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abril 04, 2016


Fundada em 5 de março de 1919 pelo coronel Alfredo Serra Júnior, mais conhecido como “Doutor Serrinha”, a Associação Atlética Paraisense (AAP) completou 97 anos de história. Durante esse período, o clube viveu um passado repleto de altos e baixos, tentando de 1952 a 1956 subir para a liga profissional. Em 1956, na disputa contra o time Valériodoce, em Itabira, na final do Campeonato Mineiro da Segunda Divisão, a “Mais Querida” de São Sebastião do Paraíso, dependia de um empate para subir para a liga, mas o centroavante conhecido como Mingo, perdeu os dois pênaltis, levando o time a derrota e ao desânimo do clube em ter um time profissional.

Esse fato marcante na história da Paraisense, dizem, foi proposital. É o que afirma o taxista Itamar Bonfim, conhecido da comunidade paraisense que durante muitos anos foi árbitro de futebol e comentarista esportivo e viveu todas as glórias e tristezas por qual o time passou. “Dizem que o Mingo estava comprado, que havia perdido de propósito, ele saiu fugido da cidade”, conta Itamar que, aos 73 anos, recorda-se, emocionado, de vários momentos importantes na história da Paraisense. No entanto, ao ser entrevistado em programas esportivos na então Rádio Difusora Paraisense, na época, e quando veio a Paraíso posteriormente, Mingo negou, atribuindo a perda dos pênaltis a uma infelicidade. “Sou apaixonado pelo time, meu pai amava o clube e me levava aos jogos, nunca houve um período tão importante na história do nosso futebol como aquela geração dos anos 50”, recorda Itamar Bonfim.

Dentre as conquistas da AAP, as que são lembradas, e que marcaram época para o time de Paraíso, ocorreram no Campeonato Mineiro da Segunda Divisão, tendo no currículo dois vices (1989 e 1995) e o título obtido no Campeonato Mineiro da Terceira Divisão, em 2001; além de ter participado do Campeonato Mineiro da 1ª Divi-são em quatro oportunidades: 1990 (8º lugar), 1991 (8º lugar), 1992 (15º lugar) e 1996 (12º lugar). Em1989, em uma partida emocionante, ela empatou com o Ipiranga em Manhuaçu e subiu pela primeira vez a elite do futebol mineiro.

No gramado do Estádio Comendador João Alves, a Paraisense recebeu grandes equipes como Fluminense, Santos, Cruzeiro, Atlético Mineiro, Guarani, Ponte Preta de Campinas, Botafogo, Comercial de Ribeirão Preto, Ferroviária de Araraquara, além de grandes equipes do cenário regional e nacional.

Depois de paralisado por algum tempo, foi nos anos 80 que a Mais Querida voltou a movimentar o futebol no município. Enfrentou e ganhou de equipes que faziam parte dos principais campeonatos mineiro e paulista. Foi nesse período que o ex-zagueiro da primeira formação profissional e atual secretário de Esporte do município, Tomás Martins, atuou na Paraisense.

“Em 1980 o AAP voltou ao campeonato profissional, nessa época eu entrei como jogador profissional. Comecei no clube como mascote, de 1978 até 80 eu fiquei no futebol amador; de 80 a 82 joguei no profissional, depois disso fui estudar e tive que parar com o futebol. De 1980 a 1989 a Paraisense tentou subir para a primeira divisão; em 89 ela ficou em segundo lugar, na segunda divisão, foi um dos momentos mais marcantes da minha vida”, recorda o secretário de Esporte.

“Foi uma vitória que me emociona até hoje, quando a Paraisense foi para Manhuaçu, onde jogava pelo empate para subir para a primeira divisão pela primeira vez. Nós começamos ganhando de 1x0, depois o Ipiranga virou o jogo para 2x1. Aos 43 do segundo tempo conseguimos empatar, lá em Manhuaçu com um gol de Sérgio Vilela, e pela primeira vez na história da Paraisense, conseguimos subir para a primeira divisão. Foi muito e emocionante; até então o time adversário estava fazendo festa, comemorando, e conseguimos ganhar do último momento. Aquele momento não sai da minha, eu estava no estádio, trabalhando na transmissão do jogo”, recorda Tomás.

Esse também é um momento que emocionada o taxista Itamar Bonfim, que foi o idealizador da Taça Paraíso em 1989, campeonato que até hoje acontece no município. Outro momento que também emociona o taxista, foi um jogo em que o Corinthians esteve no município, na década de 1970, no qual o pároco da época, Monsenhor Mancini, conhecido por todos por sua seriedade e rispidez, ganhou uma camisa autografada por um dos ícones do Corinthians, Roberto Rivellino. “Ele chorou muito de felicidade”, recorda Bonfim, também emocionado. A camisa ficou exposta por um bom tempo no saguão de entrada do Cine São Sebastião.

Bonfim também se lembra do secretário Tomás Martins que, para ele, também foi um dos grandes heróis do futebol que Paraíso já teve. Martins foi presidente da AAP 2002 a 2004, e coleciona uma série de lembranças saudosas, da infância até a extinção do futebol profissional da AAP. “A Paraisense de 2004 para cá, não disputou mais nenhum tipo de campeonato. Hoje, só tem o time veterano. Infelizmente, ela só existe como nome que uma ação de clube propriamente dito. Eu acompanho a Paraisense desde os 6 anos, vi muita coisa bacana acontecer”, recorda.

Tomás recorda ainda de uma partida entre a Paraisense e o Milionários, que entre outros craques tinha o legendário Garrincha, Djalma Santos, Amaral e uma série de jogadores importantes. “Eu tenho uma lembrança dessa época que marcou muito. O time dele estava hospedado no Hotel Achei, no Centro. Lembro-me quando o Garrincha estava conversando no orelhão, com a esposa dele, Elza Soares, quando ela deu a notícia que estava grávida do Garrinchinha. A gente ficava tudo ali ao entorno do hotel para pegar autógrafo. Eu me lembro como se fosse hoje, ele na praça, de bermuda e chinelo, conversando com a turma dele e falando do filho que ia nascer”, relata o secretário de esporte.

Não mais como jogador, Tomás conta que já foi diretor e fez parte do departamento médico do clube. “Eu me lembro que 1990, quando a Paraisense subiu, nós fomos a BH jogar contra o Cruzeiro no Mineirão. O ônibus quebrou na avenida Antônio Carlos, o jogo estava marcado para 8h30, era 7h30 e ainda estávamos parados na rodovia, a torcida do cruzeiro passando, mexendo com a gente. Nós levamos uma goleada de 4x1. É outra lembrança que tenho, já como membro da imprensa e da diretoria do clube”, conta.

“Depois disso, aconteceu muita coisa, vários times importantes vieram a Paraíso disputando campeonatos, vários jogadores importantes passaram por aqui. Houve a reinauguração da iluminação do estádio em 1996. Na época nós jogamos contra os Democratas de Governador Valadares, que estava começando a lançar o jogador Fábio Junior como profissional, nós empatamos o jogo na época. O diretor Darci Menezes, que tinha sido zagueiro do Cruzeiro, veio aqui, tivemos esses encontros memoráveis”, finaliza Martins.

O Clube, que já possuiu invejável patrimônio, inúmeros bens, hoje conta apenas com o Estádio Comendador João Alves, que de acordo com a doação feita, pertencerá à Associação enquanto houver diretoria. Caso contrário retornará aos herdeiros do doador da área. Mas o atual presidente, Cláudio Passagem, garante que essa perda nunca vai acontecer e que, no que depender dele, a AAP sobreviverá por muito tempo. “A Paraisense sofreu um período de abandono, diretorias que por lá passaram acabaram com tudo que a AAP possuía, nunca cumpriram com o estatuto. Estamos fazendo o possível para manter o clube e reergue-lo”, comenta.

Passagem ressalta ainda que para as eleições que acontecem para a formação da nova diretoria do clube, no próximo dia 9 de abril, sábado, só participarão os 38 associados que hoje compõe a AAP. “Vamos fazer valer o estatuto, principalmente o artigo 44, que diz que ‘o associado que concorre ao cargo só poderá participar de uma chapa e para um único cargo, com pelo menos um ano de registro como associado’”, completa.

Nestes 97 anos de existência a Associação Atlética Paraisense recebeu e revelou atletas valorosos em suas equipes amadoras e profissionais. Contou com diretores abnegados que com muito esforço se desdobraram para a formação e manutenção dos elencos.

Neste contexto, por sua visão empreendedora, bem além de seu tempo, há de se lembrar e se reverenciar o grande presidente Fulvio Guidi, a quem cabe um capítulo especial na história da Mais Querida, notadamente nos anos 50 e início da década de 60, e, também a Waldemar Lanzoni, o grande goleiro que depois, com muito zelo, manteve equipes amadoras de alto nível, por muitos anos. Em nome de Fulvio Guidi e Waldemar, o Jornal do Sudoeste homenageia a todos diretores e diretorias que tiveram sua parcela de trabalho ao longo destes 97 anos de história da Associação Atlética Paraisense.

Matéria originalmente publicada na edição 1985 do Jornal do Sudoeste,
São Sebastião do Paraíso/MG

Postado segunda-feira, abril 04, 2016 por Unknown

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março 30, 2016


Conhecida pela sua alta taxa de incidência no século XX, a tuberculose, uma doença infecciosa de evolução crônica causada pela bactéria “Mycobacterium Tuberculosis” - descoberta pelo médico, patologista e bacteriologista alemão, Heinrich Hermann Robert Koch em 1882 - e que ataca principalmente os pulmões, ainda é uma doença que preocupa muito a medicina e que, se diagnosticada tardiamente, pode levar a morte além de sua propagação.

Conforme relata o médico infectologista José Carlos Costa Junior, a doença ainda é um grande problema de saúde pública e vem preocupando autoridades da área. “Embora a taxa de incidência venha diminuindo, a mortalidade ainda é muito alta, principalmente nos casos de coinfecção da tuberculose em pessoas portadoras do vírus HIV. A doença está diretamente relacionada a determinantes sociais”, elucida.

De acordo com dados do boletim epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde no dia 24 de março, data em que se comemorou o “Dia Mundial de Combate à Tuberculose”, nos últimos 10 anos, a incidência de casos de tuberculose no Brasil reduziu 20,2%, passando de 38,7 casos a cada 100 mil habitantes em 2006 para 30,9 em 2015.

Neste mesmo período, a taxa de mortalidade teve também redução de 15,4%. No último ano, a taxa de mortalidade foi de 2,2 óbitos para cada 100 mil habitantes, contra 2,6 registrados em 2006. Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil conseguiu atingir as metas dos Objetivos do Milênio (ODM) de combate à tuberculose com três anos de antecedência e, em 2015, aderiu ao compromisso global de redução de 95% dos óbitos e 90% do coeficiente de incidência da doença até 2035.

Apesar dos números positivos, o infectologista José Carlos comenta que os números de casos em homens é o dobro daquele registrados em mulheres, que também tem a doença como uma das principais causas de óbito entre o sexo feminino. Além disto, conforme o médico, uma população vulnerável apresenta taxas de incidência maiores, é o caso da população carcerária, pessoas portadoras da AIDS, indivíduos vivendo nas ruas e pessoal que tem associação com etilismo (alcoólatras).

Segundo o especialista, em São Sebastião do Paraíso também há casos da doença, como na grande maioria dos municípios brasileiros, e a maioria realiza tratamento ambulatorial. “Nos últimos anos notamos um grande número de jovens e pessoas entre 40 e 50 anos com diagnóstico da doença”, ressalta.

O médico comenta que a tuberculose ainda desafia a medicina. “Diferente do que se imaginou nas décadas de 1960 e 1970, de que com uma potente quimioterapia a doença teria um efetivo controle, a tuberculose aumentou em todo o mundo. Em 1993, a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou a tuberculose como uma emergência global”, destaca o infectologista.

DIAGINÓSTICO E TRATAMENTO

“A pessoa que tem o diagnóstico da doença deve ser muito bem esclarecida sobre os riscos e a importância do tratamento correto, seus familiares próximos devem ser examinados”, alerta o médico.

Conforme o especialista, um dos grandes problemas da tuberculose no século XXI é a resistência da bactéria a medicação. “O diagnóstico precoce e o tratamento correto são as medidas mais eficazes para o controle da doença”, ressalta.

Ainda, conforme o médico, existe um tratamento eficaz distribuído pelo Ministério da Saúde com duração, na grande maioria dos casos, de 6 meses de tratamento. “É fundamental o tratamento correto para evitar recidivas da doença, assim como a resistência do bacilo as drogas usadas”.

TRANSMISSÃO

A transmissão da doença ocorre por vias aérea e na maioria dos casos a partir da inalação de gotículas contendo bacilos expelidos pela tosse, fala ou espirro do doente com tuberculose. O infectologista José Carlos Costa alerta que as pessoas que teve ou tem contato próximo de doentes sem tratamento estarão mais expostas. “Após 10 a 14 dias de tratamento eficaz não ocorre mais a transmissão do bacilo. Todos os contatos de pessoas com pacientes que foi infectado com a doença, por exemplo, residentes na mesma casa, devem ser investigados, assim como contatos próximos, seja no trabalho ou até mesmo a população carcerária”, completa o médico.
SINTOMAS

O principal sintoma da tuberculose é a tosse por mais de três semanas, com ou sem secreção. Qualquer pessoa com esse sintoma deve procurar uma unidade de saúde para fazer o diagnóstico. Além desse sintoma, outros como febre baixa, geralmente à tarde, suor noturno, falta de apetite, perda de peso, cansaço, dor no peito e hemoptise (sangramento das vias respiratórias), pode também ser um indicativo da doença.

Como já ressaltou o infectologista, José Carlos, são mais vulneráveis à doença as populações carcerárias, moradores de rua - estes devido à dificuldade de acesso aos serviços de saúde e às condições específicas de vida -; além das pessoas vivendo com o HIV, que representam 9,7% dos diagnósticos confirmados de tuberculose em 2015.

TUBERCULOSE EM MINAS

De acordo com dados da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerias (SES-MG), em 2015 houve cerca de 4.039 notificações de pessoas contaminadas com a doença, dos quais cerca 212 vieram a óbitos. Ainda, conforme a Secretaria de Saúde, a região metropolitana de Belo Horizonte concentra, aproximadamente, um terço dos casos em todo o Estado.

Dados epidemiológicos revelam também que a taxa de abandono do tratamento em 2014 foi de 10,6%, considerada elevada. Em função disso, para conscientizar a população a respeito desta doença, a SES-MG fez o lançamento da campanha “A Tuberculose tem cura e o tratamento é gratuito”, sendo a proposta central sensibilizar a comunidade sobre a importância da prevenção e do tratamento correto.

TESTE RÁPIDO

Em 2014, o Ministério da Saúde implantou no país uma rede de diagnóstico da doença, a Rede de Teste Rápido para Tuberculose (RTR-TB). Denominado “Gene Xpert”, o teste detecta a presença do bacilo causador da doença em duas horas e identifica se há resistência ao antibiótico rifampicina, usado no tratamento. Segundo dados, foram distribuídos 160 equipamentos para laboratórios de 92 municípios, em todas as unidades da federação. Os municípios escolhidos notificam, anualmente, cerca de 60% dos casos novos de tuberculose diagnosticados no país.

O investimento do Ministério da Saúde para estas ações foi de cerca de R$ 10 milhões e, para monitorar a implantação desta rede, mensurar a realização dos testes e auxiliar a vigilância epidemiológica da doença, o Programa Nacional de Controle da Tuberculose publicou, em dezembro de 2015, um relatório em que estão descritas as principais atividades desenvolvidas pelos Programas de Controle da Tuberculose (nacional, estadual e municipal), laboratórios municipais e centrais no primeiro ano de implantação da RTR-TB, os avanços e os desafios, além do monitoramento da produção do período.

Para 2016, o Ministério da Saúde já adquiriu 70 novos equipamentos e 250 mil testes que serão distribuídos, de acordo com critérios técnicos e operacionais, para municípios brasileiros. Com a medida, o percentual de diagnóstico da doença será ampliado para cerca de 75% de cobertura de casos novos.

Postado quarta-feira, março 30, 2016 por Unknown

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setembro 25, 2015


No dia 21 de setembro se comemora em todo o Brasil o Dia Nacional da Pessoa com Deficiência, uma data criada para lembrar a toda população sobre a situação dos portadores de deficiência e das lutas e desafios que envolvem crianças, jovens e adultos que convivem, além de algumas limitações no dia-a-dia, com o preconceito, a falta de inclusão e escolas preparadas para isto e também carência de políticas públicas para atender de forma abrangente e eficaz todas as famílias que têm um portador de deficiência em casa.

Falar da luta da pessoa com deficiência é falar também da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais, a APAE, uma instituição que nasceu em 1954, no Rio de Janeiro, com o objetivo de promover a atenção integral à pessoa com deficiência, principalmente àquela com deficiência intelectual e múltipla. No entanto, muito além de uma instituição, a Apae é considerada um movimento pioneiro que se destacou pelo caráter de suas ações. Hoje a APAE faz parte da realidade de todos os 27 estados brasileiros.

De acordo com a Federação Nacional das Apaes (Fenapaes), atualmente a movimento apaeano é considerado o maior movimento filantrópico do Brasil e do mundo na sua área de atuação. Um movimento que congrega, além da Fenapaes, cerca de 23 Federações das Apaes nos Estados e mais de duas mil Apaes distribuídas em todo o País, que fornecem atenção integral a cerca de 250 mil pessoas com deficiência.

Em São Sebastião do Paraíso a história não é diferente; a instituição, fundada em 1975, ao longo desses 40 anos vêm trabalhando incansavelmente para atender as diversas famílias que buscam assistência integral junto ao movimento apaeno, são cidades que compreende além de Paraíso, Jacuí, São Tomás de Aquino e o distrito da Guardinha. São cerca de 300 alunos atendidos atualmente pelos vários programas oferecidos pela instituição, incluindo a Escola Estadual Mariana Marques, integrada a instituição, além dos 41 profissionais que atuam diariamente para levar assistência a esses alunos. São fisioterapeutas, psicólogas, fonoaudiólogas, enfermeiras, médicos, nutricionista, pedagoga, professores de oficinas, ajudante de oficinas, educador físico, ajudante geral, zelador, secretárias, além de dentistas, ajudante de consultório e motoristas.

De acordo com a psicóloga Lucilaine de Pádua, que faz o acompanhamento desses alunos, “o dia é importante porque reforça o trabalho da APAE realizado durante o ano todo, que é de ‘luta’ para que todos tenham atendimento de qualidade, sempre visando inclusão e garantia de seus direitos”.

Conforme explica Lucilaine, o trabalho da Apae compreende, não apenas ao atendimento a necessidade específica de cada aluno, mas principalmente o direito a autonomia que cada aluno deve ter. “Muitas vezes, quando a gente pergunta ao aluno o que ele quer, ele não sabe responder porque nunca teve a oportunidade ou liberdade para decidir, sempre havendo a intervenção da família. Em algumas reuniões em grupo, nós trabalhado principalmente esta questão, estimulando ao aluno a se perguntar o que ele quer e aprender a tomar decisões”.

A Apae possuir diversos programas para atendimento não somente aos alunos, como também aos pais, a exemplo do Programa de Apoio a Família (PAF), que além ajudar a familiar a entender o que se passa com aquela criança portadora de alguma deficiência, também busca orientá-los no sentido da família poder oferecer uma qualidade de vida melhor aquele familiar que precisa de uma atenção redobrada. Outros programas, como o Programa Auto Defensor, coordenado pela fonoaudióloga Gizelle Lima Duarte, que tem cerca 70 participantes distribuídos em 6 grupos, busca trabalhar com os alunos tudo o que se diz respeito aos direitos e deveres do portador de alguma deficiência.

“Também é realizado pela APAE o ‘Programa de Inserção no Mercado de Trabalho’, que também é coordenado pela fonoaudióloga Gizelle e que inseriu nos últimos 18 meses cerca de 15 meninos ao mercado de trabalho. Esses alunos são acompanhados mensalmente, com contatos nas empresas e alguns, inclusive, participam dos grupos do programa”, conta a psicóloga.

Lucilaine explica também que nestes grupos os alunos trocam experiências e relatam o dia-a-dia da rotina de trabalho aos outros alunos que também querem ter um emprego. “Essa troca de experiência é importante para que o aluno entenda as responsabilidades que compreende o ‘ter’ um emprego, sendo a flexibilidade também um ponto bastante trabalhado no grupo, a fim de mostra a eles que ao ser contratado para exercer uma atividade, que ele também pode ser orientado a fazer outras coisas naquela empresa”, explica a psicóloga.

“Cabe ressaltar que no processo de habilitação e reabilitação da pessoa com deficiência todos (família, instituições escolas e comunidade) temos que preparar a pessoa com deficiência para terem autonomia, sendo protagonistas diretos de suas vidas, para que saibam e possam escolher e tomar decisões, todos temos que lutar para que haja garantia de direitos e do exercício de cidadania. As atividades, serviços e programas da APAE seguem o movimento apaeano e buscam preparar não só o nosso usuário, assim como a família, para que tenham oportunidades, para que mostrem suas potencialidades e habilidades, valorizando o que cada um tem de melhor e tenham igualdade de condições”, salienta Lucilaine de Padua.

HISTÓRIA DE MÃE

Marcia Aparecida da Silva é mãe de cinco filhos e os dois mais novos tiveram complicação no parto, o que veio a resultar na deficiência deles, Paulo Roberto, de 17 anos e Paulo Ricardo, de 9. A luta da mãe ilustra de maneira poética as mesmas dificuldades que tantas outras mães de crianças apaianas sofrem no dia-a-dia: o preconceito, rejeição e inúmeras noites sem dormir direito. Esses percalços não impediram que essa mãe parasse de lutar a fim de conseguir o melhor para seus filhos.

Conforme conta a psicóloga Lucilaine de Padua, “o filho mais novo de Marcia, de 9 anos, está no processo de escolarização na Escola Estadual Mariana Marques, em que a mãe lutou para trazer o filho de volta do ensino regular. Ela fez a luta contrária, o filho foi incluído ao ensino regular e ela lutou para que a criança voltasse para a Apae, por acreditar que ele não estava tendo a assistência que deveria para se integrar de fato a escola. No caso do filho mais velho, ele também foi incluído, mas não estava conseguindo aprender, não estava motivado e a mãe nos procurou pedindo ajuda para que ele pudesse fazer algumas atividades conosco. Em seis meses aqui, quando ele estava fazendo as oficinas e a mãe o PAF, ele foi incluído no mercado de trabalho”.

Hoje, Paulo Roberto e Paulo Ricardo são dois jovens muito saudáveis que enfrentam no dia-a-dia os mesmos dramas vividos em qualquer seio familiar. Para a mãe, a luta diária que fez com ela, inclusive, lutasse contra a inclusão do filho no ensino regular por não acreditar e concordar com a forma como a inclusão estava sendo feita, trouxe avanços, tanto para o aprendizado de seus meninos, quando tranquilidade para ela. A mãe relata ainda que, no caso do filho mais novo, foi ainda mais complicado. “Ele estava ficando fora da sala de aula para que não “atrapalhasse” os outros alunos”, relatou.

Marcia conta que na gravidez de Paulo Roberto, hoje com 17 anos, sofreu uma complicação conhecida como eclam-pse, o que fez com a criança nascesse prematura, no sexto mês de gestação. “Ele nasceu aqui em Paraíso e depois foi internado em Ribeirão, onde ficou cerca de um mês. Ele saiu da internação pesando cerca de 1,9 quilos. Nós tivemos toda a assistência e acompanhamento médico. No entanto, ele foi ficando mais velho, já apresentava uma idade mais avançada, mas era uma criança miúda, desnutrida. As pessoas sempre me perguntavam a idade dele, quantos meses ele tinha eu sempre falava, mas aquilo despertava uma certa desconfiança, como se o fato dele ser uma criança que não se desenvolvia fosse minha culpa”, relata a mãe.

Marcia Silva conta que este foi um período muito difícil e de muito medo, pois a família acreditava que talvez a criança não sobrevivesse. “O tempo foi passando e eu o coloquei na creche para poder trabalhar. Através da assistente social dessa creche, eu descobri que talvez ele pudesse ter algum problema, então ela me recomendou que ele fizesse uma avaliação junta a APAE e até eu conversar com o meu marido e ele aceitar tudo aquilo foi um pouco complicado, hoje tudo é diferente, mas naquela época ainda havia muito preconceito, principalmente se tratando da Apae”, relata.

Conforme a mãe, a criança foi encaminha para avaliação na Apae onde se constatou que ele sofria de um certo grau de deficiência intelectual, tendo como agravante um problema na arcada dentária e uma dificuldade de se comunicar. “Isso tudo começou em 1999. Eu tinha que levá-lo toda a semana no médico, no começo foi muito difícil. Qualquer vento que batia no rosto dele ele engasgava, e foram longos seis meses dormindo junto ao meu peito, eu mal dormia, morria de medo dele morrer afogado. Mas apesar disso tudo, eu nunca desisti e sempre tive fé que isso passaria e a gente seguiria normalmente nossas vidas”.

De acordo com Marcia, seu filho durante esse processo sofreu muito preconceito das pessoas, uma fase que relata ter passado. “Para muitas pessoas, a criança especial é aquela com ‘Down’, a deficiência intelectual não é encarada da mesma forma. Hoje, a única dificuldade dele é realmente a leitura, ele escreve, mas não sabe ler. Ele chegou a se queixar comigo que na escola não estava aprendendo a ler e ele queria para poder tirar carteira de motorista”, relata. “Graças a Deus hoje ele é um jovem muito saudável, ele queria muito trabalhar, nós chegamos a andar por toda a cidade para tentar arrumar um emprego para ele, mas não havíamos conseguido. No entanto, graças ao apoio da Apae, ele conseguiu conquistar seu primeiro emprego”.

Marcia Silva conta que no caso no filho mais novo, o Paulo Ricardo, durante o parto a criança se enforcou com o cordão umbilical, faltando oxigênio do cérebro, o que resultou em algumas sequelas. “Ele sofreu uma convulsão e foi socorrido junto a Unidade de Tratamento Intensivo, onde ficou cerca de três dias. Passado esse tempo ele foi para o berçário, foi amamentado, mas descobriu que ele havia tido enterocolite necrosante, ou seja, uma parte do intestino dele havia sofrido uma necrose e precisou ser retirado. Com 5 dias ele passava por uma cirurgia para tentar resolver o problema”, conta a mãe. Marcia relata ainda que seu filho chegou a ficar mais de um mês internado na UTI e que com quinze dias sofreu infecção hospitalar.

“Depois de passado mais de um ano, o Paulo Ricardo teve a primeira crise convulsiva; feito os exames, descobriu-se que ele tinha epilepsia e paralisia parcial. O mais difícil de toda a luta que passei durante este período foi encontrar inúmeras portas fechadas pelo caminho, por simplesmente as pessoas não terem conhecimentos do que é a deficiência. Há muitos julgamentos. Quem não conhece meus meninos e os vê, hoje, esbanjando saúde, não sabem das dificuldades que eles passam”, conta a mãe.

Aos nove anos, Paulo Ricardo está cursando o terceiro ano do ensino fundamental e vive uma vida saudável e produtiva, graças ao apoio da Apae a essa mãe. “Eu não sei o que teria sido da minha vida se não tivesse conhecido essas pessoas e tido todo esse suporte”, completa Marcia Silva.

Matéria publicada para edição 1931 do Jornal do Sudoeste,
São Sebastião do Paraíso

Postado sexta-feira, setembro 25, 2015 por Unknown

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setembro 20, 2015


Situação preocupante vem se agravando em São Sebastião do Paraíso, onde inúmeros pontos da cidade têm servido a moradores, construtores e até à estabelecimentos comercias, para descartes de lixos e entulhos dos mais variados tipos: roupas, materiais de construção, restos de madeiras, produtos alimentares com prazo de validade vencido e mesmo alguns materiais hospitalares.

A reportagem do Jornal do Sudoeste visitou alguns locais da cidade onde situação tem se tornado crítica. Um dos pontos que mais chamou a atenção foi nos arredores da Igreja da Noca, saída para estrada vicinal sentido bairro rural Antinha, e Volpes, que também dá acesso a São Tomás e Goianases. O lugar tem se assemelhado a um lixão. No local, o “J.S” conversou com funcionários da prefeitura que faziam a coleta de parte do lixo que se concentra naquela área. Os funcionários disseram que situação já é antiga e que as visitas ao local para tirar parte do lixo são regulares, o que não tem resolvido. De acordo com eles, aquela região já esteve em pior estado.

“Recentemente esteve uma máquina da usina de cana aqui neste local que empurrou grande parte dos entulhos que se encontravam aos montes nesta área para o fundo. É muito comum o pessoal usar este local para descartar lixo de qualquer maneira, tanto da zona rural, como da própria cidade”, relatou um dos funcionários. Os coletores ainda chegaram a contar que em uma dessas visitas ao local para fazer retirada de lixo, chegaram a remover seringas contendo sangue, além de outros materiais. Próximo à Igreja da Noca ainda há a presença de duas caçambas, nas quais foram ateadas fogo para queimar o lixo excedente que se encontravam nelas.

A situação também se repete em regiões como a entrada para a zona rural do Morro Vermelho, a entrada para o distrito da Guardinha, no final do bairro Rosentina Rosa de Figueiredo, e em bairros da cidade como o Jardim Daniela, próximo ao Verona, entre vários outros locais. Em algumas regiões há placas alertando sobre a proibição de descarte de lixo e entulhos nos locais e informa também o telefone da Secretaria Municipal do Meio Ambiente para denúncias. 

O Jornal do Sudoeste, em um dos pontos de acúmulo de entulhos e lixos entrou em contato com a Secretaria de Meio Ambiente para questionar se o município teria conhecimento da situação dessas regiões e se estava sendo feito fiscalizações nas áreas para identificar quem anda usando desta prática proibida por lei. No entanto, por telefone uma assessora da secretaria de Meio Ambiente, Yara de Lourdes Souza Borges, pediu que informasse que ela entraria em contato com o “JS”, mas até o fechamento desta matéria não houve retorno.

Matéria publicada na edição 1930 do Jornal do Sudoeste,
São Sebastião do Paraíso

Postado domingo, setembro 20, 2015 por Unknown

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