.

Matéria produzida originalmente para a "Revistas Expressão Livre"
 -  Ano 3, Edição 35, Abril de 2013

Postado domingo, maio 12, 2013 por Unknown

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