fevereiro 13, 2014

Beijo gay apresentado na novela "Amor à Vida" entre as personagens Félix (Mateus Solano) e Nico (Thiago Fragoso)

Somos uma sociedade regida por inúmeras regras morais que padronizam nosso comportamento e oprimi a liberdade individual de falar e expressar nossos questionamentos. Não existi uma lei que proíba falar sobre sexo ou sobre Satanás, no entanto estes são assuntos que evitamos por gerar muita polêmica e desconfortos: é o que chamamos de TABU. 

A palavra “Tabu” é de origem polinésia e está intimamente ligada ao misticismo. As tribos oriundas desta região utilizavam o termo “tabu” para designar proibições cujos seus descumprimentos geravam punições. Para eles o “tabu” era à proibição do contato com objetos sagrados no dia-a-dia ou que eram considerados amaldiçoados, a partir de então surgem às hierarquias, definindo o que é ou não proibido naquela sociedade. 

Estudos de Freud e do antropólogo Levi-Strauss, serviriam para dar um significado mais sólido a expressão comumente usada na sociedade contemporânea, contudo o sentindo da proibição, como usado pelas tribos da polinésia, ainda se manteriam. Esses estudos viriam dizer que o tabu seria uma espécie de sentimento social coletivo sobre um determinado comportamento ou assunto, uma ponte entre duas determinações comportamentais: uma biológica e outra cultural. No entanto, o tabu portará uma ambiguidade muito característica a sua essência e origem: se por um lado seu sentido representa o sagrado e o consagrado, no outro, representa o misterioso, o perigoso, o proibido, o impuro.

Todavia, o “tabu” nos dias de hoje confunde-se ao que as sociedades construíram ao longo dos séculos: o preconceito. Mas é importante frisar que o tabu propriamente dito não é preconceito, embora haja certa relação. O preconceito [pré (antes) + conceito] é um juízo que fazemos sobre uma determinada prática ou pessoas, muitas vezes relacionadas a uma atitude discriminatória com relação a um grupo, indivíduo ou tradição. Desta forma não podemos dizer que tabu e preconceito são a mesma coisa, porque à medida que o tabu está relacionado a misticismo e a abominação de um ASSUNTO – que não se deve falar -, o preconceito está relacionado à abominação de um determinado GRUPO DE PESSOAS OU CRENÇAS que de destoa do padrão daquela determinada sociedade.

Postado quinta-feira, fevereiro 13, 2014 por Unknown

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outubro 01, 2013


A pouco mais de um mês e meio, a população brasileira saiu às ruas para dar voz a sua insatisfação com as diretrizes governamentais, focada atualmente em tornar a Copa do Mundo e as Olimpíadas um dos melhores eventos que o planeta já viu ao invés de melhorar a saúde pública, o transporte e a educação brasileira. É fato que a situação dos brasileiros vem melhorando muito nos últimos anos, mas ainda está longe de ser o ideal. Uma prova disto é a nossa posição no IDH (índice de desenvolvimento humano), que mede a qualidade de vida da população mundial a longo prazo com base na qualidade de vida, acesso ao conhecimento e a um padrão de vida descente; mantivemos a posição estando em 85º lugar. Embora este índice seja considerado alto é incoerente, afinal, se temos uma das maiores cargas tributária do mundo, evidentemente deveríamos estar entre os países de primeiro mundo, não?

O ponto é que a educação não evolui muito, o analfabetismo, principalmente o funcional, ainda é uma realidade e o acesso ao conhecimento e a cultura, um dos maiores desafios. Desafios estes que vem encontrando mais dificuldades a cada dia e gerando mais revolta, insatisfação e polêmicas. 

A mais recente envolve o PNE (Plano Nacional de Educação), que visa à erradicação do analfabetismo, a universalização do atendimento escolar, a melhoria da qualidade de ensino, a valorização do profissional da educação, entre outras questões importantes. 

O Plano Nacional da Educação foi criado para vigorar de 2011 a 2020; apresenta dez diretrizes objetivas e 20 metas, seguidas das estratégias específicas de concretização, sendo a meta 4, a que garante o acesso da criança portadora de alguma deficiência, motora ou intelectual, de 4 a 17 anos ao ensino regular. Este é uns pontos mais importantes do PNE e que, no entanto, sofreu algumas mudanças radicais, gerando um mal estar generalizado na sociedade. 

O PNE, até o presente, momento não foi votado, o que deixa brechas para que a mudança da Meta 4 ainda seja revogada.

A mudança propõe que todos os jovens portadores de alguma deficiência estejam matriculados na rede regular de ensino até 2016, sem que haja nenhum mediador, no caso as APAEs, que prestam ensino especializado para preparar esses alunos a rede pública de ensino. O projeto, de José Pimentel (PT-CE), visa cortar os repasses de verbas governamentais às APAES, a fim de valer as novas diretrizes propostas na reformulação da meta 4, culminando com o enfraquecimento das mesmas.

META 4
COMO ERA:
"Universalizar, para a população de 4 (quatro) a 17 (dezessete) anos, o atendimento escolar aos(às) alunos(as) com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, preferencialmente na rede regular de ensino, garantindo o atendimento educacional especializado em salas de recursos multifuncionais, classes, escolas ou serviços especializados, públicos ou comunitários, nas formas complementar e suplementar, em escolas ou serviços especializados, públicos ou conveniados."
APÓS A MUDANÇA:
"Universalizar, para a população de 4 (quatro) a 17 (dezessete) anos, o atendimento escolar aos estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação na rede regular de ensino".

A visão dos paraisenses acerca do polêmico projeto

Ademar Paschoalino, diretor da APAE de São Sebastião do Paraíso
A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) nasceu no Rio de Janeiro em 1954, com a meta de prestar assistência a crianças e jovens portadores de deficiência, priorizando aquelas com deficiência intelectual e múltipla. Um projeto pioneiro no país, que até então não dava a devida assistência a portadores de deficiências e que veio se espalhando por todo o território nacional ao longo dos anos. Hoje as APAEs estão distribuídas em mais de 2 mil municípios atendendo cerca de aproximadamente 250.000 pessoas com deficiência. O ultimo censo do IBGE, de 2010, aponta que cerca de 45 milhões de brasileiros são portadores de algum tipo de deficiência (entre visual, auditiva, motora e intelectual), esses números expressivos correspondem a cerca de 14,5% da população total, sendo grande parte desse número dependente do ensino especializado. 

A APAE de São Sebastião do Paraíso vem prestando esses serviços especializados de altíssima qualidade desde 1975 e garantido o direito dos portadores de deficiência motora e intelectual a uma vida mais digna, tanto do ponto de vista pedagógico, quanto técnico. Ademar Paschoalino, diretor da APAE há quase seis anos, destaca o papel filantropo da Associação, que garante a assistência médica e pedagógica e esses alunos que carecem de atenção especial, sem cobrar nada. “Atendemos entre os alunos de dois turnos em torno de 278, e uma média de 48 que vem só para atendimento durante a semana. Existem alunos que já foram incluídos no ensino regular e que acabaram voltando para receber novamente este atendimento”, conta Ademar. 

Assim como todas as pessoas envolvidas com o trabalho sério e os serviços de alta qualidade prestados pelas APAES no Brasil a fora, Paschoalino também é contra a proposta de inclusão; segunda conta isso acaba tendo um efeito contrario. “A proposta é inadmissível. Foi feita por pessoa que não tem acessibilidade de entender o que é o aluno especial, o deficiente físico. Essa proposta faz com que o aluno não seja incluído, seja excluído. Tivemos casos de alunos que pararam de comparecer em qualquer tipo de escola por não ter como se locomover ou até mesmo por não ter um atendimento adequado que deveria ser dado a eles”, conta Paschoalino. 

Marcos Vinicius Aloise, fundador da INTEGRAR, a Associação de Portadores de Necessidades Especiais, destaca que o projeto é um verdadeiro retrocesso em vista do quanto já se ganhou com as APAES nos últimos anos. Vítima de um acidente automobilístico que o deixou tetraplégico, há dezenove anos, Marcos destaca o suporte que nossas escolas não têm para o atendimento a alunos com deficiência. “Como se leva um aluno hoje, que tem uma sonda gástrica, por exemplo, que precisa trocar uma fralda, que tem que ter um cuidado especial a uma escola onde não se tem preparo nenhum a nível técnico?”, questiona. 

A INTEGRAR, fundada há oito anos vem lutando pelos direitos coletivos das pessoas com deficiência, promovendo a inclusão desses cidadãos no convívio social, tanto no âmbito do trabalho como na própria sociedade civil, promovendo a quebra de paradigmas e lutando contra os preconceitos que, infelizmente, ainda são latentes em nossa sociedade. Um trabalho de “formiguinha”, como ele próprio define, que vem sido feito aos poucos e gerando algum resultado, apesar de encontrar inúmeras limitações. No entanto, as diversas rampas que vem sendo construídas em Paraíso não resolvem muito o problema, uma vez que as calçadas, em estado deplorável em sua ampla maioria, atrapalham na locomoção, não apenas dos cadeirantes, mas também de pessoas com alguma dificuldade de locomoção, como idosos, por exemplo.

A presidente da FENAPAEs – Federação Nacinal das APAEs – Aracy Lêdo deixou claro que o Movimento das APAEs é a favor da inclusão, desde que esta seja realizada de forma adequada, respeitando o direito das Famílias de escolherem onde seus filhos estudem e das pessoas com deficiência de escolherem as escolas onde querem estudar. Nossas escolas públicas não estão preparadas e mal conseguem capacitar nossos jovens e prepará-los para o ensino superior e consequentemente para o mercado de trabalho. Dariam conta de prestar a devida atenção aos portadores de deficiência motora e intelectual? A realidade é que a APAE foi uma das melhores instituições criadas para orientar e dar suporte as famílias que vivenciam essa dura realidade, e o corte dessa verba seriam uma espécie de suicídio, uma vez que seus alunos, que em uma ampla maioria não estejam mais na fase escolar estabelecida pela meta ficariam desamparados. Bom seria se esses alunos pudessem freqüentar o ensino regular com a devida atenção que necessitam, mas infelizmente não é assim que funciona, e estamos longe de ter a devida condição e estrutura para isto.

Matéria na integra produzida originalmente para a "Revistas Expressão Livre"
- Ano 3, Edição 40, Setembro de 2013

Postado terça-feira, outubro 01, 2013 por Unknown

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Sinônimo de sexo frágil, a mulher desde os primórdios da humanidade foi tratada como um “subproduto” do homem. Uma figura que sempre esteve à margem da própria história, atenta as incumbências que não fugiam a vida privada. Educação dos filhos, cuidado com o lar e “serviços” matrimoniais, esse era o espaço que por séculos foi de direito exclusivo das mulheres. A injustiça histórica também é explicada pela bíblia, por Darwin e, principalmente, pelo ego masculino. Todavia, a afronta a esta cultura patriarcalista pré-história e hegemonia masculina, que culminou com a independência da mulher foi uma luta progressiva, uma verdadeira “guerra dos sexos” que perdura até hoje e escancara o machismo existente nas sociedades. 

No Brasil houve nomes importantes que marcaram nossa sociedade por suas lutas contra esses parâmetros como Mietta Santiago, uma escritora, advogada e uma das vozes feministas de maior repercussão no Brasil na década de 1920. A advogada foi responsável por perceber que o veto ao voto feminino era uma lei que contrariava a própria constituição de 1821. Mietta esclareceu a má interpretação do termo “cidadão”, visto na época como se referindo apenas aos homens. O resultado foi que o “Partido Republicano do Rio Grande do Norte”, aproveitando-se desta brecha, elegeu, em 1929, Luiza Alzira Soriano Teixeira, uma ação ousada para época que a tornou a primeira mulher na história do Brasil a ocupar um cargo político no país. Mas as conquistas não pararam por aí. Embora Mietta Santiago tenha ganhado judicialmente o direito de votar, somente no novo código eleitora de 1933 é que se foi estendido o direito ao voto e a representação política a todas as mulheres. Tamanha estranheza causou a conquista da advoga que até motivou o poema homônimo de Carlos Drummond de Andrade, “Mierra Santiago”, no qual ele deixa evidente o machismo arraigado naquela sociedade, onde os únicos direitos reservados as mulheres limitavam-se ao conforto de seu lar.

O combate a essa repressão ganhou evidencia e redesenhou o papel da mulher na humanidade a partir da década de 1960, quando os movimentos feministas se intensificaram pelo ocidente. Hoje uma das lutas que os movimentos feministas vêm travando incansavelmente contra a sociedade é o combate a violência domestica e familiar às mulheres. De suas inúmeras conquistas, a Lei de nº 11.340, promulgada em sete de agosto de 2006, é a mais emblemática de todas, porque com o vigor desta mesma lei, as brasileiras tiveram direitos mais delineados de proteção contra a violência e penas mais duras para quem ainda insiste em tais atos.

Considerada uma das três melhores legislações contra a impunidade no mundo, a “Lei Maria da Penha” é fruto da luta de Maria da Penha Maia Fernandes para condenar seu agressor, o professor colombiano Marco Antonio Heredia Viveros, com quem a biofarmacêutica foi casada. Em 1983, Marco Viveros tentou matá-la duas vezes, a primeira simulando um assalto, que a deixou paraplégica, e a segunda vez eletrocutada. Até a sanção da lei, o Estado brasileiro não punia adequadamente os casos de violência domestica, tanto que até 1997 ainda não havia sido tomado uma decisão sobre o caso de Maria da Penha e Viveros havia pego apenas dois anos de prisão em regime fechado desde o ocorrido.

A realidade da sociedade brasileira só passou a mudar devido a pressões de órgãos internacionais de combate a violência. O pontapé inicial deu-se quando, em 1998, Penha decidiu denunciar o seu caso à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, em conjunto com o Centro pelo Direito e a Justiça Internacional (CEJIL) e o Comitê da América Latina e o Caribe para a Defesa dos Direitos das Mulheres (CLADEM). Após analises e a falta de resposta do Governo brasileiro, a Comissão Interamericana condenou o Brasil por negligenciar o caso e, a partir desta condenação, houve mudanças no código Penal, de Processo Penal e Execução Penal para punir e erradicar a violência contra a mulher além de uma participação mais efetiva do Estado para reeducar a sociedade e colocar definitivamente um ponto final nesta violência exacerbada.

Apesar dos avanços e progressos no que se diz respeito ao combate a violência doméstica e familiar à mulher, o número de casos ainda é expressivo no país, e quando se trata desses atos, não ha distinção entre classe social, nível de escolaridade ou mesmo região. Um “mapa da violência contra a mulher”, divulgado pelo Instituto Sangari, aponta que mesmo com o advento da Lei Maria da Penha o número de casos de violência contra a mulher cresceu consideravelmente entre os anos de 1980 e 2010. Segundo dados, o número de mulheres assassinadas no Brasil cresceu cerca 217,6%, fazendo com que o país ocupe o 7º lugar no ranking mundial dos países com mais crimes praticados contra as mulheres.

Esses atos de violência doméstica e familiar não são um mal alheio e também repercute em nosso município. Segundo Rosaíne Lunardelo, à frente da Delegacia da Mulher desde março de 2008, o número de inquéritos instaurados chegam a ultrapassar 30 casos de agressões que geram lesões por mês, o que é um número bastante significativo em uma cidade de interior, mas esses são apenas os casos oficializados. “No meu primeiro ano cheguei a instaurar 100 inquéritos. Este ano, até agora, já estamos com cerca de 170 inquéritos instaurados”, comenta a Delegada. Apesar dos números preocupantes, Rosaíne destaca que isto é bom porque aponta que a mulher está mais confiante nas ações investigativas da polícia. “Esses números não significam que os casos de violência doméstica contra a mulher cresceram, significam que as mulheres estão tendo mais coragem de falar”, enfatiza.

Sobre seu papel, Rosaíne esclarece que a principal função do delegado de polícia é mediar os conflitos que repercute na sociedade e que essa “mediação de conflitos” é uma realidade das capitais que começou em Brasília e que está sendo trazida para o interior. Segundo conta, a maioria das mulheres que a procuram estão apenas buscando solucionar um problema familiar, e que existe uma preocupação latente com o bem estar do parceiro. Não raro, muitas mulheres acabam desistindo das denuncias, mas, segunda conta Rosaíne, a partir do momento que a agressão é formalizada, a denuncia contra o parceiro foge ao controle da vitima, passando o Poder Público a intervir por ela. “Ela só pode desistir da denúncia perante o juiz” ressalta a Delegada.

Rosaíne ainda comenta que a violência doméstica é sazonal, sendo no verão os seus índices mais altos; além disto, fatores agravantes como econômicos, desequilíbrio emocional e até mesmo períodos muitos longos de convivência entre o casal, como férias, podem geram um maior índice de violência. No entanto, essas agressões desmedidas, na maioria das vezes, são abafadas pela mulher, que “encoberta” seu agressor. “Não é possível entrar na mente de uma pessoa para saber o que se passa, mas os motivos para isso são inúmeros: medo, filhos, dinheiro...” esclarece. A Delegada ainda conta que há casos em que a vítima entre em desespero por medo de seu parceiro ser detido e dizem ter batido a cara no obro, no braço, enfim, qualquer desculpa que possa livrá-lo de uma condenação.

Indubitavelmente o advento da Lei Maria da Penha veio para reeducar a sociedade brasileira e Rosaíne ainda destaca a importância de Penha na luta contra a violência a mulher. Todavia, a cultura machista que tanto motivou os parâmetros da violência, tal como está hoje, foi um dos principais fatores que contribuiu para que crescêssemos em uma sociedade onde o homem ter vários relacionamentos é motivo de orgulho, e a mulher, de desonra. Hoje, ditados populares como “em briga de marido e mulher não se mete a colher”, já não são mais aceito pela ampla maioria, e muito menos pela Justiça Pública. “Isso são clichês sociais que precisam ser desmistificados”, realça Rosaíne Lunardelo. “Historicamente somos uma sociedade fundamentada no patriarcalismo e no machismo. Para a mulher era crime o adultério, a sedução, e crimes cometidos por decorrência de uma falha da mulher era justificável. Na esfera penal, crime à mulher motivado por adultério era tido como defesa da legítima honra e vigorou muito no Brasil na década de 1970 e 1980, mas hoje, claro, isso é insustentável”.

Fatores culturais não são fáceis de serem mudados, mas hoje há uma preocupação maior do Estado com relação à violência doméstica e as leis, mais severas, também contribuem para que essa realidade se transforme aos poucos. Em Paraíso será criado o Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, uma criação que há bastante tempo a delegada Rosaine Lunardelo vem lutando para conseguir. Sem dúvida é uma ferramenta a mais no combate da violência doméstica e familiar à mulher e um ambiente onde as mulheres terão mais segurança para falarem de seus problemas. Rosaine assinala que o ideal, inclusive, seria que a próprias denuncias não se iniciassem diretamente com um policial, de ambos os sexos, mas sim com um psicólogo ou uma assistente social, a fim de averiguar se o caso da mulher em questão seja mesmo de cunho policial. Neste aspecto, o Conselho da Mulher traria grandes avanços nas ações da polícia, e uma equipe feminina, como conta a Delegada, seria mais indicado para tratar desses assuntos; ao estar tratando de algo tão delicado como agressões do parceiro, uma equipe composta apenas por mulheres, incluindo uma médica legista, e não um médico, contribuiria para intimidar menos a vítima e facilitar o trabalho da polícia. Para denuncias em nosso município a mulher pode tanto procurar a Delegacia da Mulher, na Avenida Dárcio Cantieri, nº 1879, como entrar em contato através do disque denuncia, o número 181, ou contatando diretamente a Delegacia da Mulher através do fone 03535311138. Essa violência afeta, não somente a própria mulher, mas a todos os seus vínculos sociais. A única forma de dar um basta e evitar que mais vidas se percam é não ficar calado!

Por João Gustavo

Matéria na integra produzida originalmente para a "Revistas Expressão Livre"
- Ano 3, Edição 39, Agosto de 2013

Postado terça-feira, outubro 01, 2013 por Unknown

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julho 19, 2013

Lar São Vicente de Paulo - Foto TV Sudoeste
Os princípios católicos mais difundidos em todo o mundo sempre foram à valorização do amor a Deus e ao próximo. Todavia, ao longo dos séculos a Igreja Católica Apostólica Romana foi se afastando desses conceitos e se fortalecendo, principalmente, como uma importante Instituição política, monopolizando, principalmente, o conhecimento. Seu autoritarismo se perpetuou por séculos a fio; foi na Idade Média, porém, que se sentiu seu verdadeiro poder dominador. É fato que toda e qualquer religião é controlada pelos homens, e nós, seres humanos, somos falhos em inúmeros aspectos. Vez ou outra surge alguém com esse “nobre” sentimento cristão de perpetuação do amor ao próximo e marca na própria história da humanidade suas influências; a Sociedade São Vicente de Paulo, indubitavelmente, é uma dessas marcas que nos mostra o verdadeiro valor do “eu cristão” e nos faz questionar nosso papel social frente ao catolicismo e sobre o que faz realmente as religiões.

Fundada em Paris, em 1833, por Antônio Frederico Ozanam, a Sociedade Vicentina tem como patrono o santo São Vicente de Paulo, conhecido por sua piedade ao pobre e que dizia que “jamais devemos perder de vista o divino modelo! É preciso ver Jesus Cristo no pobre, e ver no pobre a imagem de Cristo”. Baseados no princípio da caridade ao próximo, a Sociedade São Vicente de Paulo se fortaleceu como uma instituição independente, sem perder seu caráter católico e obediência às autoridades eclesiásticas, buscando sempre estar em “sintonia” com a Santa Sé. O principal objetivo da sociedade é dar assistência às pessoas mais necessitadas, buscando sua edificação espiritual através da caridade. Ozanam dizia: “Que fazer para sermos verdadeiros católicos? Fazer o que agrada mais a Deus: Socorramos nosso próximo como fazia Jesus Cristo e coloquemos nossa fé sob a proteção da caridade. Vamos aos pobres!”.

Aberta a qualquer um que queira prestar serviços a quem mais precisa, os pobres, a Sociedade Vicentina encontra-se espalhada no mundo todo e está presente em diversos países das Américas e da Europa, como França e Inglaterra. No Brasil existe a maior concentração de vicentinos do mundo, sendo Minas Gerais a maior concentração do nosso país, segundo conta Leonardo Borges de Souza, presidente do “Lar São Vicente de Paulo”. Ele ainda revela que em todo o mundo existem cerca de aproximadamente 156 associações, espalhadas em inúmeros países.

Aqui, a comunidade vicentina presta serviços aos idosos que não podem estar sob os cuidados da família ou que estejam completamente sozinhos. Todavia, não é apenas o cuidado para com os idosos que torna alguém um vicentino, é o “apoio e ajuda a comunidade em geral”, enfatiza Leonardo. Mais conhecido na cidade como “Asilo São Vicente”, a entidade em si é uma obra unida à própria Associação Vicentina e que está presente na cidade desde 1933, como vila vicentina, mas somente em 14 de outubro de 1957 é que se estabeleceu como uma instituição oficial. “O asilo é uma parte jurídica ligada à Associação São Vicente de Paulo. Não é a maior parte da associação. É uma ramificação, podemos dizer”, esclarece.

A “Vila Vicentina” era uma comunidade com diversas casas que ficavam ao redor de onde hoje se estabelece a Instituição do Lar São Vicente. Era uma espécie de colônia e possuía cuidados bem diferentes dos de hoje. Com o aumento de idosos e a necessidade de mais acomodações, na gestão de Sebastião Caetano da Silva construiu-se um pavilhão que comportasse cerca de 30 pessoas, isso contribuiu para que se fosse desmanchando as casas que, já muito velhas, não compensando suas reformas. Leonardo recorda ter entrado na diretoria do Lar São Vicente de Paulo no termino do mandato de Sebastião Silva, como tesoureiro e Paulo Queiroz como presidente, dando continuidade ao projeto. “Na época as honras da inauguração do novo pavilhão foram feitas pelo próprio Sebastião. Embora tivéssemos dado continuidade ao projeto, a iniciativa das obras foram dele”, relembra.

Leonardo ainda conta que na Sociedade Vicentina de Paraíso há cerca de aproximadamente 120 membros ativos, e destaca a importância de alguns como Carmo Paschoini e do já falecido Amadeu Guidi. “Amadeu tinha uma filha que morava no Canadá, a Ana Maria Guidi, que em uma visita resolveu ajudar o asilo com uma parte da renda de um “carnaval brasileiro” que organizava lá mesmo, para ajudar os hospitais”, conta Leonardo Souza. Segundo ele, com parte da renda foi possível fazer mais ampliações no asilo, mas foi difícil administrar as obras devido à alta inflação, que na época chegou a 100%.

Vivem atualmente no asilo 72 idosos, que contam com a colaboração de funcionários que dão assistência em tempo integral aos moradores e de médicos que fazem visita esporádicas para ministrar remédios e cuidados especiais aos idosos. Embora sejam tratados com extrema dignidade e atenção, Leonardo revela que a maioria desses idosos preferiria estar vivendo com a família, mas que por motivos, na maioria das vezes financeiros, acabam indo parar ali. “Acho isso natural. Quem não gostaria de estar vivendo ao lado da família?”, destaca. Sobre o papel da família, ele conta que hoje em dia os familiares são mais presentes na vida de seus idosos, mas que nem sempre foi assim. “Os familiares tinham medo de deixá-los aqui e depois ter que buscar de volta, e desapareciam. Mas, hoje, graças a Deus, essa perspectiva mudou e muito”. No asilo esses idosos recebem cuidados de extrema qualidade e as sextas-feiras, com uma parceria entre a Unimed e Acqua Sport Natação, é doado a esses idosos um dia de lazer na própria Acqua Sport, para fugirem um pouco da rotina maçante.

No entanto, apesar de contar com parte da aposentadoria dos moradores e ter a isenções de alguns impostos, os custos com o Lar São Vicente ainda são muito altos, tendo que contar ainda, não somente com o apoio de vicentinos da cidade, mas com a própria comunidade paraisense. Leonardo ressalta a importância das festas beneficentes, como a própria “festa do asilo”, que se tornou uma tradição na cidade, para a obtenção de recursos que são revertidos para melhoramentos do próprio recinto e para arcar com gastos de comida e remédios para esses idosos. Neste aspecto vemos o quanto é necessário e importante a colaboração e participação do cidadão paraisense para o Lar São Vicente de Paula. As ações desses colaboradores do asilo refletem o ápice do amor humano; e esse amor e cuidado que tem como recompensa o bem estar dos nossos idosos merece nossa atenção e iniciativa. “Qualquer um pode contribuir, seja financeiramente, com doações e até mesmo dando atenção a esses idosos. Eles gostam de conversar!”, ressalva Leonardo Souza.

Por João Gustavo
Matéria produzida originalmente para a "Revistas Expressão Livre"
- Ano 3, Edição 38, Julho de 2013

Postado sexta-feira, julho 19, 2013 por Unknown

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julho 16, 2013

20 de Julho - Dia Internacional do Amigo
A amizade poder ter muitos sentidos e diferentes significados. Há o consenso de que amizade é aquele amor despretensioso que nutrimos por alguém; uma dedicação mútua em que o carinho, o apoio e a compreensão são as únicas recompensas. Inerente ao homem, a amizade é decorre do convívio social com familiares e pessoas que nós vamos conhecendo ao longo da vida. Porém, a figura do amigo, aquela pessoal ímpar que conhecemos por acaso e vamos descobrindo e se redescobrindo enquanto indivíduos, não é alguém que com quem possuímos laços familiares, mas é aquele familiar “extra” que acolhemos em nossas vidas.

Embora para a psicanálise a amizade seja um sentimento sem laços obrigatórios como os familiares e, diferente do amor, seja uma relação de reciprocidade que não gera nenhum sofrimento por sua perda, que segundo algumas análises se desfazem naturalmente, podemos ir muito alem... Somos alvos constantes para a psicologia, que procura entender e compreender o homem, portanto é difícil definir o que a amizade, sobretudo a figura do amigo, representa para nós. Para o físico Albert Einstein, em seu “poema da amizade”, a amizade é um sentimento restaurador, que sobrevive a quase tudo, desde que reste um resquício que seja. “Pode ser que um dia não mais existamos... Mas, se ainda sobrar amizade, nasceremos de novo, um para o outro”.

Celebrado oficialmente no dia 20 de julho, o “dia do amigo” e “dia internacional da amizade” é em comemoração àqueles que fazem parte do nosso dia a dia e nos oferecem seu carinho e atenção. Há controversas, no entanto, sobre a origem desse dia. A versão sobre a data mais conta e difundida é que teria sido supostamente criada pelo argentino Enrique Febbaro, um entusiasta da corrida espacial e que acreditava que se o homem era capaz de chegar à lua, unidos a humanidade poderia conquistar muitos outros feitos épicos. A data teria se tornado oficial em Buenos Aires, capital da Argentina, em 1979, e pouco a pouco sendo adotada por outros países do mundo.

É um dia para ser celebrado, indubitavelmente, afinal, são nos momentos mais difíceis que os amigos verdadeiros se revelam... Na hora do “não”, nos momentos de crises financeiras e até desentendimentos familiares e com os próprios amigos. Brigar com o amigo e se arrepender no mesmo instante é a prova máxima da importância vital que essa figura tem em nossas vidas. Em melodias poéticas Milton Nascimento conseguiu traduzir esse sentimento tão singular e nobre que nutrimos aos nossos “irmãos de coração”, ele dizia que “amigo é coisa pra se guarda, no lado esquerdo do peito; mesmo que o tempo e a distância digam não...”. Feliz dia do amigo!

Postado terça-feira, julho 16, 2013 por Unknown

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Imagem divulgação do Evento Skol Rock Paraíso
É parte da essência humana apreciar a música, não importando a época e o estilo. Através da música ouvimos histórias de lutas, de vidas e gritos por liberdade. Dentre tantos gêneros e estilos musicais que narram essas experiências, um em especial merece destaque por, desde a década de 1950, conquistar e fazer a cabeça de milhões de pessoas em todo o planeta. Originário dos Estados Unidos, o Rock n’ Roll é um gênero musical cujas suas raízes estão, principalmente, no R&B, a música negra americana, e que unia a este gênero um ritmo rápido e único, que agradava a inúmeros jovens que se identificavam com o estilo rebelde e ousado de seus cantores e bandas.

Bill Haley é considerado por muitos o precursor do Rock n’ Roll e teria sido ele próprio o responsável por popularizar o gênero musical na época, em meados de 1954. Depois de Haley, vieram Chuck Berry e Elvis Presley, este segundo, considerado o “rei do rock” justamente por apresentar ao mundo este gênero tão libertador que crescia e se popularizava cada vez mais entre músicos e cantores. Bandas que adotaram o rock e se consagraram no cenário musical até hoje são muito ouvidas como Rolling Stones, Beatles, The Animal e Queen, que, além de influenciam, serve de referência para as inúmeras bandas da atualidade.

Por sua importância é atribuído ao dia 13 de Julho o “dia mundial do rock”. A data é em homenagem a um dos concertos de rock mais famosos de todos os tempos, o “Live Aid”, um show de rock beneficente que foi televisionado para o mundo todo e que ocorreu simultaneamente na Filadélfia (nos Estados Unidos) e em Londres (na Inglaterra), em 1985. Tendo como objetivo combater a fome na Etiópia, país do continente Africano, a apresentação contou com a presença de grandes nomes da música como B.B. King, Black Sabbath, Bryan Adams, Mick Jagger, Tina Tunner, The Who, Queen, Elton John entre tantos outros nomes.

Deixando um pouco a história de lado, o fato é que o Rock n’ Roll se tornou um dos gêneros musicais mais ouvidos e aclamados da história da humanidade, sempre se inovando e renovando, atingindo geração após geração. Nada foge as suas influências e, apesar de São Sebastião do Paraíso ser uma cidade essencialmente sertaneja, os fãs e apreciadores deste gênero musical épico terão muito que comemorar no dia 27 deste mês. É que será realizado na cidade um concerto de rock inédito na Arena Olímpica, que contará com a atração principal a banda “Detonautas Roque Clube”, que na ocasião fará um tributo à banda “Charlie Brown Jr.”, do vocalista Chorão, falecido em março deste ano.

Outras bandas da cidade participarão do evento, tendo a oportunidade de dividir o palco com essas grandes feras do rock nacional. Uma delas é a “Over Sun”, que tem um ano e meio de estrada e vê nesta ocasião como uma oportunidade de poder mostrar seu som a um público maior. Túlio Santos, baterista da banda, diz que está muito ansioso pela ocasião. “Achei interessante a ideia de se criar um evento de rock aqui, que além de dar oportunidade para as bandas locais mostrarem seu trabalho é uma forma de prestigiar a galera que curte o rock em Paraíso”, conta.
Banda Over Sun  - Túlio é o segundo à esquerda 
De fato é uma boa pedida para quem aprecia outros estilos musicais alem do tradicional sertanejo. É guardar a data e esperar por este evento que tem tudo para ser um grande sucesso.

Por João Gustavo
Matéria produzida originalmente para a "Revistas Expressão Livre"
- Ano 3, Edição 38, Julho de 2013

Postado terça-feira, julho 16, 2013 por Unknown

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junho 24, 2013

Ralph Diniz: "Marcha contra a corrupção" reúne 2 mil em Paraíso...: Rostos pintados, faixas e cartazes nas mãos e na garganta gritos de ordem. A bandeira, as cores e o Hino Nacional surgiam como se o País j...

Postado segunda-feira, junho 24, 2013 por Unknown

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junho 19, 2013

Figura de grande destaque em São Sebastião do Paraíso, Monsenhor Hilário foi padre na paróquia de S. Sebastião por mais de 30 anos. Enfatizando a importância de seguirmos nossos sonhos e lutarmos por ele, ele nos concede uma rara entrevista, para falar um pouco da sua vida e de sua história ao longos desses 95 anos.

Poucas são as pessoas que recebem e abraçam o dom divino, um chamado de Deus para pregar ao mundo o bem ao próximo, o amor, a paz. Não é fácil e Jesus Cristo foi um dos exemplos maiores de como às vezes pode ser difícil difundir a Boa Palavra. No entanto, algumas pessoas nascem com este dom e deixam marcas profundas nas almas dos outros e, mesmo que o mundo seja mau, eles não desistem dos seus ideais. Ideais esses inerentes a vida e a própria alma. Contudo, amar é um dom e como define bem uma das passagens da Bíblia “Ainda que eu tenha o dom de profetizar e conheça todos os mistérios e toda a ciência; ainda que eu tenha tamanha fé, a ponto de transportar montes, se não tiver amor nada serei”.

Foi com um grande amor à fé e aos ideais de pregar a bondade através de sua mensagem que o Monsenhor Hilário Pardini, umas figuras religiosas mais notórias de nossa comunidade, chegou aos seus 95 anos, mais cheio de vida e ânimo do que nunca. Com mais de 70 anos de sacerdócio, bem humorado, o Monsenhor conta que ser padre foi à realização de sua vida e que se nascesse de novo, nasceria padre. “Mais vida eu tivera, mais padre eu seria. Pena a vida ser tão curta pra tão grande dom”, ele brada.

O dom para o sacerdócio, segundo ele próprio conta, brotou em seu coração quando era ainda um menino, na cidade de Guaranésia, onde nasceu e recebeu de sua mãe, mulher muito devota, a inclinação para a vida religiosa. Presente à missa em todos os domingos, o futuro padre se admirava ao ouvir os sermões que ouvia na igreja e gostava de imitá-los em casa.

De família unida ele revela que a experiência de reclusão no seminário, ainda bem jovem, foi bem difícil e, embora tivesse sofrido pela ausência do afeto da mãe, do pai e dos irmãos, Hilário Pardini fortalecia sua mente e se firmava no ideal de ser padre. “Foi um verdadeiro ‘batismo de fogo’”, traduz a dureza daquele momento. 

Sempre aplicado, Hilário conta com orgulho que na vida acadêmica, que envolvia os estudos de Filosofia e Teologia, buscou a fundo ser o melhor em sua turma. Tamanha dedicação possibilitou a ele conquistas que impressionavam por ser tão jovem. Após ter se formado no Seminário Maior de Belo Horizonte, em 1942, mudou-se para Poços de Caldas, para ser auxiliar do pároco da cidade. Após quatro anos, foi chamado para ser diretor do seminário de Guaxupé, onde ficou quatro anos e meio. Ele conta orgulhoso ter participado da formação de muitos padres. “Eu era diretor e ao mesmo tempo lecionava. Quando não tinha professor era eu que substituía” conta Monsenhor Hilário.

Após este período, o padre foi retirado de suas funções para se dedicar a outro grande projeto, o da construção do novo seminário de Guaxupé, onde hoje está instalado o Centro Universitário da Fundação Educacional Guaxupé - UNIFEG. Terminada a construção do Seminário, mudou-se para Paraguaçu, onde assumiu sua primeira paróquia, época em que já tinha 18 anos de carreira; lá ficou por seis anos e depois disto retornou à Guaxupé, onde foi pároco da Catedral por 13 anos. 

A chegada do Monsenhor Hilário a Paraíso se deu em 1980, para substituição do também icônico Monsenhor Mancini, que havia falecido. 

“Fui nomeado pela Provisão Diocesana no dia 24 de junho daquele ano”, ou seja, neste mês, está completando 33 anos de sua chegada a São Sebastião do Paraíso.

Quando chegou aqui, Hilário definiu em seu coração que deveria dedicar-se a parte pastoral e não queria ter outro título ou função que não fosse o de “pastor das almas”, termo com o qual traduz seu ministério aqui na cidade. “Eu queria ser aqui o Pedro da ‘pedra’ e o Paulo da ‘palavra’”, revela.

De fato, o Monsenhor Hilário foi uma pedra de segurança, na qual muitas pessoas puderam se apegar; e a palavra, que com certeza marcou muitas vidas e o tornou uma figura conhecida por seus sermões.

Em suas muitas atribuições, Hilário Pardini foi também diretor da “Rádio Difusora”, onde hoje funciona a “Rádio da Família” e em seu programa, “Lira Evangélica”, que ia ao ar todas as manhãs às 11 horas, dava palestras que falavam sobre a necessidade de gostarmos de nós mesmos, falava sobre o apóstolo Paulo e sobre a Vontade de Deus. Acerca dessa fase marcante de sua vida, ele conta bem humorado que algumas de suas frases ainda são lembradas pelas pessoas. “Outro dia, alguém me disse que nunca mais se esqueceu da frase ‘quanto mais se ferve a água, mais gostoso fica o café’, que eu falei há muitos anos”, recorda.

Para o Monsenhor Hilário, sua relação com Paraíso é a de um verdadeiro filho da cidade e ele fala com carinho da vida que teve aqui, definindo-a como uma terra muito acolhedora, a qual adotou como seu lar e que lhe correspondeu com o título de Cidadão Honorário.

Monsenhor vive sob os cuidados de Célia Alves da Silva, mãe de seu afilhado, do qual fala com muito carinho. Célia trabalha com o Monsenhor desde seus 17 anos, e representa uma figura materna para Monsenhor Hilário. “O difícil é ter um filho com 17 e outro com 95. São dois extremos. O de 95 é difícil fazer parar e o de 17 é muito parado”, conta Célia bem humorada.

De fato, Monsenhor Hilário para seus 95 anos é mais animado que muito jovem! Gosta de passear bastante e de ler. Muito culto nos lembra da importância de se ter um ideal na vida e nos deixa a lição de que quando se tem uma motivação, nada pode nos deter. Ele ensina que “o Espírito Santo é como a chuva. Cai igual para todos, mas produz efeitos diferentes”. 

Assim é a mensagem de amor, de fé e de esperança que pessoas com esse dom da palavra, como o Monsenhor Hilário Pardini, nos passa: a mensagem é uma só, mas produz efeitos diferentes em cada alma que toca!

Por João Gustavo e Rafael Cardoso
Matéria produzida originalmente para a "Revistas Expressão Livre"
 -  Ano 3, Edição 37, Junho de 2013

Postado quarta-feira, junho 19, 2013 por Unknown

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junho 18, 2013

Manifestantes ocupam a cobertura do Congresso Nacional (Foto: Fabiano Costa / G1)
Era de se esperar. Nesta segunda (17), organizadores que estavam à frente do “Movimento Passe Livre” – MPL – declarou não ter nada haver com as manifestações arbitrárias as organizadas por eles. Segundo os integrantes, a manifestação tinha um único e exclusivo objetivo: a redução do aumento das tarifas do transporte público. O que o MPL não esperava é que sua causa ganharia proporções nacionais e abrangeriam temas que há uma década vem sido empurrado garganta à baixo de milhões de brasileiros como corrupção, gastos exacerbados com dinheiro de verba público e a falta de investimento em infra-estrutura, educação e saúde. "Só negociamos uma pauta, que é a revogação do aumento. Ainda que o ato tenha tomado outra amplitude por diversas razões”, disse Érica de Oliveira, técnica em museologia e integrante do movimento.

Ainda na noite desta segunda (17), uma das cenas mais lindas já ocorridas em Brasília encheu de orgulhos brasileiros e brasileiras que assistiam atônitos milhares de manifestantes romperem o cordão de isolamento da polícia militar e invadirem o Congresso Nacional. A população brasileira está tomando ciência de sua força e realmente mostrando a cara. A única questão que fica é se isso esfriará ou medidas sérias de mudanças serão tomadas? Imprevisível saber.

Augusto Nunes, colunista da revista Veja, criticou os movimentos que vem tomando todo país. Em seu texto intitulado “O Brasil Maravilha morreu afogado pela enorme onda de descontentamento”, o colunista afirma que o “direito de manifestar-se livremente não anula o direito de ir e vir de milhões de brasileiros que, mais uma vez, foram prisioneiros de congestionamentos absurdos. Nem autoriza ninguém a tratar com arrogância autoridades policiais instadas a cumprir o que a Constituição prescreve. Dessas provas de maturidade vai depender o destino do movimento”. Nunes sugere abertamente que o movimento deixe as ruas, e que os motivos que tanto alimentam as manifestações é o mesmo que acarretará o seu fim. Embora a causa seja nobre, em uma coisa o colunista tem razão, a falta de organização e liderança realmente é um fator preocupante; sem organização, dificilmente as vozes que gritam por melhorias serão ouvidas por nossos governando. Pelo contrário, serão usadas a favor de seu cinismo.

Dilma declarou nesta terça-feira (18) que "está ouvindo essas vozes pela mudança". Piada ou não, a presidenta pareceu ter esquecido o que brasileiros do país, e do mundo, querem realmente: que as vozes sejam mais do que ouvidas, sejam concretizadas. As vaias à presidenta no sábado passado (15 de junho), demonstrou que isso não é mais um caso de “civismo sensacionalista”. Embora o MPL tenha acendido o pavio e negue as proporções que as suas manifestações tenham tomado, esses desabafos nacionais que estão tomando as ruas estão apenas no começo. Especulações à parte, é bem verdade que nossos políticos estão mais apreensivos e preocupados... “O gigante acordou”.

Postado terça-feira, junho 18, 2013 por Unknown

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junho 17, 2013

Perdido na biblioteca da minha cidade, encontrei este romance que, de forma arrebatadora, surpreendeu-me. Um romance histórico sobre as raízes da minha cidade. Negra Efigênia é uma verdadeira obra prima!
Edição, arte e diagramação por Juvenal Marques

“Negra Efigênia” – paixão de senhor branco (Ed. Edicel, 1966), não é apenas um romance histórico narrado acerca de um triste e lamentável episódio ocorrido em nossas terras: a escravidão no Brasil. Muito alem disto, é o apelo a um passado que não se deve ser esquecido... um passado que transformou nossas vidas e ainda mantêm raízes de suma importância para o nosso desenvolvimento. Aos negros, hoje vítimas do preconceito, da intolerância e do estereótipo de marginalizados, deve-se o progresso de uma nascente “Paraíso” que sentia próximo o fim do tratamento e da condição que era posta aos africanos, que arrancados do seio de suas terras, trabalhavam de sol a sol sob a condição de meros escravos, de animais sem alma que nada mereciam.

Anajá Caetano, negra e descendente de angolanos da tribo dos “Quiôcos”, buscou tratar neste romance todas as raízes de sua cultura negra, desmistificando todo e qualquer estereótipo que ao longo das décadas a história estigmatizou. Em sua obra, ela narra o nascimento de São Sebastião do Paraíso e todo o desenvolvimento socioeconômico que a escravidão trouxe à região. Fundada à sombra se Jacuí, a paróquia dedicada a São Sebastião deu-se graças à doação de um lote de terras pela família dos Antunes Maciéis, na tentativa de apagar de seu passado a visão de “cangaceiros” que todas da região tinham de sua família.

Contudo, este é apenas o ponto de partida do romance que se desenvolverá tendo como uma das grandes personagens da obra a “Fazenda de Santa Isabel”, conhecida por todos da região como “Fazendo do Tronco” - devido ao tratamento cruel que dona Sinhá - a personificação de todo este período histórico, dava aos seus servos. Aliás, o romance se baseia praticamente em personagens caricatos, carregados de simbolismo, postos na trama cada um com o seu sentido. Talvez o teor de qualidade que esta jóia da literatura paraisense carrega, fundamenta-se na preocupação que a autora tem ao usar personagens com um sentido proposital, quase que como se fossem sinônimos para cada idealização deste período histórico. É isto que nos cativa e nos prende da primeira a última página.

Padre Thomás, figura fundamental n a trama, vê na liberdade dos escravos uma forma de impulsionar a economia regional, com base no que vinha acontecendo na província de São Paulo. Há um destaque na obra tratando a respeito do desenvolvimento econômico das fazendas que praticavam uma espécie de colonato, onde os escravos livres trabalhavam tendo um lote de terra onde podiam produzir para si mesmos, sendo motivados, assim, a produzir mais e mais. Alem disto, destaca-se também a religião. O padre, que via os negros escravos como ignorantes do ponto de vista religioso, tem sua visão amadurecida ao longo do romance, passando a enxergar o respeito mútuo que deveria haver entre as duas raças e suas crenças, que se fundiam em uma só.

Enfim, Anajá Caetano eterniza-se na história de nossa literatura municipal com este romance épico. Pouco se sabe a respeito da autora, mas o espírito de seus ancestrais podem ser sentidos em cada ritual narrado de forma sublime e fiel em “Negra Efigênia”. A linguagem impecável com que é contada faz da obra única.

Mais do que uma recomendação, “Negra Efigênia” é praticamente uma leitura obrigatória e o livro, perdido em sebos de todo Brasil é uma relíquia de valor incalculável para nossa cidade e pode ser lido gratuitamente na Biblioteca Municipal de São Sebastião do Paraíso, onde existem dois exemplares em razoável estado de conservação.

Matéria produzida originalmente para a "Revistas Expressão Livre"
 -  Ano 3, Edição 37, Junho de 2013

Postado segunda-feira, junho 17, 2013 por Unknown

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